Preço do leite atinge maior patamar desde 2007

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O preço pago ao produtor de leite subiu 3,6% em julho, no sexto mês consecutivo de alta, e atingiu o maior patamar em termos reais (descontando a inflação) desde setembro de 2007. A informação consta da analise mensal do elaborada pelos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). O preço bruto do leite pago ao produtor foi calculado pelo Cepea em julho em R$ 1,0544/litro (incluindo frete e impostos), valor 3,6% acima do registrado no mês anterior e 17% superior ao de julho do ano passado.

Os pesquisadores explicam que o preço é calculado com base na média ponderada pelo volume captado em junho em Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Bahia. Segundo eles, desde o início deste ano o aumento no preço bruto já é de 18% em termos nominais e de 14,4% em termos reais.
Na avaliação dos pesquisadores o novo aumento no preço do leite esteve mais atrelado à firme demanda do que a produção, pois em junho a captação de leite cresceu 6,73% em nível nacional, depois de registrar quedas consecutivas desde o início deste ano. Eles atribuem o aumento da produção às boas condições de desenvolvimento das pastagens de inverno e também ao maior poder de compra do produtor de leite frente à alimentação concentrada.
Os levantamentos do Cepea mostram que na região Sul do Brasil a produção chegou a avançar 10,5%. Em Minas Gerais, o aumento na captação de maio para junho foi de 5,2%, em Goiás, de 4,5% e em São Paulo, de 3,1%. Os técnicos chamam atenção para o frio intenso em algumas regiões, principalmente no Sul, que tem prejudicado bastante o desenvolvimento das pastagens de inverno e podem afetar a produção de leite de julho. ‘A estratégia de parte dos produtores tem sido o uso da silagem – para os que produziram o alimento – e o aumento do uso de ração no cocho’, dizem os pesquisadores.
As consultas feitas pelo Cepea junto a laticínios/cooperativas mostram que as expectativas continuam sendo de alta nos preços, mas os técnicos observam que o mercado já sinaliza um pouco mais de estabilidade que o mês anterior. Entre os compradores ouvidos pelo Cepea 56% dos consultados (que representam 51,6% do leite amostrado) acreditam que haverá novo aumento de preços em agosto e 40,4% (que representam 47,1% do volume captado) indicam estabilidade. Somente 3,7% dos agentes (que representam 1,3% do volume) sinalizam queda para agosto.
Os técnicos comentam que mesmo com a captação de junho em patamar superior ao do mesmo mês do ano passado, as indústrias alegam que a oferta de matéria-prima tem sido insuficiente para o atual ritmo de venda de derivados. ‘A demanda aquecida ainda tem sido o principal motivo para esta queixa. Com isso, os preços dos produtos lácteos continuam subindo com força. Alguns representantes dessas empresas contatadas pelo Cepea indicam que a demanda tende a aumentar mais ainda no início de agosto com a volta às aulas’, dizem os analistas.
Atacado
Ao analisar o comportamento dos preços dos derivados no atacado de São Paulo, os técnicos observam que a oferta de matéria-prima abaixo da demanda, que continua bastante aquecida, tem alavancado as cotações, principalmente do leite UHT (longa vida) e do queijo mussarela. Eles constataram que até ontem (29), o leite UHT e o queijo mussarela registram médias de R$ 2,29/litro e de R$ 12,63/kg, com aumentos respectivos de 5,4% e de 2,4% em relação a junho.
Os preços no atacado atingiram os maiores patamares nominais das séries históricas do Cepea, iniciada em março de 2010 para o leite UHT e em janeiro de 2011 para o queijo mussarela. Os técnicos explicam que a pesquisa é realizada diariamente pelo Cepea junto a laticínios e atacadistas, com apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).
Produtor
Ao analisar o comportamento regional dos preços, os técnicos comentam que o maior preço paga ao produtor em julho foi registrado em Goiás, onde a média ficou em R$ 1,1285/litro, em alta de 4,7% em relação a junho e de 31,7% ante julho do ano passado. Em São Paulo média foi de R$ 1,0772/litro (+3,1% no mês) e em Minas Gerais de R$ 1,0714 (+3,2% no mês). Em Santa Catarina o preço no mês subiu 6,5% (para R$ 1,0333/litro) e no Paraná alta foi de 4,3% (para R$ 1,0179/litro).


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