Biorrefinarias ganham espaço na Alemanha
Biorrefinaria é um conceito já aplicado em algumas indústrias, mas que ainda encerra muitos desafios para instituições de pesquisa, governo e setor produtivo. De 24 a 26 de setembro, Brasília/DF receberá profissionais brasileiros e estrangeiros envolvidos com o tema, no II Simpósio Nacional de Biorrefinarias.
O evento é promovido pela Embrapa Agroenergia em parceria com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e a Sociedade de Engenharia Química e Biotecnologia da Alemanha (Dechema).
Instituições alemãs estão entre as que vão apresentar cenários e expectativas em relação a biorrefinarias. O assessor da Dechema Dieter Miers diz que a Alemanha iniciou uma corrida por fontes de energia limpas e renováveis, passando também a investir em biorrefinarias.
“A comunidade cientifica já estava preocupada com a questão do efeito estufa, da produção racional de energia e do preço alto dos combustíveis fósseis, e, paralelamente, as questões econômicas que tumultuam a Europa fortalecem a bioeconomia”, conta o assessor.
Miers é brasileiro, mas vive na Alemanha desde 1997. Ele se recorda de que, nos últimos três a nos, os alemães fecharam usinas nucleares e estabeleceram prazos de encerramento das atividades de outras. Para compensar a falta dessa energia, investimentos têm sido feitos na geração eólica e solar.
No entanto, com a baixa incidência de raios solares e a dificuldade de armazenamento, a energia derivada da biomassa também ganha espaço, o que gera oportunidades profissionais na área.
Em 2012, o diretor-geral da Dechema, Kurt Wagemann, lançou o “Roadmap Bioraffinerien”, uma espécie de mapa que, segundo Miers, “visa a organizar as metas do desenvolvimento conceitual das biorrefinarias nas indústrias alemãs”. Atualmente, há usinas operando com beterraba, cereais, girassol, canola e resíduos lignocelulósicos de madeira e cereais.
Biocombustíveis, rações e CO2 para a indústria alimentícia estão entre os produtos já obtidos. “Pretende-se avançar e evoluir até as chamadas biorrefinarias de syngas e biogás, mas a disponibilidade de matérias-primas ainda é um entrave”, pondera.
Cooperação:
Para o brasileiro que vive na Alemanha, a colaboração entre os dois países deve contribuir para acelerar o desenvolvimento das biorrefinarias. Ele destaca a otimização do ciclo rotatório de elementos básicos como NPK (presente na vinhaça ou encontrado nas cinzas proveniente da queima do bagaço) e a produção de biomassa a partir de microalgas.
“A Alemanha quer aprender com os brasileiros”, afirma Miers. O Brasil é muito bem visto no país europeu pela experiência acumulada em energias renováveis, especialmente etanol.
A Dechema reúne, na Alemanha, profissionais da área química com formações diferentes: técnicos, bacharéis, engenheiros. Com 80 anos de existência, tem sido um espaço para discussão de ideias entre universidades, indústrias e o setor público. O assessor da instituição diz que, atualmente, os temas bioenergia e bioeconomia estão em alta e são relevantes para os três segmentos.
A Alemanha é uma das maiores produtoras mundial de biodiesel, conforme afirma o coordenador de projetos da Dechema, Jochen Michels.
“Estou convicto de que, em termos energéticos, os biocombustíveis são excelentes alternativas, seja para utilização em aeronaves e automóveis, seja para geração de energia elétrica”, enfatiza Miers, que trabalhou no pioneiro programa brasileiro de etanol, o Proálcool.
Ainda como aluno do colégio agrícola de Araquari/SC, participou do projeto piloto que instalou uma das primeiras midrodestilarias de etanol do Brasil. Mais tarde, já com a formação de engenheiro agrônomo, atuou no aproveitamento de biomassa, especialmente de bagaço de cana, em um projeto de cooperação técnica Brasil – Alemanha.
A descoberta de um fungo capaz de acumular radioatividade durante esse trabalho o levou, em 1997, para o país europeu, onde permanece até hoje.
Dieter acredita que os temas bioenergia e bioeconomia são uma oportunidade para ele associar as experiências que adquiriu no Brasil e na Alemanha. Ele integra a comissão organizadora do II Simpósio Nacional de Biorrefinarias, que tratará de matérias-primas, processos, métodos de análises e potencial econômico de novos produtos.
As inscrições para o evento já estão abertas no site http://www.snbr2013.com.br. Até 31 de julho, a taxa custa R$ 500,00, com desconto de 50% para estudantes. Empregados da Embrapa e funcionários da Abiquim e da Dechema pagam R$400,00. Também no site está disponível a programação, que contará com apresentações de especialistas de instituições do Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Inglaterra e Noruega, além da Alemanha.
Está prevista a realização de uma mostra de tecnologias verdes, além de rodada de negócios. Também durante o evento, deverá ser lançado livro abordando o potencial de matérias-primas brasileiras para química verde.
O Simpósio tem o apoio institucional da Internacional Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC), da Sociedade Ibero-americana para o Desenvolvimento das Biorrefinarias (Siadeb), da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina), da Associação Brasileira da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei) e do Conselho Regional de Química do Estado de São Paulo (CRQ IV Região). A Braskem e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) patrocinam o evento.
Fonte: Embrapa Agroenergia

