Produção de carne de qualidade
Indicadores de eficiência e produção de carne de qualidade andam juntos?
Salvo raras exceções, produzir carne de qualidade vai de encontro à eficiência de produção na bovinocultura de corte. Isso acontece porque as qualidades organolépticas da carne bovina (aquelas perceptíveis pelos sentidos) são ligadas à genética, deposição de gordura e tempo de abate, itens que demandam investimentos maiores por parte dos pecuaristas. Mas o cenário está mudando lentamente, até porque a pressão dos custos de produção começam a entrar em sintonia com as características que mais agradam o consumidor final.
Como já havia afirmado Alexandre Scaff Raffi, presidente da Novilho Precoce MS, na reportagem “A carne é de qualidade, e agora?”, diminuir o ciclo de vida do animal para girar o capital da fazenda com mais rapidez passa a ser indicador de eficiência das fazendas em determinadas regiões onde o custo da terra é alto. Ao mesmo tempo, animais mais precoces têm a carne mais macia. Mas atender nichos de mercados cada vez mais específicos, que pagam cada vez mais pelos alimentos, ainda exige outro grande salto na produção brasileira.
O tema “A carne de alta qualidade” será apresentado pelo professor Pedro de Felício, do Departamento de Tecnologia de Alimentos da FEA/Unicamp (Faculdade de Engenharia de Alimentos), durante a etapa de Campo Grande/MS do Circuito Feicorte 2013. O evento acontecerá entre os dias 30 e 31 de julho no Centro de Convenções Albano Franco.
A palestra irá apresentar aos pecuaristas os detalhes do conceito do produto especial para atender mercados que remuneram de maneira diferenciada os cortes das regiões dorso-lombar e pélvica da carcaça bovina. “Exemplos desses mercados são os povos mais exigentes quanto à maciez, ao sabor e à carne suculenta, como japoneses e coreanos do sul, atendidos atualmente pelos Estados Unidos e Austrália”, especifica Felício.
As mesmas exigências são válidas também para restaurantes brasileiros de alto padrão. “Para eles, a carne deve ser produzida por gado das raças britânicas, em alguns casos raça japonesa, fêmeas e machos (castrados), todos recriados em pastagens até um ano e meio de idade – dois anos no máximo – e engordados passando entre 100 e 120 dias no confinamento. Além disso, devem ter marbling (gordura intramuscular ou mármore) igual ou superior a 7% de lipídios na porção muscular do contrafilé”, detalha o palestrante.
À parte alguns projetos específicos, a carne produzida no Brasil não é essa. Por isso é que, em sua palestra, Felício ira mostrar exemplos de ações feitas por todo o país, sobretudo no Mato Grosso do Sul, que possam receber premiações mesmo não atingindo a chamada alta qualidade. “Seria uma carne que, segundo os australianos, seja melhor do que a carne de consumo rotineiro e que, por isso mesmo, deve agregar valor. Essa carne teria que alcançar preços bem mais elevados no mercado, mas não está alcançando”, aponta o professor.
Para auxiliar os pecuaristas, a palestra “A carne de alta qualidade” mostrará possibilidades de multiplicar por 1,5 a 2 vezes os preços atuais do filé de costela, contrafilé lombar, filé mignon, miolo de alcatra, picanha, entre outros cortes nobres.
“Ninguém irá sair da palestra sabendo como ganhar mais dinheiro com pecuária, mas sairá com uma cultura melhorada nessa área do conhecimento, que permitirá aos mais dedicados continuarem atentos às novidades do setor”, pondera Pedro de Felício.
As inscrições para o Circuito Feicorte 2013 estão abertas e podem ser feitas pelo endereço http://www.agrocentro.com.br/circuitofeicorte/. A palestra do professor Pedro de Felício acontecerá às 14 horas (horário local, ou 15h pelo horário de Brasília) do dia 31 de julho.
Fonte: Thaiany Regina.

