Fungo ataca milhares de agricultores

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Fungo pode estar presente na água, nas plantas e no solo. Sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças.

 

Os pesquisadores de Universidade Federal de Alfenas, no sul de Minas Gerais, estudam a incidência de uma doença transmitida por fungo que atinge principalmente quem trabalha no campo. Os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças.

A trabalhadora rural Maria Aparecida sempre trabalhou na roça em Machado, no sul de Minas Gerais. No ano passado, ela descobriu que tinha um tipo de micose com nome complicado de paracoccidiodomicose, também conhecida como PCM. A descoberta aconteceu na cadeira do dentista que percebeu uma ferida na boca da agricultora e orientou que ela procurasse um médico.

“Deu uma infecção muito forte na gengiva e nos dentes. Não tinha como arrumar os dentes tanto que não doía os dentes. A infecção era na gengiva mesmo. Dai tive que extrair os dentes também”, conta Maria Aparecida.
O agricultor Aleir Barbosa teve o fungo, mas não desenvolveu a doença. Ele sempre viveu na roça com a família, em Alfenas. A vida toda, ele produziu café e ficou surpreso quando soube do diagnóstico. “Eu nunca esperava saber de fungo. A gente só trabalha na roça”, diz.

A doença é causada por um tipo de fungo que pode estar presente na água, nas plantas e no solo. As lavouras de café são um ambiente de grande incidência desse microorganismo. A contaminação pode acontecer justamente quando o trabalhador rural entra em contato com a terra.

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Os pesquisadores da Universidade Federal de Alfenas estão desenvolvendo um estudo pioneiro sobre a incidência da PCM no sul de Minas Gerais. Há três anos, a equipe começou um diagnóstico. Mais de 540 pessoas de vários municípios foram examinadas. Os testes de laboratório apontaram que quase metade já teve contato com o fungo, o que não significa que vão desenvolver, de fato, a doença.

“É uma doença desconhecida pelo trabalhador rural e até pelos profissionais de saúde. Da a importância de a gente divulgar sinais e sintomas, e realizar o levantamento epidemiológico da doença”, diz Luís Cosme, biólogo da Universidade Federal de Alfenas.

O médico Evandro Magalhães, que também participa do projeto, explica que o fungo atinge principalmente os pulmões e os sintomas são parecidos com os da tuberculose. As pessoas apresentam tosse, febre e emagrecem rapidamente. O mais grave é que em alguns casos as duas doenças aparecem juntas.
“Infelizmente, em 10% dos casos podem coexistir, ou seja, tuberculose e paracoco junto. Portanto, o médico que atende essas doenças crônicas infecciosas tem que estar sempre um olhar dessa possibilidade, dessa micose”, diz Magalhães.

Duas mil pessoas devem ser examinadas pelos pesquisadores. Os resultados serão encaminhados para a Secretaria de Saúde de Minas Gerais.

 

Fonte: Globo Rural


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