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Cultivo consorciado de soja e capim

Pesquisa estuda cultivo consorciado de soja com capim braquiária.

 

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A revista científica Agronomy Journal, uma das mais conceituadas internacionalmente a tratar de sistemas de produção agrícola, publicou um artigo sobre um trabalho desenvolvido na Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, Câmpus de Botucatu, a partir de um projeto temático Fapesp, que atesta a possibilidade do cultivo consorciado de cultivares de soja precoce e/ou superprecoce e capim braquiária (Brachiaria brizantha cv. Marandu) no sistema plantio direto (SPD) sem redução da produtividade de grãos da leguminosa.

 

A integração agricultura-pecuária (ILP) é uma prática sustentável, que melhora a produtividade das culturas e pastagens. Nesse sistema de produção existe a modalidade de cultivo consorciado entre culturas graníferas e gramíneas forrageiras perenes. No entanto, para que o sistema seja bem sucedido é importante identificar os cultivares de culturas mais adaptados para o cultivo consorciado com essas gramíneas.

 

Os resultados obtidos pela equipe do professor Carlos Alexandre Costa Crusciol, do Departamento de Produção e Melhoramento Vegetal da FCA, permitem constatar que é possível realizar o consórcio de ambas as espécies, evitando que a produtividade da soja seja diminuída pela competição com a braquiária, e que a área possa iniciar e/ou dar continuidade ao sistema plantio direto (SPD).

 

O SPD é uma técnica de cultivo conservacionista que consiste em manter o solo permanentemente coberto com restos culturais. A proteção gerada pela palhada traz uma consequente diminuição da temperatura do solo e aumenta a retenção de água, além de elevar a quantidade de matéria orgânica. As espécies utilizadas para produção de palhada, nesse caso a braquiária, após serem dessecas, proporcionam reciclagem de nutrientes, reduzindo as perdas por lixiviação.

 

Assim, a palha, durante o processo de decomposição, acaba funcionando como um adubo natural, pois libera os nutrientes que a constitui, trazendo benefícios ao solo, com consequente aumento da produtividade. Por dispensar o uso de aração e gradagem, o SPD é uma alternativa econômica tanto para pequenos, quanto para grandes produtores, tornando mais ágeis os processos de semeadura e colheita e aumentando a produtividade.

 

No caso do sistema desenvolvido pelos pesquisadores da Unesp, após a colheita da soja, a braquiária formará a pastagem que será utilizada pelo gado no período da seca e, posteriormente, após a retirada dos animais, o mesmo capim formará palhada para o sistema plantio direto, caracterizando, assim, em integração lavoura-pecuária em sistema plantio direto.

 

Na pesquisa as cultivares de soja, de diferentes ciclos, foram consorcias com a braquiária, sendo a forrageira semeada em mistura com o fertilizante da soja, ou seja, depositada em profundidade maior em relação a semente da oleaginosa. Isso acarreta em emergência da soja bem antes da forrageira, proporcionando sombreamento e dificultando o desenvolvimento da braquiária.

 

Após a colheita dos grãos da oleaginosa, a pastagem se desenvolveu aproveitando o residual do fertilizante aplicado para a soja e, principalmente, do nitrogênio deixado pela oleaginosa, proveniente da fixação biológica do N2 atmosférico. Isso torna o sistema mais sustentável, pois dispensa o uso de fertilizantes na forrageira, que apresenta boa produção e qualidade em pleno período de seca (parte de outono, durante o inverno e parte da primavera), resultando aumento da produção de carne em relação a pecuária tradicional.

 

Os testes mostraram a viabilidade dos cultivares de soja superprecoce e precoce para a integração lavoura-pecuária em sistema plantio direto, configurando um potencial de geração de renda maior em relação as cultivares de ciclo mais longo, quanto a pecuária é integrada no sistema de produção agrícola.

 

Isso porque as cultivares precoces encerram o ciclo mais rápido e, portanto, não sofrem com a competição da braquiária. Além disso, liberam as áreas antes das cultivares de ciclo normal e tardio, pois são colhidas mais cedo, permitindo assim o pastejo dos animais por maior período na entressafra (período da seca) e, consequentemente, maior produção de carne por área.

 

Fonte: Agronomy Journal.

Equipe Agron

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