| |

Embarques de celulose crescem 44% em valor; MS consolida-se como maior polo produtor

Compartilhar

Novas fábricas de celulose em Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul ampliam capacidade produtiva e elevam embarques. Veja dados de receita, volume e preços no mercado internacional (janeiro–setembro de 2026).

PARA QUEM TEM PRESSA

  • As exportações brasileiras de celulose somaram US$ 7,1 bilhões em receita de janeiro a agosto de 2026, ocupando a 7ª posição entre os produtos mais vendidos ao exterior.
  • O valor embarcado apresentou crescimento de 44% na comparação com igual período de 2025.
  • Mato Grosso do Sul responde por aproximadamente 30% da produção nacional e terá capacidade ampliada com a entrada em operação de novas plantas a partir de 2027.
  • O preço da celulose de fibra curta (BHKP) no mercado chinês recuperou-se para US$ 572–585 por tonelada em setembro/outubro de 2026.
  • A expansão florestal pode ocupar áreas de pastagem degradada, mas o ciclo produtivo da madeira (6 a 7 anos) exige planejamento de longo prazo distinto das safras anuais.

Facebook Portal Agron, nosso canal do Whatsapp Portal Agron, o Grupo do Whatsapp Portal Agron, e Telegram Portal Agron mantém você atualizado com as melhores matérias sobre o agronegócio brasileiro.

celulose

Acompanhe as cotações de soja, milho, boi gordo, vaca gorda, novilha gorda e boi China


Com plantas em MS e RS, celulose avança nas exportações e ganha espaço entre os principais produtos do Brasil

As exportações brasileiras de celulose ganharam fôlego em 2026, impulsionadas pelo início de operação de novas unidades industriais e pela recuperação parcial dos preços internacionais. Dados do MDIC/Comex Stat apontam que o produto já figura entre os principais da pauta externa do País, enquanto Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul recebem investimentos bilionários que devem reposicionar o Brasil no mercado global de fibra curta nos próximos anos.


Crescimento nas exportações

No acumulado de janeiro a agosto de 2026, a receita cambial gerada pela celulose atingiu US$ 7,1 bilhões, com participação de 2,8% no total exportado pelo Brasil, ocupando a 7ª posição no ranking de produtos. Em comparação com o mesmo período de 2025, o valor médio mensal embarcado cresceu 44%, conforme dados consolidados da balança comercial.

O preço médio por tonelada embarcada atingiu US$ 554 em agosto de 2026, alta de 33,8% na comparação anual, enquanto o volume total exportado no mês foi de 1,6 milhão de toneladas. A China segue como principal destino, respondendo por cerca de 46% do volume embarcado pelo Brasil.


Novas plantas ampliam capacidade produtiva

O impulso mais expressivo vem de Mato Grosso do Sul, onde a Suzano já colocou em operação, em 2024, a planta de Ribas do Rio Pardo — considerada a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, com capacidade de 2,55 milhões de toneladas por ano.

A etapa seguinte está em construção:

  • Projeto Sucuriú (Arauco, Inocência/MS): investimento de US$ 4,6 bilhões, capacidade de 3,5 milhões de toneladas/ano, previsão de início no 3º trimestre de 2027.
  • Projeto CMPC (Rio Grande do Sul, Barra do Ribeiro): capacidade de 2,5 milhões de toneladas/ano, em fase de implantação.

Com a entrada em operação da unidade da Arauco, a capacidade instalada de Mato Grosso do Sul deve saltar de 7,6 milhões para 11,1 milhões de toneladas anuais, consolidando o Estado como o principal polo produtor do País.


Preços no mercado internacional

O preço da celulose de fibra curta branqueada (BHKP) no mercado chinês apresentou recuperação gradual no segundo semestre:

  • Setembro de 2026: US$ 572–585 por tonelada (spot/futuros)
  • Outubro de 2026: projeção de elevação para cerca de US$ 600/t, com recomposição de estoques antecipada pelo aumento sazonal da demanda

Ainda assim, os valores permanecem abaixo dos patamares registrados em 2024, reflexo da ampliação da capacidade produtiva global e da instalação de unidades na própria China.


Expansão florestal e uso do solo

A expansão dos maciços de eucalipto e pinus tem como um dos caminhos preferenciais a recuperação de áreas de pastagem degradada, viabilizando sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e gerando renda de longo prazo. É importante destacar que o ciclo de corte e maturação da floresta varia entre 6 e 7 anos, o que diferencia o planejamento do setor florestal dos ciclos anuais de grãos como soja e milho. A análise de desempenho não deve, portanto, utilizar a mesma métrica de curto prazo aplicada às culturas de safra.


Fechamento

A celulose se consolida como um dos produtos mais dinâmicos da pauta exportadora brasileira. Com a entrada em operação de novas plantas até 2028, o Brasil deve ampliar sua posição entre os maiores fornecedores globais de fibra curta. A sustentação dos preços dependerá, contudo, do ritmo de crescimento da demanda internacional frente à nova capacidade produtiva que passa a atuar no mercado.


Fontes

  • MDIC / Comex Stat — Balança Comercial Mensal (dados até 08/2026, atualizado em 04/09/2026)
  • MDIC / B2Gether — Ranking de exportações, jan–ago/2026
  • BTG Pactual — Relatório de commodities, agosto/2026
  • Arauco — Andamento do Projeto Sucuriú, MS
  • SEMADESC/MS — Projetos de celulose no Estado
  • XP Investimentos / CCFGroup — Preços de celulose no mercado chinês, set/out 2026
  • Fiems / Conexão MT — Dados de exportação de celulose em MS
  • Imagem principal: Depositphotos


Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *