Ganho de peso bovino
A Recria de Precisão está se consolidando como uma das estratégias mais lucrativas da pecuária de corte brasileira. Ao combinar nutrição intensiva, manejo sanitário rigoroso, pastagens de alta qualidade e tecnologias como a Recria Intensiva a Pasto (RIP), produtores conseguem adicionar até três arrobas extras na carcaça. Na prática, isso pode representar até R$ 210 adicionais por animal, além de reduzir o tempo necessário para o abate e melhorar a eficiência de todo o sistema produtivo.
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A busca por maior rentabilidade na pecuária de corte brasileira tem elevado os padrões produtivos em diversas regiões do país. Resultados que antes eram considerados excepcionais agora passam a ser metas cada vez mais comuns entre propriedades tecnificadas.
Atualmente, machos abatidos entre 22 e 25 arrobas (@) e fêmeas Nelore ultrapassando 20 arrobas já figuram entre os objetivos de muitos sistemas intensivos. Entretanto, transformar potencial genético em carne comercializável exige muito mais do que uma boa terminação.
Segundo especialistas do setor, o principal diferencial está na adoção da Recria de Precisão, estratégia que conecta uma desmama eficiente a um acabamento de alto rendimento.
A Recria de Precisão consiste em um modelo de manejo focado no desenvolvimento estrutural do bovino durante sua fase de crescimento.
Diferentemente dos sistemas tradicionais, nos quais a recria muitas vezes recebe apenas manejo de manutenção, a proposta é investir de forma estratégica no desenvolvimento muscular e esquelético do animal.
O objetivo é preparar o bovino para suportar elevados ganhos de peso na fase final de engorda sem comprometer sua eficiência produtiva.
Esse conceito vem ganhando força porque permite explorar melhor o potencial genético do rebanho e aumentar significativamente o rendimento da carcaça.
Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte destacam que a intensificação nutricional durante a recria reduz a necessidade de prolongar o ciclo produtivo.
Quando o animal recebe nutrição adequada desde jovem, ele chega à terminação mais preparado para converter alimento em ganho de peso.
Isso significa maior eficiência alimentar, menor permanência em confinamento ou semiconfinamento e melhor aproveitamento econômico da operação.
Em outras palavras, investir cedo costuma custar menos do que tentar corrigir problemas no final do ciclo.
Um dos problemas mais frequentes observados por consultores de campo ocorre quando o pecuarista compra animais de reposição entre 14 e 15 arrobas esperando atingir 24 arrobas no abate.
Na prática, muitos desses lotes estacionam entre 21 e 22 arrobas, mesmo recebendo dietas adequadas na terminação.
O motivo geralmente não está no confinamento.
O problema costuma ter origem em uma Recria de Precisão inexistente ou mal executada.
Animais que passaram por restrições nutricionais severas durante o crescimento apresentam menor desenvolvimento muscular e estrutural. Como consequência, atingem a maturidade fisiológica mais cedo e encontram limitações para continuar depositando peso na carcaça.
O impacto não ocorre apenas com machos.
Produtores que trabalham com programas de carne premium frequentemente compram novilhas entre 9 e 11 arrobas buscando atender exigências industriais superiores a 14 arrobas.
Quando essas fêmeas não desenvolveram uma estrutura corporal adequada durante a recria, elas passam a exigir longos períodos de cocho para atingir o acabamento desejado.
O resultado é uma elevação expressiva no custo da arroba produzida, comprometendo a rentabilidade do sistema.
O sucesso da Recria de Precisão depende da integração entre nutrição, sanidade e manejo das pastagens.
Especialistas recomendam quatro pilares fundamentais.
O ideal é trabalhar com bezerros desmamados entre 200 kg e 230 kg de peso vivo.
Esse desempenho cria uma base sólida para ganhos posteriores.
A suplementação proteico-energética durante a primeira seca evita o chamado efeito sanfona.
Esse fenômeno ocorre quando o animal perde na estiagem o peso conquistado durante o período das águas.
Pastagens de alta qualidade, associadas ao manejo correto do pastejo, garantem melhor aproveitamento dos nutrientes disponíveis.
A estratégia favorece ganhos constantes ao longo do ano.
A Recria Intensiva a Pasto (RIP) tornou-se uma das principais ferramentas da pecuária moderna.
Nesse sistema, o fornecimento de ração concentrada ocorre diretamente no pasto, normalmente entre 0,5% e 1% do peso vivo do animal.
A tecnologia acelera o ganho médio diário (GMD), reduz o ciclo produtivo e melhora a eficiência econômica da atividade.
Os resultados financeiros ajudam a explicar o crescimento da adoção dessa tecnologia.
Monitoramentos realizados em sistemas intensivos mostram que um animal corretamente desenvolvido pode gerar aproximadamente R$ 70 de lucro adicional por arroba depositada na carcaça.
Incremento na carcaça e retorno financeiro
Segundo analistas da Scot Consultoria, esse ganho impacta diretamente a margem líquida das propriedades.
Em operações de grande escala, acrescentar três arrobas por carcaça pode representar a diferença entre apenas cobrir custos e alcançar níveis superiores de rentabilidade.
Embora a pecuária brasileira tenha avançado significativamente nas últimas décadas, especialistas apontam que ainda existe amplo potencial de crescimento.
Nos Estados Unidos, por exemplo, sistemas intensivos trabalham rotineiramente com carcaças entre 400 kg e 450 kg, equivalentes a aproximadamente 30 arrobas.
Já no Brasil, os sistemas mais avançados normalmente atingem entre 24 e 25 arrobas.
Reduzir essa diferença passa necessariamente pela intensificação tecnológica e pela adoção da Recria de Precisão como ferramenta estratégica dentro das fazendas.
A Recria de Precisão deixou de ser apenas uma recomendação técnica para se tornar uma necessidade econômica. Com planejamento nutricional adequado, suplementação estratégica, manejo eficiente das pastagens e utilização da RIP, o produtor consegue acelerar o crescimento do rebanho, aumentar o peso da carcaça e reduzir o tempo até o abate.
Em um cenário de margens cada vez mais apertadas, ganhar duas ou três arrobas adicionais por animal pode ser exatamente o diferencial que coloca mais dinheiro no bolso do pecuarista e eleva o desempenho financeiro de toda a operação.
Imagem principal: Depositphotos.
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