Embrapa e USDA obtêm patente para produção e estabilização de blastósporos usados no controle biológico

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Para Quem Tem Pressa

  • O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu à Embrapa e ao Serviço de Pesquisa Agrícola dos Estados Unidos (USDA/ARS) a patente BR 112016006613-8 para produção e estabilização de blastósporos fúngicos.
  • A tecnologia utiliza fermentação líquida para multiplicar os fungos entomopatogênicos Beauveria bassiana e Cordyceps javanica, reduzindo o tempo de produção frente aos métodos convencionais em substrato sólido.
  • O processo supera o gargalo histórico de dessecação dos blastósporos: as células mantêm viabilidade entre 71% e 79% após desidratação e mais de 60% após seis meses a 28 °C.
  • Em ensaios contra ninfas de mosca-branca, os blastósporos exigiram concentração quatro vezes menor para eliminar 50% dos insetos em comparação com os conídios aéreos convencionais.

A transformação de fungos benéficos em produtos comerciais de controle biológico acaba de ganhar um respaldo técnico e jurídico estratégico no Brasil. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e ao Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA/ARS) a patente para uma tecnologia focada na produção, estabilização e aplicação de blastósporos fúngicos voltados ao manejo de pragas agrícolas.

Embrapa e USDA obtêm patente para produção e estabilização de blastósporos usados no controle biológico

A carta-patente BR 112016006613-8, intitulada “Métodos para a Produção, Estabilização e Uso de Blastósporos Fúngicos”, tem validade de 20 anos a contar de 11 de setembro de 2015, data de seu depósito original, tendo sido expedida no fim de agosto de 2026. Entre os inventores da tecnologia está o pesquisador Gabriel Mascarin, da Embrapa Meio Ambiente, situada em Jaguariúna (SP).

A inovação resolve uma limitação histórica da indústria de biológicos: como produzir grandes volumes de células fúngicas em menor tempo e mantê-las vivas e eficazes após a secagem e durante a estocagem nas prateleiras.

Fermentação líquida acelera processo produtivo

No mercado tradicional de bioinseticidas, a multiplicação de conídios de fungos entomopatogênicos costuma ser conduzida sobre substratos sólidos, como grãos de arroz. Esse método tradicional demanda semanas para ser concluído, exige mão de obra intensiva e apresenta maior vulnerabilidade a contaminações.

O método protegido pela patente adota a fermentação líquida para cultivar estruturas vegetativas semelhantes a leveduras, conhecidas como blastósporos, das espécies Beauveria bassiana e Cordyceps javanica. Embora sejam gerados mais rapidamente em meio líquido, os blastósporos sempre apresentaram grande fragilidade diante da perda de umidade, o que restringia o aproveitamento em escala industrial.

Para contornar o problema, os pesquisadores estabeleceram parâmetros específicos de cultivo. O meio combina alta aeração, pressão osmótica superior a 0,5 MPa e concentrações ajustadas de carbono e nitrogênio — com ao menos 6% de fontes de carbono (como glicose) e 1,5% de nitrogênio, que pode provir de subprodutos agroindustriais como farelo de algodão ou caseína hidrolisada.

Nas linhagens avaliadas de B. bassiana, a combinação de aeração com mais de 15 gramas por litro de nitrogênio, 60 gramas ou mais por litro de carbono e pressão osmótica controlada permitiu atingir rendimentos elevados em prazos mais curtos do que os observados em processos anteriores.

Resistência à dessecação e estabilidade em prateleira

O diferencial do método está no comportamento das células após a perda de água. Ao submeter os blastósporos a processos de desidratação até índices de umidade inferiores a 4%, linhagens como ESALQ1432 e ESALQ447 de B. bassiana mantiveram viabilidade entre 71% e 79% após a reidratação quando cultivadas com farelo de algodão.

A patente detalha diferentes métodos para a etapa de desidratação, englobando secagem por corrente de ar, vácuo, leito fluidizado e atomização (spray drying), além do uso de agentes estabilizantes para assegurar ressuspensão e fluidez adequadas.

Quando armazenadas em recipientes herméticos com absorvedores de oxigênio e umidade, as formulações conservaram mais de 60% dos blastósporos viáveis por mais de seis meses à temperatura ambiente de 28 °C. Conforme as condições de envase e a composição utilizada, as formulações descritas podem preservar a eficácia inseticida por períodos que variam de algumas semanas até dois anos.

Maior virulência contra pragas

Além de acelerar o cultivo, a elevação da pressão osmótica alterou a morfologia das células. Em vez do formato alongado característico de condições convencionais, os blastósporos tornaram-se menores e esféricos, formato que a patente associa a uma virulência superior contra os alvos biológicos.

Em bioensaios laboratoriais conduzidos com ninfas de segundo ínstar de mosca-branca, os blastósporos de B. bassiana apresentaram desempenho superior ao dos conídios aéreos: foi necessária uma concentração quatro vezes menor de blastósporos para provocar a morte de 50% dos insetos em relação ao volume exigido de conídios convencionais.

O espectro de ação indicado pela tecnologia engloba outros artrópodes de impacto econômico relevante, tais como pulgões, tripes, lagartas, besouros, cigarrinhas, cupins e ácaros, permitindo aplicações foliares na parte aérea, em substratos de cultivo ou diretamente no solo.

Com a concessão da patente pelo INPI, a tecnologia passa a contar com proteção de propriedade intelectual no Brasil. Isso permite que a Embrapa e o USDA/ARS avancem em estratégias de licenciamento e transferência da tecnologia. A patente, porém, não equivale à aprovação regulatória de um produto comercial específico.

fonte/crédito: Imagem destacada ilustrativa gerada por IA.

Embrapa — patente para produção e estabilização de fungos entomopatogênicos — https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/148175727/patente-reconhece-tecnologia-da-embrapa-que-produz-e-estabiliza-fungos-para-controle-de-pragas


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