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Abertura chinesa fortalecerá agronegócio do Brasil

As recentes mudanças políticas anunciadas pelo governo chinês devem fortalecer o comércio do país asiático com o Brasil, principalmente no agronegócio. A opinião é do árbitro da Organização Mundial do Comércio (OMC), Durval de Noronha Goyos Junior. Na última reunião do Partido Comunista chinês, neste mês, ficou definido que o país irá afrouxar suas políticas de planejamento familiar e abolir o sistema de campo de trabalho. ‘A china traz pelo menos meio bilhão de pessoas para a economia local, isso vai repercutir na melhoria de vida, a começar pela qualidade e quantidade dos alimentos’, explica.

 

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Segundo Noronha, o nível educacional e social das pessoas do oeste chinês, que é predominantemente rural, ainda é muito baixo. ‘Não se compara com o patamar do leste, então isso (o fim do sistema do campo de trabalho) vai repercutir no consumo e começa pelos alimentos’, reforçou. ‘E isso vai beneficiar o Brasil porque nós vamos ter um mercado ainda maior do que nós temos hoje para nossos produtos na área do agronegócio.’

Além de do segmento do agronegócio, de acordo com Noronha, que é advogado e possui escritórios em Pequim e Xangai, o cenário de relações comerciais entre Brasil e China também é bastante promissor na área de energia.
Ele explica que a entrada de empresas chinesas no consórcio vencedor do leilão do Campo de Libra ratifica o interesse chinês em insumos estratégicos. ‘Isso explica o interesse chinês em investimentos aqui no Brasil. A china tem uma necessidade muito grande de se abastecer de insumos estratégicos. E o petróleo vem em primeiro lugar’, afirma.

Para Noronha, as descobertas do Brasil na camada pré-sal de petróleo foram as mais importantes deste século. ‘As oportunidades são concretas e a China procura se assegurar de fonte de suprimento. Daí esse interesse e essa parceria, que será duradoura.’

O professor e diretor do Instituto Confúcio na Unesp, Luís Antonio Paulino, acredita que as novas resoluções terão implicações profundas na China, não só para a estrutura interna, mas na sua relação com o mundo. ‘A china está tentando mudar o modelo de desenvolvimento de uma economia que até hoje funcionava na base das exportações e investimento públicos para um modelo mais apoiado no consumo interno. E isso pode refletir em uma redução do ritmo do crescimento do país’, ponderou.

Para paulino, as reformas devem demorar para se consolidar e podem ter reflexos positivos e negativos no comércio mundial. ‘Como vai diminuir o investimento em infraestrutura, pode cair o preço do minério de ferro, por exemplo. E esse o nosso maior produto de exportação. É uma situação que teremos que nos confrontar’, prevê. ‘Por outro lado, vai aumentar a demanda em outras áreas’, ponderou, citando também o caso do petróleo.

Noronha e Paulino participaram na manhã desta sexta-feira de um ciclo de palestras para debater o ambiente de negócios na China, promovido pelo Instituto Confúcio na Unesp, em São Paulo.

 

Fonte: OMC

Janielly Santos

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