Freio no crescimento da produção

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Atrair profissionais para trabalhar na produção de bergamotas em Montenegro está cada vez complicado para o citricultor Pedro Wollmann. O número de pessoas contratadas na propriedade de 62 hectares que mantém há mais de 40 anos na localidade de Passo da Pimenta, é o mesmo há anos pela falta de interessados.

 

O salário pago é maior do que na indústria da região, garante o produtor, mas o serviço, feito sobe chuva ou sol, não atrai trabalhadores. O resultado é o freio na ampliação da produção.

 

“Não é que a atividade seja ruim, mas as pessoas querem uma melhor” diz Wollmann.

 

Na produção de citros, frutas e hortaliças, geralmente realizada em propriedades menores, o problema também está na sucessão. Sem apoio da mão de obra familiar, a necessidade de contratação externa aumenta o que valoriza o salário.

 

De acordo com cálculo da Emater, o valor pago pelo dia de trabalho na produção de uva na região da Serra subiu 300% de 2007 a 2013, passando de R$ 20 para R$ 80. Enquanto isso, o preço mínimo do quilo da fruta foi reajustado em apenas 16% (R$ 0,49 para R$ 0,57) e a produtividade média por hectare também se manteve igual (20 mil quilos por hectare).

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“A relação da agricultura familiar é diferente. Não tem salário mensal. Sem pagamento, os jovens procuram oportunidades na cidade. Outra questão é a invisibilidade dos jovens nas propriedades, ou seja, a falta de valorização” analisa Vera Carvalho, responsável pelo trabalho de sucessão da agricultura familiar na Emater.

 

A solução passa por reconhecer os desejos da juventude no campo, pouco diferente daqueles que estão nas cidades.

 

“É preciso descentralizar as universidades. Levar o conhecimento favorece as atividades no campo. Tem a questão da telefonia celular e internet, e é preciso também uma política de interiorização dos serviços, com opções de lazer e entretenimento. Senão, a vida nas áreas rurais fica fundamentalmente voltada para o trabalho” alerta o professor Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Marcio Pochmann.

 

Fonte: Zero Hora


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