Case apresenta trator autônomo e sem cabine na Agrishow

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Máquina controlada à distância é tratada como conceito e será exposta na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).

A CNH Industrial apresentou o modelo de trator sem cabine e operado totalmente à distância da marca Case. Foi em um encontro com jornalistas na unidade da empresa, em Sorocaba (SP). Trazido pela primeira vez ao Brasil, o modelo será exposto na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP) depois de ter passado pela Farm Progress Show, nos Estados Unidos, e pelo Salão Internacional de Máquinas Agrícolas (Sima), na França.

Baseado no Magnum, o veículo não tem cabine e pode funcionar autonomamente com um grande alcance de implementos de campo.

“Em várias partes do mundo, encontrar mão de obra qualificada durante a temporada de safra é um desafio constante para nossos clientes”, disse o presidente mundial da Case IH, Andreas Klauser. “Enquanto hoje oferecemos piloto automático e telemetria em nossos equipamentos, para o gerenciamento remoto de máquinas e funcionários, esse conceito de trator autônomo oferecerá aos nossos clientes ainda mais eficiência operacional para tarefas como preparo do solo, plantio, pulverização e colheita.”

Klauser explicou que o conceito foi criado para validar a tecnologia e para coletar o feedback dos clientes sobre o interesse e as necessidades deles por produtos autônomos futuros para as suas operações.

“Explorar as possibilidades que essa tecnologia pode fornecer para nossos clientes é algo muito empolgante para nós. Estamos ansiosos para receber as contribuições deles sobre esse conceito e como ele pode ajudá-los a atingir as novas eficiências de produção”, disse Klauser.

A equipe de Engenharia de Inovação e desenvolvimento de produto da Case IH  escolheu o trator Magnum como base para o conceito autônomo, mas com estilo repaginado. O veículo foi construído para uma interface completamente interativa, permitindo o monitoramento remoto das operações pré-programadas. O sistema a bordo leva automaticamente em consideração as larguras dos complementos e estabelece o percurso mais eficiente dependendo do terreno, obstruções e máquinas em uso no mesmo campo. Remotamente, o operador pode supervisionar e ajustar os caminhos e parâmetros pelo computador ou tablet.

Através do uso do radar, com reflexão, geração e telemetria de Luz, e as câmeras de vídeo a bordo, o veículo pode perceber os obstáculos parados ou em movimento no seu caminho e parar sozinho até que o operador, notificado por alertas sonoros e visuais, especifique um novo percurso. O trator autônomo também parará imediatamente se o sinal do GPS ou dados de posição for perdido, ou se o botão de parada manual for pressionado. As tarefas da máquina também podem ser modificadas em tempo real pela interface remota ou avisos meteorológicos automáticos.

O gerente de Marketing de Produto Global de Agricultura de Precisão (AFS) da Case IH, Rob Zemenchik, explica que a operação do trator autônomo une as novidades em orientação, telemetria, compartilhamento de dados e gerenciamento agrônomo para oferecer aos administradores de fazendas mais controle, capacidade de monitoramento e economia de custo.

“Quem administra a propriedade pode supervisionar as atividades de várias máquinas por uma interface móvel, como tablete, enquanto cuida de outras tarefas ou, até mesmo, opera outro veículo”, disse Zemenchik.

“Vários tratores autônomos podem funcionar como uma frota ou simultaneamente em várias subfrotas designadas para campos separados, cada uma designada com mapas e trajetos pré-programados. Então você pode ter um trator puxando um implemento acompanhado de perto por outro operando uma plantadeira. As oportunidades para a aumento da eficiência são substanciais”, completa o gerente.

Embora o veículo autônomo seja considerado um trator conceito atualmente, Zemenchik afirma que a tecnologia pode funcionar tão bem quanto em um trator com cabine padrão onde ele pode utilizar os dados meteorológico e de satélite em tempo real para definir, de forma ideal, as entradas da colheita, assim como nitrogênio, herbicidas ou fungicidas.

“Essas melhorias se tornam realmente interessantes para nossos clientes quando o clima entra em jogo. Se começar a chover em um campo, o trator parará automaticamente o que estiver fazendo e seguirá para outro campo que esteja seco para trabalhar, desde que o mesmo possa ser acessado através de estradas”, diz Zemenchik.

Antes da apresentação do conceito, os executivos da empresa apresentaram uma demonstração de vídeo da aragem e plantio do trator Magnum autônomo em um terreno na região sudeste dos Estados Unidos, no começo desse verão por lá.

Para o desenvolvimento dessa tecnologia autônoma do trator conceito, a CNH Industrial trabalhou em parceria com seu fornecedor de tecnologia à distância, a ASI, Soluções Autônomas Incorporadas, uma empresa líder em soluções autônomas não rodoviárias, com base em Utah, nos EUA.

Projeto-piloto

Não há previsão de lançamento comercial do trator autônomo. Neste ano, a empresa fará dois projetos-piloto nos Estados Unidos para testar a aceitação da tecnologia. Os sistemas de movimento e controle remoto serão adaptados em tratores que já estão no mercado norte-americano. As atividades serão na Califórnia, escolha nada aleatória já que o Estado é um importante polo de desenvolvimento tecnológico.

“Vamos definir os degraus de autonomia a se implantar nos produtos. Depois desses projetos, haverá uma segunda fase que ainda não está definida. São testes para validar a tecnologia que, em algum momento, serão feitos, inclusive, no Brasil”, explicou Christian Gonzalez, diretor de Marketing.

Um dos principais desafios para a implantação comercial é a falta de regulamentação em muitos mercados, disse Gonzalez. Isso é importante, principalmente, para garantir a segurança no uso dos equipamentos. No Brasil, acrescentou, a legislação é “praticamente zero”. Nos Estados Unidos, há avanços, que devem servir de padrão para outros países, acredita o executivo.

Outras questões a serem superadas são fazer o equipamento controlado à distância chegar também à agricultura de pequena escala e as consequências da adesão a esse tipo de tecnologia sobre o trabalho humano. “A existência de um trator como esse estimula essas discussões”, avaliou Gonzalez.

A Case não revelou quanto foi investido no projeto.Os representantes da empresa também evitaram estimar um preço para a máquina. Disseram apenas acreditar que não seria muito diferente do que se pratica atualmente. O trator autônomo foi montado sobre uma plataforma da Case em que as máquinas variam de R$ 650 mil a R$ 1 milhão, dependendo do modelo.

Mercado

Questionado sobre o mercado de máquinas agrícolas no Brasil, o vice-presidente da Case IH para a América Latina se disse otimista. Mirco Romagnoli lembrou que a expectativa do setor, de um modo geral, é de uma expansão de 15% a 20% em relação a 2016.

No primeiro trimestre deste ano, as vendas de máquinas agrícolas no mercado interno registraram um ritmo de crescimento bem maior que a expectativa. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram comercializadas de janeiro a março 9.752 unidades de tratores e colheitadeiras. No intervalo de janeiro a março de 2016, a indústria registrou 6.912 equipamentos vendidos. A alta é de 41% de um ano para outro.

“Depois de três anos de pouco volume de vendas, há a necessidade de mais máquinas. A disponibilidade de financiamento está boa e há tecnologias novas. O preço da soja está menor, mais ainda em níveis aceitáveis”, analisou.

Romagnoli revelou otimismo também em relação à Agrishow. O executivo acredita que será realizada em um momento importante do ano e espera que a feira confirme a expectativa positiva do setor de máquinas agrícolas.

Fonte: Assessoria de imprensa Case IH – Brasil. (RAPHAEL SALOMÃO, DE SOROCABA – SP).


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