pastagem
Combater a macambira é uma das principais preocupações dos pecuaristas que enfrentam a degradação de pastagens. A planta invasora forma barreiras espinhosas que reduzem a área de pastejo, causam lesões no gado e podem diminuir a produção de forragem em até 60%. Especialistas alertam que a simples roçada não resolve o problema, já que a espécie apresenta alta capacidade de rebrota. O controle químico direcionado, aliado ao manejo adequado das pastagens, é atualmente a estratégia mais eficiente para eliminar a planta até a raiz e evitar novas infestações.
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A degradação das pastagens brasileiras ganhou um novo desafio nos últimos anos com o avanço de espécies altamente adaptadas às condições de seca prolongada. Entre elas, a Encholirium spectabile, conhecida popularmente como macambira, tem chamado a atenção de produtores, técnicos e consultores devido ao seu elevado potencial de infestação.
A necessidade de combater a macambira tornou-se estratégica para propriedades que buscam preservar a produtividade, manter a capacidade de suporte dos rebanhos e reduzir custos operacionais.
A espécie pertence à família das bromélias e apresenta folhas rígidas, serrilhadas e cobertas por espinhos cortantes. Sua estrutura robusta permite elevada resistência aos períodos de estresse hídrico, favorecendo sua expansão principalmente em áreas degradadas ou mal manejadas.
O principal problema causado pela invasora não está apenas na competição por água e nutrientes.
A macambira cria verdadeiras barreiras físicas dentro dos piquetes. Suas touceiras densas ocupam espaços importantes da área produtiva e dificultam o acesso dos animais ao capim disponível.
À medida que a infestação avança, ocorre o sufocamento das gramíneas forrageiras e a redução da oferta de alimento de qualidade para o rebanho.
Dados levantados pela Embrapa Semiárido indicam que infestações severas de plantas invasoras adaptadas à seca podem provocar redução de até 60% na produção de forragem.
Na prática, isso significa menos capacidade de suporte por hectare, menor taxa de lotação e aumento dos custos com suplementação alimentar.
Por isso, combater a macambira rapidamente pode representar a diferença entre uma fazenda rentável e uma operação com margens cada vez menores.
Além das perdas relacionadas ao pasto, a planta oferece riscos físicos significativos aos animais.
Ao se aproximarem das touceiras em busca de alimento, bovinos podem sofrer cortes no focinho, lesões nos olhos e ferimentos nos cascos.
Essas lesões frequentemente evoluem para infecções bacterianas e miíases, popularmente conhecidas como bicheiras.
O resultado inclui gastos com medicamentos, queda no desempenho produtivo, perda de peso por estresse e, em situações mais graves, descarte precoce de matrizes e animais jovens.
Muitos pecuaristas ainda recorrem à limpeza mecânica como principal alternativa para controlar a infestação.
Embora a prática produza um efeito visual imediato, especialistas alertam que ela raramente entrega resultados duradouros.
Segundo o engenheiro agrônomo e consultor de pastagens Wagner Pires, em orientação divulgada pelo portal Giro do Boi, insistir apenas na roçada equivale a gastar recursos continuamente sem eliminar a causa do problema.
O motivo é simples.
A macambira possui grande capacidade de armazenamento de reservas em sua coroa e sistema radicular. Quando a parte aérea é cortada, a planta utiliza essas reservas para rebrotar rapidamente.
Por essa razão, combater a macambira exclusivamente com métodos mecânicos costuma gerar um ciclo contínuo de gastos e retrabalho.
Outra prática ainda observada em algumas regiões é a utilização do fogo para eliminar a vegetação invasora.
Além de reduzir a matéria orgânica do solo e prejudicar sua estrutura física, o fogo pode estimular a germinação de sementes presentes no banco de sementes da própria invasora.
O resultado é exatamente o oposto do desejado: aumento da infestação ao longo do tempo.
Especialistas apontam que o controle químico direcionado é atualmente a ferramenta mais eficiente para erradicar a planta.
O desafio está na própria estrutura da espécie.
Suas folhas apresentam uma camada espessa de cera que funciona como uma proteção natural contra a absorção de produtos aplicados superficialmente.
Por isso, combater a macambira exige a utilização de herbicidas sistêmicos associados a adjuvantes de alta performance.
Os adjuvantes reduzem a tensão superficial da água e facilitam a penetração do ingrediente ativo através da barreira cerosa.
Após a absorção, o produto circula pelos vasos da planta até atingir a raiz, promovendo sua eliminação completa.
Princípios ativos:
Diferencial:
Excelente velocidade de absorção e elevada translocação em plantas com tecidos mais rígidos.
Princípios ativos:
Diferencial:
Controle prolongado e ação complementar sobre sementes presentes no solo.
Princípios ativos:
Diferencial:
Ótimo custo-benefício para áreas com focos localizados e bem delimitados.
A aplicação deve ocorrer preferencialmente durante o pleno desenvolvimento vegetativo da planta e em condições de boa umidade do solo.
Nessas condições, a circulação de seiva é mais intensa, aumentando a eficiência do tratamento.
Eliminar a invasora é apenas parte da solução.
Para evitar seu retorno, é necessário investir em práticas que mantenham a pastagem vigorosa e competitiva.
A macambira é considerada uma espécie fotoblástica positiva. Isso significa que suas sementes necessitam de luz direta para germinar.
Quando há clareiras ou áreas de solo descoberto, as condições tornam-se ideais para o estabelecimento de novas plantas.
Por isso, combater a macambira também passa pela adoção de um manejo eficiente das forrageiras.
Entre as principais recomendações técnicas estão:
Uma pastagem bem manejada exerce competição natural por luz, água e espaço, dificultando a germinação e o desenvolvimento de novas mudas da invasora.
A expansão da macambira representa uma ameaça crescente para a pecuária brasileira. Além de reduzir significativamente a produção de forragem, a planta compromete o bem-estar animal e eleva os custos de produção.
Os especialistas são unânimes ao afirmar que combater a macambira exige uma abordagem integrada, combinando controle químico eficiente com práticas adequadas de manejo cultural.
Produtores que atuam precocemente conseguem recuperar áreas produtivas, preservar a capacidade de suporte dos rebanhos e garantir maior rentabilidade ao longo dos anos.
Imagem principal: Depositphotos.
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