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Embrapa: inovação tecnológica na Agrobrasília 2013

Estudar a comunicação entre os insetos: inovação no controle biológico de pragas

Armadilhas desenvolvidas a partir de feromônios para controle de pragas da soja estarão entre as atrações da Embrapa na Agrobrasília 2013, que começa hoje (14/05) em Brasília, DF.

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Brasília, 14 de maio de 2013 – Uma tecnologia inovadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia para o controle biológico de percevejos-praga da soja estará à mostra no estande da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa durante a Agrobrasília 2013, que começa hoje (14/05) e se estende até o dia 18 de maio, no Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-DF), em Brasília. Trata-se da utilização de feromônios em armadilhas (FOTO) para monitorar e controlar populações de percevejos-praga em lavouras de soja. É uma tecnologia racional e sadia, que visa reduzir o uso de produtos químicos nas lavouras brasileiras sem perder o foco no aumento da produtividade agrícola.

            A Agrobrasília é uma feira de tecnologias e negócios agropecuários voltada aos empreendedores rurais de diversos portes que apresenta inovações tecnológicas para os diferentes segmentos do agronegócio brasileiro. É realizada no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, instalado no PAD-DF. Essa região é estratégica para a agropecuária dos cerrados, especialmente pelo pioneirismo e a geração e uso de técnicas de sucesso. O público esperado para este ano é superior a 60 mil pessoas.

           

Do laboratório para o campo: cientistas estudam a comunicação entre os insetos em prol de uma agricultura mais saudável

 

Assim como nós, seres humanos, os insetos também se comunicam. Só que, ao invés de palavras e gestos, eles fazem isso a partir de feromônios. São substâncias químicas de cheiro peculiar, presentes em cada espécie, que atuam como meios de comunicação. Na natureza, os insetos utilizam os feromônios para acasalar, demarcar território, detectar alimentos e avisar para os outros insetos sobre a presença de predadores.

Os cientistas reproduzem, em laboratório, as condições observadas na natureza para monitorar o comportamento dos insetos-praga e interromper a sua reprodução.  Os feromônios são extraídos, em laboratório, e colocados em armadilhas para monitorar e controlar os insetos nas lavouras.

No momento, os estudos estão direcionados para os percevejos que atacam lavouras de soja, principalmente o percevejo marrom, que é uma das piores ameaças a essa cultura no Brasil. Ele se alimenta diretamente nos grãos, causando sérios prejuízos no rendimento e na qualidade das sementes, como baixo vigor e menor teor de óleo.

 

Feromônios: lavouras saudáveis e alimentos mais seguros

 

A soja é uma das principais culturas agrícolas do Brasil, com uma produção de 67 milhões de toneladas, envolvendo 16 estados e uma área superior a 21 milhões de hectares. O percevejo da soja é uma das pragas mais nocivas a essa cultura de norte a sul do Brasil e também em outros países, como Argentina e Estados Unidos. O ataque dos percevejos causa atrofia nos grãos, diminuindo seu valor de mercado e resultando em prejuízos econômicos.

            Hoje a tecnologia existente para monitoramento e identificação da presença de percevejos nas lavouras de soja é a de pano de batida, que além de exigir mão-de-obra qualificada, demanda tempo dos técnicos envolvidos no monitoramento e, por isso, não é muito utilizada pelos produtores, especialmente em plantios extensivos. O controle dos percevejos tem se baseado em calendários de aplicações baseados na fenologia das plantas com intervenções pouco criteriosas, que não levam em conta a dinâmica dos percevejos no campo.

            As armadilhas desenvolvidas a partir de feromônios facilitam o monitoramento dos percevejos nas lavouras de soja, pois as capturas são especificas à praga-alvo, exigindo somente que o produtor conte o número de insetos. “O que se espera no futuro é que o produtor espalhe as armadilhas na área cultivada e faça inspeções semanais em busca de percevejos. Sempre que o número de insetos alcançar uma quantidade pré-determinada a aplicação de inseticida será recomendada, aumentando a efetividade do controle, e o mais importante: diminuindo o número de aplicações de pesticidas, o que protege o bolso do agricultor e o meio ambiente”, afirma o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Miguel Borges. 

            Segundo ele, os semioquímicos ocupam hoje cerca de 30% do mercado de biopesticidas no mundo, perdendo apenas para os inseticidas bacterianos e os botânicos.  No Brasil, o mercado de semioquímicos está em franca expansão, com mais de 15 produtos registrados e outros em fase de registro.

 

Fernanda Diniz

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