Ecossistemas aquáticos é o tema da Embrapa
Ecossistemas aquáticos é o tema da nova publicação da Embrapa Meio Ambiente.
Já está disponível para download o número 91 da Série Documentos da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), intitulado “O uso do sulfato de cobre em ecossistemas aquáticos: fatores que afetam sua toxicidade em peixes de água doce”. A autoria é dos pesquisadores Fernanda Garcia Sampaio, da Embrapa Meio Ambiente, Cheila de Lima Boijink, da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus, AM) e Francisco Tadeu Rantin, da Universidade Federal de São Carlos.
Conforme os autores, “o aumento mundial da contaminação de sistemas de água doce com inúmeros compostos químicos industriais e naturais é hoje um dos principais problemas ambientais. Mineração, emissão de esgoto doméstico, aplicação de fertilizantes e pesticidas degradam severamente os ecossistemas aquáticos com metais pesados. Estas substâncias por não serem componentes naturais do organismo são chamadas xenobióticos”.
As principais fontes de poluição nas águas interiores podem ser atribuídas a descargas de águas não tratadas, resíduos de efluentes industriais e resíduos da agricultura. A aquicultura, caracterizada nas últimas décadas como potencial atividade agropecuária, não está isenta.
Fernanda Samapio explica que as altas densidades de cultivo dos organismos aquáticos aumentam a concentração de matéria orgânica nos viveiros de produção, dificultando a manutenção da qualidade da água de cultivo.
Os metais pesados, quando presentes em altas concentrações, estão entre as mais nocivas substâncias ativas capazes de causar sérios impactos nos sistemas metabólicos, fisiológicos, e até mesmo estruturais, nos organismos a eles expostos. Ao mesmo tempo, alguns metais agem como nutrientes essenciais em concentrações não-tóxicas. É o caso do cobre, que embora seja elemento essencial para o crescimento saudável dos organismos, mesmo em pequenas concentrações, pode ser perigoso para a biota aquática.
Devido às diferenças nas formas de metabolizar os xenobióticos, é necessário detectar e avaliar o impacto de poluentes nos organismos expostos e não somente considerar a quantidade de poluentes presentes no ambiente e nos animais. As respostas ao estresse são caracterizadas por mudanças fisiológicas e os efeitos dos poluentes nos peixes são obtidos por testes de toxicidade aguda e crônica.
Durante muito tempo foi aplicado cobre quase que diariamente, numa quantidade aproximada de quatro toneladas por dia, no controle de algas cianofícea do reservatório Guarapiranga, São Paulo, SP, Brasil. Em relatos obtidos após entrevista com técnicos e/ou piscicultores de agroindústrias no estado de São Paulo, o uso de cobre ocorre tanto com o objetivo profilático no controle de infestações de parasitas branquiais, como na busca da melhoria das condições da água dos viveiros que, em decorrência da intensidade de arraçoamento e da elevada densidade de cultivo, podem ficar com excesso de partículas dissolvidas.
“Outro aspecto importante a ser considerado, enfatiza a pesquisadora, quando se avaliam efeitos induzidos por contaminantes químicos à biota é que, nos sistemas aquáticos naturais, os organismos podem estar expostos não a um único contaminante, mas sim, a uma miríade ou mistura de diferentes substâncias”. Assim, a qualidade da água é um fator importante, responsável por variações na hematologia, resultado da íntima associação entre o sistema circulatório e o ambiente externo.
No cultivo de peixes existem vários fatores que alteram a qualidade da água, como a presença excessiva de fitoplâncton, plantas aquáticas e algas. A grande quantidade de microalgas presente no meio consome oxigênio e libera dióxido de carbono, sendo que altas taxas de CO2 acidificam a água, diminuindo o pH. Neste caso, a taxa de respiração muitas vezes excede a fotossíntese.
O uso de produtos com cobre no ambiente aquático é uma questão relevante na química ambiental. Utilizados em diferentes concentrações na agricultura e aquicultura, representam grande fonte de contaminação. Como descrito nesta revisão, as condições em que o CuSO4 é aplicado na aquicultura. Entretanto, a avaliação da toxicidade do cobre muitas vezes ocorre em condições controladas, o que poderá mascarar seus efeitos quando comparados às condições em que ele é utilizado.
Neste contexto, o estudo dos efeitos da exposição ao cobre em condições de hipóxia e meio ácido sobre biomarcadores em peixes pode, além de elucidar mecanismos de toxicidade do metal, indicar possíveis efeitos sobre o bem estar animal, levando ao uso racional deste composto em aquicultura.
Fonte: Embrapa.

