Soja em Mato Grosso do Sul: Prejuízo milionário em 640 mil hectares
A estiagem severa castiga a soja em Mato Grosso do Sul, atingindo 640 mil hectares. Veja as cidades mais afetadas e as projeções da Aprosoja para a safra.
Para Quem Tem Pressa
A produção de soja em Mato Grosso do Sul enfrenta um desafio crítico: mais de 640 mil hectares foram atingidos por veranicos severos superiores a 20 dias. O sul do estado é a região mais castigada, especialmente cidades como Dourados e Ponta Porã. Embora a área plantada tenha crescido 5,9%, a falta de chuva e o calor excessivo acenderam o alerta para a produtividade da safra 2025/2026.
A instabilidade climática decidiu testar a paciência (e o bolso) do produtor rural. Um levantamento detalhado da Aprosoja/MS, divulgado nesta sexta-feira (13), revela que a soja em Mato Grosso do Sul atravessa um momento de tensão hídrica. Mais de 640 mil hectares já sentem os efeitos de veranicos que ultrapassaram a marca dos 20 dias consecutivos sem uma gota de chuva significativa.
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O Mapa da Estiagem: O Sul sob Pressão
Se o clima fosse um convidado de festa, o veranico seria aquele que chega sem avisar, acaba com o estoque e ainda aumenta a temperatura do ambiente. A região sul do estado é, até agora, a que mais sofre com essa visita indesejada.
O boletim técnico aponta que a combinação explosiva de falta de umidade e termômetros nas alturas comprometeu o desenvolvimento das plantas em fases cruciais. A situação da soja em Mato Grosso do Sul mudou drasticamente em pouco tempo: em dezembro de 2025, 75% das lavouras gozavam de ótima saúde; em janeiro, o cenário tornou-se cinzento — ou melhor, seco.
Os municípios que lideram o ranking de preocupação são:
- Dourados
- Ponta Porã
- Maracaju
- Amambai
Nestes locais, a soja em Mato Grosso do Sul enfrentou o calor no momento em que mais precisava de fôlego para crescer, o que eleva exponencialmente o risco de queda na produtividade final.
Expansão vs Clima: A Queda de Braço
Curiosamente, a soja em Mato Grosso do Sul vive um paradoxo. Enquanto o clima castiga, a área de cultivo não para de avançar. O estado registrou um crescimento de 5,9% na área plantada em comparação à safra anterior, totalizando 4,794 milhões de hectares. É como se o setor estivesse comprando um terreno maior, mas dependesse de um síndico (o clima) pouco colaborativo para terminar a obra.
A expectativa de produtividade média está fixada em 52,82 sacas por hectare. Se o céu colaborar nas próximas semanas, a produção estadual de soja em Mato Grosso do Sul pode atingir a marca histórica de 15,195 milhões de toneladas. No entanto, o “se” nunca foi tão importante para o agronegócio sul-mato-grossense quanto agora.
Perspectivas para o Produtor
O monitoramento de campo realizado na última semana de janeiro deixou claro que o otimismo de dezembro ficou para trás. O produtor de soja em Mato Grosso do Sul agora joga na defensiva, observando as previsões meteorológicas com a mesma atenção de quem assiste a uma final de campeonato.
A resiliência da soja em Mato Grosso do Sul será testada até o último grão colhido. O resultado final dessa safra 2025/2026 ainda é uma página em branco que o clima insiste em tentar rasgar.
Conclusão: O Equilíbrio entre a Expansão e a Incerteza
O cenário da soja em Mato Grosso do Sul para a safra 2025/2026 é um retrato fiel da resiliência do campo brasileiro. Por um lado, temos o vigor do setor, que expandiu sua área plantada em quase 6%, provando que o estado continua sendo uma potência agrícola imparável. Por outro, a natureza impõe sua soberania: os mais de 640 mil hectares castigados pela seca servem como um lembrete severo de que a tecnologia e o investimento ainda dependem da “janela do céu”.
Embora os números de produção total ainda sejam expressivos, a quebra localizada no sul do estado — o coração produtivo de MS — deixa uma lição clara sobre a importância do monitoramento constante e do seguro agrícola. O sucesso da soja em Mato Grosso do Sul nas próximas semanas não será medido apenas pelas máquinas em campo, mas pela capacidade do produtor em gerenciar perdas e pela sorte de ver as nuvens finalmente colaborarem.
No agronegócio, como bem sabemos, o otimismo é o combustível, mas o realismo climático é o que mantém as rodas no chão. Resta agora acompanhar se os 15 milhões de toneladas previstos se confirmarão ou se o veranico deixará uma cicatriz mais profunda no PIB estadual.
Imagem principal: IA.

