Como a coruja-buraqueira vive em grupo
No meio do campo seco ou nas margens de estradas de terra, um par de olhos dourados observa em silêncio. A coruja-buraqueira, com seu porte pequeno e postura ereta, guarda segredos que desafiam o estereótipo de aves solitárias e noturnas. Ao contrário de outras corujas, ela vive em grupo, tem hábitos diurnos e emite sons que mais lembram o miado de um gato do que o tradicional pio noturno. É uma ave social, vocal e surpreendente — e talvez você nunca tenha notado que ela está mais próxima do que imagina.
Diferente da maioria das corujas, a coruja-buraqueira (Athene cunicularia) é gregária. Ou seja, ela vive em pequenos grupos, muitas vezes compostos por casais e suas ninhadas, que compartilham o mesmo território ou até mesmo buracos vizinhos. Esses buracos, geralmente escavados por tatus ou outros animais, são reciclados por elas para abrigar seus ninhos.
A organização social dessas aves é curiosamente cooperativa. Mesmo que cada casal mantenha seu próprio ninho, é comum que indivíduos fiquem em vigília por toda a colônia, alertando os demais sobre possíveis predadores. Esses avisos são feitos por meio de sons e posturas corporais — um verdadeiro sistema de alarme comunitário.
A coruja-buraqueira possui um repertório vocal amplo e surpreendente. Ela não se limita a piar: emite assobios, gritos curtos, estalos e até sons que se assemelham a latidos ou miados. Cada vocalização possui um propósito — seja para atrair o parceiro, acalmar os filhotes ou afastar ameaças.
Durante a estação reprodutiva, por exemplo, os machos emitem um som grave e repetitivo para marcar território e atrair as fêmeas. Já os filhotes produzem um som agudo parecido com o chiado de uma cobra — uma estratégia evolutiva para assustar predadores. Essa capacidade de “imitar” um som perigoso mostra o quanto a comunicação dessas aves está alinhada com a sobrevivência.
A coruja-buraqueira é encontrada em praticamente todo o território brasileiro, sendo mais comum em áreas abertas como pastos, campos, terrenos baldios e até em jardins urbanos. Por ter hábitos diurnos, ela pode ser facilmente observada em pé, na entrada do buraco, com seu olhar atento.
Elas são especialmente ativas ao amanhecer e no final da tarde. É nesse horário que se comunicam com mais frequência, com sons que podem ser ouvidos mesmo a vários metros de distância. Ao se sentir ameaçada, ela estufa o corpo, bate os pés no chão e solta sons curtos e agressivos — uma verdadeira performance para proteger sua comunidade.
Adaptável, a coruja-buraqueira aprendeu a conviver com o homem. Hoje é comum vê-la em canteiros centrais de avenidas, campos de futebol abandonados e até cemitérios. No entanto, essa proximidade traz riscos: atropelamentos, envenenamento por pesticidas e destruição de seus ninhos por obras são ameaças constantes.
Ainda assim, sua resiliência é admirável. Algumas cidades brasileiras já reconhecem sua importância e criaram projetos de proteção, instalando placas de alerta, preservando ninhos e promovendo educação ambiental sobre a espécie.
Embora a coruja seja, em geral, associada à sabedoria, a coruja-buraqueira ganhou um apelo mais simpático e popular. Seu olhar expressivo, postura alerta e convivência em grupo conquistaram o carinho de quem tem contato com ela. Muitas pessoas se surpreendem ao descobrir que aquela ave está ali, há anos, em um mesmo campo ou terreno vazio — quase como uma vizinha silenciosa, porém vigilante.
Em regiões como o Cerrado, ela se tornou até mascote não oficial de praças e comunidades. E em redes sociais, vídeos com os filhotes “chiando” como cobras viralizam, mostrando o quanto a natureza ainda tem o poder de encantar.
A presença da coruja-buraqueira é sinal de um ecossistema equilibrado. Ela controla populações de insetos, roedores e pequenos répteis, mantendo a biodiversidade em áreas urbanas e rurais. Proteger essa espécie é garantir que esse elo natural continue atuando silenciosamente — mas com muitos sons — em benefício do equilíbrio ecológico.
Se você encontrar uma coruja-buraqueira próxima à sua casa, observe com respeito. Não tente se aproximar demais, evite barulhos ou movimentos bruscos e jamais destrua seus buracos. Lembre-se: ela está ali por escolha e porque encontrou um lugar seguro, algo cada vez mais raro em um mundo de concreto.
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