Isolados, produtores temem por invasão e massacre

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Desarmados e sem proteção, grupo de produtores denunciaram atos provocativos de indígenas em área de conflito.

Isolados, desarmados e sem proteção efetiva do estado, produtores rurais que ocupam a sede da Fazenda Madama, situada entre os municípios de Amambai e Coronel Sapucaia, temem por confronto com indígenas e um derramamento de sangue no decorrer da noite desse domingo (28) e a manhã desta segunda-feira, dia 29 de junho.

A propriedade foi invadida na madrugada de segunda-feira, dia 22 de junho, por grupos indígenas e retomada pelos produtores rurais no meio da semana.

Desde então um grupo de produtores mantém acampamento na sede da fazenda para evitar que uma nova invasão ocorra.

Acontece, segundo os produtores, que no decorrer desse domingo, dia 28, os invasores passaram a promover movimentações hostis, inclusive bloqueando estradas de acesso a propriedade.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Sete Quedas, o também produtor rural Orlando Vendramini, que está na Fazenda Madama em apoio aos produtores ali acampados, o clima é extremamente tenso na região.

“Estamos desarmados e sem condições de se defender. Eles estão armados e agindo em tons ameaçadores. Precisamos de segurança para evitar um possível confronto e derramamento de sangue”, disse Vendramini.

Força Nacional não está no local

Ao contrário do que o Governo Federal divulgou na imprensa, as equipes da Força Nacional de Segurança que foram enviadas para Amambai, segundo o governo, para manter equipe no local de conflito e evitar novos confrontos, na realidade não está fazendo esse papel.

As equipes estão baseadas cidade, em Amambai, distante mais de 20 quilômetros do local da área em conflito e apenas fazem rondas esporádicas na região.

Segundo o comandante da 3ª Companhia Independente de Polícia Militar, com sede em Amambai, Major Josafá Dominoni, que tem acompanhado e monitorado toda a ação na região, a Força Nacional não pode manter uma equipe permanente no interior da fazenda por se tratar de propriedade particular.

Segundo o comandante militar o trabalho preventivo está sendo realizado de forma permanente com o patrulhamento da região, porém as viaturas trafegam em áreas de domínio público, no caso as estradas, mas estão prontas para intervir de forma imediata no caso de um possível confronto.

Segundo Josafá Dominoni, uma das saídas para manter a segurança pessoal dentro da propriedade rural seria a contratação, por parte dos produtores, de empresa de segurança particular.

Força Nacional virá ao Estado para atender áreas invadidas

A reunião aconteceu na Câmara Municipal de Amambai, com representantes das forças policiais do Estado, Produtores Rurais e Órgãos de proteção da comunidade indígena.

O Ministério da Justiça autorizou a vinda de uma equipe da Força Nacional para região sul de Mato Grosso do Sul para atuar nas áreas de invasões de indígenas a produtores rurais. A definição foi tomada durante reunião realizada na Câmara Municipal de Amambai, na última sexta-feira (26), que contou com a participação do presidente do Sistema Famasul – Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, Nilton Pickler, e dos presidentes dos Sindicatos Rurais de Ponta Porã, Jean Pierre Paes, e de Amambai, Diogo Peixoto da Luz.

A iniciativa do encontro foi da Sejusp – Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, por intermédio do GGI-Fron – Gabinete de Gestão Integrada. A primeira reunião foi realizada no início da semana (23), no Sindicato Rural de Amambai, em decorrência das últimas invasões realizadas por grupos indígenas em duas propriedades rurais localizadas no município de Coronel Sapucaia. Metade das 89 propriedades invadidas no Estado ficam na região Sul, sendo que essas áreas estão documentadas e regularizadas.

Participaram ainda do encontro, representantes das polícias Militar, Civil, PRF -Policia Rodoviária Federal, PF – Policia Federal, Força Nacional e DOF – Departamento de Operações de Fronteira. Defendendo os interesses indígenas, o MPF – Ministério Público Federal, a Funai – Fundação Nacional do Índio,e a subsecretaria de Assuntos Indígenas do Governo do Estado, mediado pelo GGI-Fron – Gabinete de Gestão Integrada.

De acordo com o presidente da Famasul, a instituição busca a pacificação e a integração social entre índios e produtores. “A federação tem atuado no sentido de orientar os produtores a buscar a Justiça e sempre evitar a violência” argumentou Pickler. Os presentes concordaram em criar uma força de trabalho para definir ações preventivas de invasões. Para o representante do sindicato de Ponta Porã, Jean Pierre Paes, a solução dos conflitos depende do apoio do poder público e da responsabilização criminal dos envolvidos. “Estamos aqui hoje para pedir ajuda da segurança pública, pois enquanto temos de aguardar a morosidade da justiça vemos os produtores sofrerem violência e perder o patrimônio de uma vida inteira”, ressaltou.

Opinião semelhante foi relatada pelo presidente do sindicato de Amambai, Diogo Peixoto da Luz. “Nosso trabalho sempre foi pautado pela ordem e pacificação, evitando o confronto e a justiça com as próprias mãos. No entanto, testemunhamos impunidade por parte dos grupos invasores e indignação e impotência por parte dos proprietários de terras”, desabafou.

Na avaliação do delegado da Polícia Federal em Ponta Porã, Alcídio de Souza Araújo, para que a situação do Sul do Estado melhore, no que diz respeito a pacificação, é necessário adotar medidas imediatas. “Vejo algumas ações que, se fossem adotadas, combateriam as invasões, entre elas, a paralisação do processo de demarcação em terras invadidas”, argumentou.

Ao final da reunião, o grupo recebeu a notícia de que uma equipe da Força Nacional será enviada pelo Ministério da Justiça para realizar patrulhamento e trabalho ostensivo na região do Cone Sul. O grupo de segurança pública deve se reunir na próxima semana para definir a estratégia operacional das policias que atuam na região.

Fonte: A Gazeta News. Por: Vilson Nascimento.


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