Aumento da renda acelera demanda por alimentos
Com o objetivo de traçar as perspectivas do agronegócio para 214 e assim auxiliar o produtor no planejamento da próxima safra, será realizado no dia 22 de novembro, a partir das 13h, o MS Agro 2013. Um dos palestrantes do evento é o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, com o tema ‘Brasil: O fim de um modelo ou ajuste cíclico?’. Veja abaixo qual a opinião do palestrante sobre o atual panorama do agronegócio brasileiro e as tendências a curto prazo.
Famasul – Que panorama o senhor desenha sobre o atual cenário do agronegócio sul-mato-grossense?
Luiz Carlos Mendonça de Barros – O setor continuará a se beneficiar de uma demanda interna e externa sustentada, principalmente porque a economia mundial deve acelerar seu crescimento econômico a partir de 2014, principalmente nos USA e na China; a renda do brasileiro continuará crescendo, embora com taxas mais modestas, o que deverá manter a demanda por alimentos ainda em processo de alta moderada. Em sentido contrário, o que deve desacelerar bastante é o processo de aumento da participação da classe média na população brasileira depois de um longo período em que este fenômeno afetou de forma significativa a demanda por alimentos.
Famasul – Quais os desafios do setor e quais as oportunidades?
Luiz Carlos Mendonça de Barros – Os grandes desafios continuarão a ser a escalada de custos de logística e a falta de investimentos em mecanismos que garantam ao setor melhorar sua eficiência sistêmica de funcionamento via utilização dos novos mecanismos digitais disponíveis no mercado como sensores eletrônicos e semicondutores inteligentes; uma nova fronteira vai desenvolver-se no campo e a duvida é se o governo vai agir para acelerar este processo.
Famasul – Quais os principais tópicos da palestra? O que o público pode esperar?
Luiz Carlos Mendonça de Barros – Vou mostrar como e porque vivemos hoje, no mandato da presidenta Dilma, um momento de ressaca na economia depois de um longo período – 1993 a 2010 – em que a renda media real do brasileiro cresceu a uma taxa media de 4,7% ao ano. Em função disto ocorreu uma mudança estrutural importante na composição social no Brasil com os brasileiros que vivem na economia formal chegando a representar 2/3 da população contra apenas 1/3 pouco antes do Plano Real. Por economia formal entendo os brasileiros que tem um contrato formal de trabalho – carteira de trabalho – que tem acesso ao FGTS e outros mecanismos de seguridade social e – principalmente – acesso ao credito bancário e comercial.
No período 1993 a 2010 o consumo cresceu acima do PIB e sem inflação pois havia na economia brasileira vários setores importantes com capacidade ociosa. O melhor exemplo é o mercado de trabalho pois, com uma taxa de desemprego de dois dígitos, não havia pressão sobre os custos trabalhistas das empresas. Outro exemplo é o do endividamento dos consumidores que no início do ciclo era bastante baixo permitindo o crescimento expressivo do credito de consumo. Hoje a classe media está endividada e precisa administrar seu endividamento com cautela e parcimônia.
A partir de 2010 este quadro se altera com a inflação acelerando em função dos custos crescentes das empresas e de altas de certos serviços em função da demanda ter superado a oferta. Nos mercados de bens que podem ser importados a inflação não apareceu mas em compensação passamos de um superávit comercial da ordem de 4% do PIB para um déficit muito próximo deste numero. Com isto nossa moeda ficou mais frágil e a ameaça de uma desvalorização especulativa pesa sobre as projeções da inflação futura.
Vou refletir sobre as consequências desta armadilha em 2014 e sobre que terapia econômica que precisará ser adotada pelo novo governo que sairá das eleições para criar as condições necessárias para que um novo período de crescimento econômico se abrirá para o Brasil.
Sobre o Sistema Famasul – O Sistema Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS) é um conjunto de entidades que dão suporte para o desenvolvimento sustentável do agronegócio e representam os interesses dos produtores rurais de Mato Grosso do Sul. É formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Fundação Educacional para o Desenvolvimento Rural (Funar), Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja/MS) e pelos sindicatos rurais do Estado.
O Sistema Famasul é uma das 27 entidades sindicais que integram a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Como representante do homem do campo, põe seu corpo técnico a serviço da competitividade da agropecuária, da segurança jurídica e da valorização do homem do campo. O produtor rural sustenta a cadeia do agronegócio, respondendo diretamente por 17% do PIB sul-mato-grossense.
Fonte:
Assessoria de Comunicação do Sistema Famasul
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