Brasil atinge risco especulativo. A recessão chegou?
Agência de classificação de risco põe Brasil no grau especulativo; PT já tem a receita para destruir Dilma de vez: uma guinada à esquerda. Vai fundo, Soberana!
Consultoria tira selo de bom pagador do país. Agência britânica Economist Intelligence Unit retirou o grau de investimento que havia dado ao Brasil em 2012
As agências de classificação de risco separam os países e empresas em dois grupos: “grau de investimento” e “especulativo”. No primeiro grupo, ficam aqueles que são considerados potenciais ou reais bons pagadores, onde os investimentos correm poucos riscos; no segundo grupo, aqueles que são tidos como potenciais ou reais maus pagadores. Até esta quarta-feira, o país estava no último degrau da escala dos bons pagadores da agência britânica “Economist Intelligence Unit”. Agora não está mais. Foi rebaixado para o primeiro patamar do grau especulativo: sua nota passou de BBB para BB. A agência possui dez degraus: AAA, AA, A, BBB, BB, B, CCC, CC, C e D.
A forte piora nas contas do governo levou a consultoria e agência de classificação de risco britânica Economist Intelligence Unit (EIU) a retirar o grau de investimento que havia concedido ao Brasil em janeiro de 2012.A EIU –braço do grupo que publica a revista “The Economist”– reduziu a nota da dívida soberana brasileira de BBB para BB.
Com isso, o Brasil perdeu o grau de investimento, uma espécie de selo de que é seguro investir em um país, e voltou para a categoria considerada mais arriscada.
O departamento de análise de risco da EIU recebeu em 2013 a certificação de agência de classificação de risco da European Securities and Markets Authority (ESMA, autoridade que regula o mercado europeu).
O modelo de risco da consultoria é alimentado por 60 questões, que consideram tanto dados quantitativos quanto análises qualitativas.
Péssima notícia
É claro que se trata de uma péssima notícia porque isso aumenta a desconfiança dos investidores estrangeiros no Brasil. Para lembrar: a Petrobras está por pouco. No dia 4, a Fitch rebaixou a nota da empresa de “BBB” para “BBB-“. No dia 30 de janeiro, a Moody’s já havia feito a mesma coisa: de “Baa2” para “Baa3”, seguindo os passos da Standard & Poor’s, que considera a estatal “BBB-“ desde 24 de março do ano passado.
Agências de classificação de risco e suas letrinhas não são a bula papal, é claro! Também elas podem errar. O diabo é que, no Brasil, como evidenciam os dados da economia e sem-vergonhice grotesca na Petrobras, elas estão certas. Ou Joaquim Levy não estaria no Ministério da Fazenda pondo todos os seus cabelos a serviço de descobrir um caminho para ajeitar as contas.
“Segundo Robert Wood, analista da EIU, a forte deterioração nas contas públicas provocou o rebaixamento”, informa a Folha ed São Paulo. Mas e Levy? Não ajuda na reputação. Leiam o que diz Wood: “Em nossa análise qualitativa, reconhecemos que a nova equipe econômica trouxe um ganho de credibilidade para o governo, mas isso não compensou o efeito da forte piora dos dados”. Vale dizer: Levy não faz milagres.
Após a divulgação do relatório trimestral anterior da consultoria, o governo passou a registrar deficit primário, deixando de poupar recursos para pagamento dos juros da dívida pública, e o desempenho da economia continuou muito fraco. Com isso, a relação entre a dívida pública bruta e o PIB (Produto Interno Bruto) ultrapassou 60%.
“Em nossa análise qualitativa, reconhecemos que a nova equipe econômica trouxe um ganho de credibilidade para o governo, mas isso não compensou o efeito da forte piora dos dados”, diz Wood.
Ele considera improvável que o Brasil recupere o grau de investimento nos próximos dois anos. A perda da nota sinaliza aumento do risco de calote, mas Wood ressalta que esse perigo ainda é baixo, pois o Brasil possui um grande colchão de reservas internacionais e dívida pública externa baixa.
As três principais agências de classificação de risco –Moody’s, Standard & Poor’s (S&P) e Fitch Ratings– mantêm o grau de investimento do Brasil. Elas conseguem atribuir um peso maior a tendências futuras –como uma esperada melhora dos resultados fiscais–, enquanto a análise de risco da EIU é mais ditada por dados correntes. O temor de um rebaixamento por uma delas, no entanto, voltou a aumentar nos últimos dias com a piora do quadro econômico do país.
As coisas podem piora
Infelizmente, as coisas podem piorar. A base aliada do governo no Congresso já demonstrou disposição de resistir ao pacote de austeridade baixado pela presidente Dilma e coordenado pelo ministro da Fazenda. Ninguém quer segurar a alça do caixão do petismo, sobretudo porque vem recessão por aí, e os pobres sempre pagam mais caro.
Nesta quarta, como vimos, o dólar atingiu a sua mais alta cotação desde 2004, o que reflete a deterioração da confiança no Brasil. Mas o PT já teve algumas grandes ideias para resolver o problema da falta de credibilidade. Estão expressas na Resolução do Diretório Nacional, divulgada na sexta passada. A receita é a seguinte, prestem atenção:
– o governo dar uma guinada à esquerda;
– apelar a forças que estejam fora do Congresso;
– aprovar imposto sobre grandes fortunas;
– lutar por reforma política que o Congresso rejeita;
– declarar que essa história de Petrobras não passa de complô da direita para desestabilizar Dilma e privatizar a estatal.
Nem o pior inimigo da governanta lhe proporia uma agenda tão energúmena. Não tem como não dar errado. Eu, Reginaldo, ainda não mudei aquele conselho que já dei a Dilma, depois que ela decidiu transformar Lula no seu Lênin e perguntar a ele o que fazer. Qual é mesmo o meu conselho, Reginaldo?
Fonte: Veja.com Por Reinaldo Azevedo e Folha de São Paulo por Érica Fraga

