O impasse entre frigoríficos e pecuaristas afeta o preço do boi gordo nas principais praças. Entenda as cotações, escalas e mercado da carne.
Para Quem Tem Pressa
O preço do boi gordo enfrenta pressão de baixa no mercado nacional devido ao desinteresse de compra de grande parte dos frigoríficos nesta terça-feira (18). Com escalas de abate confortáveis — que atingem até 14 dias —, a indústria reduziu o ritmo de aquisições no mercado spot. Enquanto em Mato Grosso o confinamento aumentou a oferta de lotes bem acabados e manteve as cotações firmes, pecuaristas em São Paulo e no Pará reagem recusando propostas com valores inferiores, travando a liquidez das negociações.
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Por que o impasse no campo está travando o preço do boi gordo?
O mercado pecuário brasileiro viveu momentos de baixa liquidez e nítida queda-de-braço entre agentes do setor nesta terça-feira (18). A menor disposição de compra por parte das indústrias frigoríficas em diversas regiões do país acabou gerando impactos diretos sobre a liquidez e a formação do preço do boi gordo, conforme apontam as análises mais recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Diversas indústrias conseguiram alongar suas programações de abate e já contam com a escala da semana praticamente fechada. Esse cenário reduziu significativamente a necessidade de novos aportes de matérias-primas no mercado spot. Em determinados casos, frigoríficos optaram por diminuir o ritmo diário do processamento ou preferiram completar suas escalas com lotes advindos de contratos pré-estabelecidos, desestimulando a busca por novos animais no mercado aberto.
Dinâmica regional: Oferta de confinamento e oscilações de preços
Embora a demanda global das indústrias tenha demonstrado retração, a movimentação de preços apresentou comportamento bastante heterogêneo entre as praças pecuárias acompanhadas pelo Cepea. A relação de oferta e procura regional ditou o ritmo de cada estado.
Mato Grosso: Liquidação de confinamentos sustenta cotações
Na região de Rondonópolis (MT), observou-se uma melhora expressiva na disponibilidade de animais para abate, impulsionada pelo desfecho e saída de alguns lotes de confinamento. Com essa maior oferta disponível, as escalas de abate das indústrias mato-grossenses avançaram de forma consistente, situando-se entre 4 e 14 dias.
Apesar desse aumento na oferta disponível, os negócios no estado mantiveram-se em patamares firmes, sendo fechados na faixa entre R$ 325,00 e R$ 330,00 por arroba. De acordo com o Cepea, o fator primordial para sustentar o preço do boi gordo em Mato Grosso foi a excelente qualidade e o alto padrão de acabamento dos animais provenientes dos sistemas de terminação em confinamento.
Pará: Ritmo lento e retração nos valores propostos
Em contrapartida, a praça paraense registrou um movimento claro de desvalorização nas cotações. Colaboradores consultados pelo Cepea relataram uma diminuição expressiva na cadência dos abates pelas unidades fabris, somada a um desinteresse geral dos compradores tanto por machos quanto por fêmeas.
As escalas de abate no Pará fecharam posicionadas entre 5 e 10 dias. Diante do apetite comprador mais moderado, as transações comerciais foram firmadas com valores oscilando entre R$ 325,00 e R$ 335,00 por arroba.
Escalas longas em Minas Gerais e braço de ferro em São Paulo
No Triângulo Mineiro, o volume ampliado de animais ofertados também permitiu o alongamento das escalas das indústrias locais, que atingiram a média confortável de 12 dias de programação.
Paralelamente, as negociações envolvendo a arroba do animal em Minas Gerais registraram reajustes pontuais de até R$ 10,00, com os preços praticados entre R$ 325,00 e R$ 335,00 por arroba. No elo da distribuição e comércio de carne, os vendedores relataram certa dificuldade para escoar a produção, embora o consumo atual ainda se mostre suficiente para garantir o giro regular dos estoques sem acúmulo crítico.
Na praça paulista, o ambiente foi marcado por baixíssima liquidez. Os frigoríficos tentaram exercer maior pressão compradora ofertando valores mais baixos. Contudo, muitos pecuaristas optaram por retirar seus lotes das negociações, recusando veementemente as propostas. O resultado imediato desse travamento de braço foi um volume insignificante de negócios efetivados.
Em meio a essas disputas regionais, o preço do boi gordo pelo Indicador Cepea registrou média à vista de R$ 344,80 por arroba. A consistência desse indicador reflete a resiliência do mercado físico mesmo em dias de forte retração compradora.
Enquanto o impasse entre frigoríficos e pecuaristas dita o ritmo da matéria-prima, no mercado atacadista e varejista da carne os preços permaneceram estáveis. Os vendedores consultados reforçam que a demanda no varejo segue dentro do volume esperado para o período do mês, mantendo um ritmo regular e fluido de vendas nos atacados.
Imagem principal: Depositphotos.

