Investimentos devem reduzir custo logístico
Região Sul tem potencial para economizar esse valor anualmente se incrementar oito eixos de transporte de cargas.
O investimento até 2020 em oito eixos prioritários para escoamento de cargas na Região Sul tem potencial para gerar até R$ 3,4 bilhões de economia anual com custos de transporte, segundo o estudo “Os Caminhos do Agronegócio”, feito pela Macrologística Consultores.
Pelo levantamento, encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), serão gastos R$ 15,2 bilhões em obras, valor que seria recuperado em quatro anos e meio, conforme o total economizado por ano. Isso sem contar que a redução das filas nas estradas e portos melhoraria a competitividade dos produtos nacionais no mercado internacional.
Mais do que uma oportunidade de investimento, o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, afirma que construções e reformas de armazéns, rodovias, portos e ferrovias na região são urgentes para o escoamento da produção rural brasileira. Com o estudo em mãos, ele lembra que a área plantada de grãos passou de 39 milhões de hectares entre 1992 para 58,8 milhões em 2012, um aumento de 50%.
No mesmo período, a produção saltou de 1,5 toneladas por hectare há duas décadas para 3,250 toneladas por hectare, crescimento de 116%. Enquanto houve avanço na área plantada e na produtividade, ele diz que a logística pouco mudou. “Com raras exceções, o que tínhamos de infraestrutura há 20 anos é o que temos hoje”, conta Carvalho.
Pelo estudo, são prioritários 51 projetos divididos em oito eixos (veja mais no mapa ao lado). Os dados são embasados na criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) e no anúncio do Plano de Investimento em Logística (PIL), com expectativa de investimentos de R$ 133 bilhões em ferrovias no País. A pedido da CNI, o mesmo levantamento já foi feito para as regiões Norte e Nordeste, com a pesquisa sobre o Centro-Oeste em execução.
Assessor técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, Nilson Hanke Camargo afirma que as maiores urgências regionais são a ampliação do anel viário em Cascavel, a duplicação de rodovias, a construção do trecho ferroviário entre Maracaju (MS) e Guarapuava e a modernização do Porto de Paranaguá. Obras que ele espera que sejam feitas com recursos estatais ou em parceria público-privada (PPP). “Chegou um momento em que toda a sociedade vê que o problema é sério. Se não for feito algo agora, vamos chegar ao estrangulamento de todos os modais.”
Camargo ressalta que nada será implantado na velocidade e no volume necessários, mas que o começo está próximo. Ele, inclusive, acredita que o período para recuperação dos valores aplicados são excessivamente otimistas no estudo da CNI, mas não vê saída sem que ocorram investimentos. “Ano que vem será ano eleitoral e as licitações precisam ser feitas neste ano, até para o governo poder mostrar o que fez e prestar contas ao povo para a eleição”, diz.
Seminário
O presidente da Abag apresentou o estudo na última sexta-feira, durante a Construction Expo 2013, em São Paulo. Depois da feira de construção civil, o tema voltará ao debate no 12º Congresso Brasileiro do Agronegócio, também em São Paulo, no dia 5 de agosto.
Fonte: Folha web

