Grandes safras reduzem pressão inflacionária

Compartilhar

Uma série de boas colheitas ao redor do globo está reduzindo a pressão sobre os estoques mundiais de alimentos e contribuindo para moderar a perspectiva para a inflação em mercados emergentes.

 

Os preços de milho e soja subiram para nível recorde em 2012, em parte por causa de secas nos Estados Unidos e em outros países produtores. Mas as cotações agora estão caindo por causa de uma temporada normal de grãos que começou com a América do Sul em fevereiro e está em curso nos EUA, Austrália e Rússia.

O índice de preços dos cereais – que compreende grãos e arroz, calculado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) – caiu 25% em setembro ante igual período do ano anterior. A FAO prevê que a produção de milho aumentará 13% e a de trigo, 7% este ano.

O Departamento de Agricultura dos EUA prevê que a colheita do milho, por exemplo, somará 14 bilhões de bushels, acima dos 10,8 bilhões de bushels no ano passado.

Os preços do arroz no sudeste da Ásia também estão em queda. As cotações do arroz branco tailandês estão 12% abaixo do patamar de agosto, enquanto os preços do Vietnã caíram 5% por causa da expectativa de uma boa colheita.

Anuncio congado imagem

‘Depois de ter sobrevivido a um período de quatro a cinco anos de seca e problemas relacionados a safras, o mundo tem a sorte de não ter tido grandes catástrofes este ano’, disse Jay O’Neil, economista da Kansas State University.

Os preços mais baixos dos alimentos, associados a cotações mais baixas de outras commodities com a desaceleração do crescimento chinês, estão ajudando a frear a inflação, estimou o Fundo Monetário Internacional (FMI). O fundo prevê que a inflação permanecerá em torno de 6% nos mercados emergentes em 2013. Os preços mais baixos dos alimentos e das commodities só devem ser parcialmente contrabalançados pela depreciação das moedas de nações em desenvolvimento, o que impulsiona os custos de importação.

Como a inflação se estabilizando em algumas nações, há apelos por cortes da taxa de juros para estimular o crescimento. A inflação na Rússia este mês desacelerou para 6%, dentro do intervalo da meta do Banco Central do país, intensificando expectativas de um corte no juro no final deste ano para ajudar uma economia que cresceu 1,2% no segundo trimestre ante igual período do ano anterior, o ritmo mais lento em quatro anos.

As quedas foram lideradas pelos preços mais baixos dos alimentos. O Ministério da Agricultura afirmou na semana passada que espera que a atual safra de grãos atinja 90 milhões de toneladas, contra 72 milhões de toneladas em 2012, quando as lavouras foram danificadas pela seca. Os preços baixos de alimentos em grandes importadores, como Coreia do Sul e Taiwan, permitirão que as autoridades desses países mantenham as taxas de juros baixas para ajudar a impulsionar o crescimento.

Na Coreia do Sul, o terceiro maior importador de milho do mundo, depois do Japão e do México, os preços ao consumidor subiram 0,8% em setembro ante igual mês do ano passado, menor alta em 14 anos. A inflação em Taiwan, país que importa quase tudo que necessita de trigo, milho e soja, caiu para 0,8% em setembro, ante uma média de 1,8% no primeiro trimestre.

Nos EUA, onde a inflação permanece sob controle, o preço mais baixo do milho, a principal ração para o gado, é uma boa notícia para produtores de carne. Mas é uma má notícia para os agricultores norte-americanos, cuja renda subiu para o nível mais alto em décadas durante a seca do ano passado. A queda dos valores pagos pelo milho está espremendo as margens de lucro.

Apesar das quedas, os preços globais de alimentos se mantêm historicamente altos. O índice de preços de cereais da FAO está num nível duas vezes mais alto que o de uma década atrás, impulsionado por preços mais altos de petróleo e demanda maior em mercados emergentes.

Em alguns grandes importadores de alimentos, como China e Indonésia, a inflação continua alta. O índice de preços ao consumidor na China subiu 3,1% em setembro ante um ano antes, após uma elevação de 2,6% em agosto.

 

Fonte: Dow Jones Newswires.


Compartilhar

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *