| |

Feijão: Área estagna e soja avança — o que muda no mercado de pulses e oferta para 2026/27

Compartilhar

Conab projeta produção de 2,93 mi de t de feijão em 2026/27. Soja e milho avançam em área; exportações de feijão-mungo e caupi crescem. Confira os números.

PARA QUEM TEM PRESSA

  • 📉 Produção total de feijão projetada em 2,93 milhões de toneladas para 2026/27, queda de 0,7% ante 2025/26 (Conab)
  • 🌱 Área semeada fica estável: 2,55 milhões de hectares (+0,2%), enquanto soja avança 1,4% (49,3 mi ha) e milho 3,5% no total nacional
  • 📊 Segunda safra de feijão é a única com retração de área (-1,9%), indicando substituição por soja e milho
  • 🚢 Exportações de feijão atingiram 256,2 mil toneladas entre jan–jul/2026 (+17,2%); feijão-mungo lidera embarques para Índia e Ásia
  • ⚠️ Demanda interna estimada em 2,7 milhões de toneladas — oferta deve cobrir consumo, mas concentração da exportação em variedades não consumidas internamente exige atenção

Facebook Portal Agron, nosso canal do Whatsapp Portal Agron, o Grupo do Whatsapp Portal Agron, e Telegram Portal Agron mantém você atualizado com as melhores matérias sobre o agronegócio brasileiro.

soja

Acompanhe as cotações de soja, milho, boi gordo, vaca gorda, novilha gorda e boi China


Concorrência por área: Feijão perde espaço para soja e milho no Sul e Sudeste; veja projeções

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou em setembro de 2026 as projeções iniciais para a safra 2026/27. Os números revelam um cenário de estagnação para o feijão: a área semeada praticamente não cresce, enquanto soja e milho seguem ampliando espaço no campo brasileiro — especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Paralelamente, o mercado de pulses (feijão-mungo, caupi, grão-de-bico) segue em franca expansão exportadora, com destaque para Índia e países asiáticos como destinos principais.

A dinâmica levanta uma questão central: a migração de áreas tradicionais do feijão para commodities de exportação pode impactar a oferta interna e os preços ao consumidor?


Concorrência por área: Feijão cede espaço para soja e milho

A projeção da Conab indica que, enquanto a safra brasileira de grãos como um todo deve atingir recorde de 366,6 milhões de toneladas (+1,4%), o feijão não acompanha esse ritmo.

CulturaÁrea 2026/27 (milhões ha)Variação de áreaProdução projetada
Soja49,31+1,4%181,64 mi t
Milho—+3,5%148,0 mi t
Feijão (total)2,55+0,2%2,93 mi t

Fonte: Conab — Perspectivas para a Agropecuária, set/2026

O recuo concentrado na segunda safra de feijão (-1,9% na área) é especialmente revelador: é exatamente nesse período que a soja e o milho ocupam as mesmas regiões do Sul e Sudeste, oferecendo retorno financeiro mais previsível e mercado consolidado.

No Paraná, por exemplo, a primeira safra de feijão ainda deve crescer 8,4% em área, mas a segunda — mais exposta à concorrência direta — é onde a pressão costuma se manifestar com mais força nos próximos levantamentos.


Produção de feijão: Estabilidade aparente, mas riscos climáticos

A produção total de feijão está estimada em 2,93 milhões de toneladas para 2026/27, recuo de 0,7% em relação às 2,95 milhões de toneladas da safra anterior. O pequeno aumento de área (+0,2%) não compensa a queda esperada de produtividade (-0,9%), influenciada por riscos climáticos associados ao El Niño.

A Conab estima a demanda interna em 2,7 milhões de toneladas, volume que deve ser atendido pela produção nacional. Contudo, a oferta é fortemente segmentada por tipo comercial:

  • Feijão-carioca e Preto: predominam no mercado interno, sensíveis à disponibilidade de área nas regiões Sudeste e Sul
  • Feijão-caupi: concentrado no Nordeste, com crescente participação nas exportações
  • Pulses (mungo, grão-de-bico, guandu): voltados majoritariamente ao mercado externo

“Aumento das exportações não significa que todo o volume retirado do país seja equivalente ao feijão-carioca consumido pelos brasileiros.” — CompreRural, com dados Comex Stat


Mercado de pulses: Exportações em alta para Ásia

O Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (IBRAFE) confirma que as vendas externas seguem em expansão:

  • Jan–jul/2026: 256,2 mil toneladas embarcadas (+17,2% sobre igual período de 2025), receita de US$ 200,66 milhões
  • 2025: recorde de 533,2 mil toneladas exportadas
  • Projeção IBRAFE para 2026: cerca de 420 mil toneladas (podendo variar conforme compras da Índia)
  • Principais destinos: Índia (cerca de 60% do volume em 2025), China, Vietnã e Turquia
  • Destaque: feijão-mungo preto, que em pouco tempo alcançou 171 mil toneladas embarcadas

O Nordeste emerge como polo exportador: entre jan–jul/2026, a região embarcou 17,5 mil toneladas (+31,9%), com o Maranhão respondendo por 75% do volume regional.


Custo e rentabilidade: Por que a soja atrai mais produtores?

Embora não existam dados consolidados de custo de produção do feijão-carioca disponíveis para comparação direta nesta pesquisa, os números de referência ilustram a diferença de escala e risco:

IndicadorSoja (safra 2026/27 — MS)Feijão Carioca (dados não consolidados)
Custo totalR$ 5.024,82/haSem dado consolidado disponível
Produtividade referência52,4 sc/ha—
Ciclo± 5–6 meses± 3–4 meses
Risco de preçoMercado futuro consolidado (CME/B3)Varejo, menor liquidez
Risco climáticoMenor (ciclo mais longo, flexibilidade de plantio)Maior (ciclo curto, sensível a chuvas irregulares)

Nota: valores de custo do feijão-carioca não foram encontrados em fonte confiável para a presente data — ver Relatório.

A soja oferece mercado futuro líquido, hedge acessível e logística estruturada. O feijão, mesmo com margem unitária atraente em momentos de preço alto, convive com volatilidade mais acentuada e canais de comercialização fragmentados.


Conclusão

A projeção da Conab para 2026/27 mostra que o Brasil mantém oferta suficiente de feijão para o consumo interno, mas a estabilidade de volume esconde uma mudança estrutural: áreas tradicionais de feijão-carioca e preto cedem espaço a soja e milho, enquanto a expansão produtiva concentra-se em variedades voltadas à exportação. Enquanto as vendas externas de pulses crescem — especialmente para Índia e Ásia —, o abastecimento doméstico depende cada vez mais de manutenção de área em regiões específicas e de estabilidade climática. Qualquer choque de produção no feijão-carioca ou preto pode gerar impacto direto nos preços ao consumidor, sem que o volume exportado de outras variedades compense no mercado interno.


Fontes

  • Conab — Perspectivas para a Agropecuária, 14ª edição, set/2026
  • IBRAFE — Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses
  • Comex Stat / MDIC — dados de exportação, jan–jul/2026
  • Aprosoja/MS — Custo de Produção da Soja 2026/27
  • Imagem principal: Depositphotos


Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *