Cavalo faz bem para mente e para o bolso

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As veias pulsando com sangue puro dentro delas. Os olhos esbugalhados na direção do sentido natural de sua principal característica. Cada músculo dilatado pronto para o movimento decisivo. A adrenalina evidente de uma obediência incondicional e um instinto também natural. A respiração ofegante não pelo cansaço, mas pelo sentimento – real – de dever cumprido, mesmo que o resultado não tenha sido o esperado. O suor escorre de um tecido coberto por pelagens de tons diferentes.

 

Alazão, zaino, palomino, tordilho, rosilho, castanho, baio, não importa a cor. Aí está o cavalo Quarto-de-Milha. Essa poderia ser uma simples síntese do que é um evento recordista da raça mais numerosa do mundo equino. Mas é, na verdade, uma reverência ao culto dessa espécie animal que inspira os mais devotos desejos do homem.

 

Ainda respiro o 36º Campeonato Nacional da ABQM que terminou neste domingo, em Avaré/SP.

 

Depois de um abril sombrio com aquele problema do mormo, muitos desconfiavam de um Nacional bem executado. Pois ele não só aconteceu, como bateu recorde de inscrições: mais de 5.700 conjuntos para disputar provas em 18 modalidades, que foram evoluindo desde a origem da raça, na época do desbravamento americano, quando ianques paravam nos finais de semana para bebericar algo e disputar corridas curtas, de 400 metros, que é exatamente ¼ de milha.

 

Descobriu-se o animal de explosão em tiro curto, força e velocidade aliadas a um cowsense que os caubóis precisavam na rotina das longas cavalgadas por aquelas terras.

 

E essa origem ainda é respeitada no mundo western que o cavalo empresta para as grandes reuniões como as que acontecem em Avaré três vezes ao ano – Congresso Brasileiro, em abril; Nacional, em julho; e Potro do Futuro e Copa dos Campeões, em outubro. Épocas em que a família QM se reúne sem dó de exibir seus melhores trajes country, chapéus e botas. Avaré ganha um movimento extra com a população flutuante de mais de R$ 7,5 milhões com sua economia pulsando cavalo. Tudo com a organização de uma associação que tem o respeito dos proprietários de um plantel superior a 400 mil animais registrados, a ABQM.

 

As últimas ações são de tirar o chapéu e mostram o que é a evolução de uma indústria que, no mundo, movimenta valores superiores a US$ 6 bilhões, entre genética, indústria veterinária, moda, serviços, acessórios, dentistas, profissionais de centenas outras áreas. Com tanta solidez e organização, a ABQM se dá ao luxo de aproveitar o benefício do cavalo para adotar pessoas deficientes mentais e físicas para tratamento de equoterapia, tão em moda e com resultados fantásticos que o cavalo pode proporcionar. Essa filantropia nem precisava de publicidade, mas a preocupação dos quartistas dá ao cavalo a condição de ajudar o próximo.

 

Só em Avaré, parceria com a prefeitura levou a ABQM a cobrir as três pistas que abrigam as 18 modalidades de trabalho e velocidade, impedindo paralisações nas competições por causa de chuvas, como antigamente. Para aumentar o conforto e a segurança, a novidade deste ano foi a importação de máquina niveladora (veja foto abaixo) que rastela, corrige e conserva as pistas para que o tropel dos cavalos em sua busca por tempos ou notas não danifique o solo. Cavaleiros e amazonas podem ganhar confiança numa manobra que o cavalo, fatalmente, vai executar. Pinta a chance de mais disputas acirradas, novos recordes, conquistas.

 

É assim que a gente precisa reverenciar o cavalo. Toda raça é bela, funcional, apaixonante. Mas o Quarto-de-Milha é organizado e numeroso. Não existe final de semana pelo Brasil sem grandes competições volumosas, como as provas de laço no MS ou as vaquejadas no Nordeste. Fora as provas de trabalho (apartação, rédeas e outras) e de velocidade (tambor e baliza, sobretudo) no interior de SP e outros Estados. Cada grande criatório organizando seu evento e atraindo um número cada vez maior de pessoas interessadas em disputar prêmios milionários, carros, motos e status. E tudo isso gera interesse comercial por genética, que é distribuída em mais de 200 leilões anuais, só de Quarto-de-Milha!

 

Executivos e suas famílias esperam com avidez o final de semana para poder trocar a gravata e o salto alto pelo chapéu, espora e botina para montar o seu animal em busca de viver bem. Uma grande paixão e um grande negócio. É por isso que sempre digo que o cavalo, em especial o Quarto-de-Milha, faz bem pra saúde, pro coração, pra mente e pro bolso.

 

Fonte: Daniel De Paula.


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