Cotações do arroz já recuperam 3,7% em abril

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O indicador de preços do Arroz em Casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&F Bovespa (Rio Grande do Sul, 58% de grãos inteiros) fechou a última quinta-feira, 24/4, apontando o preço médio de R$ 31,96/saca de 50 kg, à vista. A valorização foi de 55 centavos por saca, em uma semana.

 

O valor é 3,77% maior do que o registrado no último dia de março. Pela cotação desta quinta-feira, a saca de arroz em casca equivale a 15,91 dólares, ou 35 centavos de dólar acima da semana passada. O chamado mercado “livre” gaúcho opera com preços médios entre R$ 31,50 a R$ 32,00 para o arroz até 58/59. Colocado na indústria, o produto pode alcançar até R$ 33,00. No Litoral Norte, as variedades nobres (64×6) alcançam R$ 37,00 de média, por 50 quilos em casca, e na Fronteira Oeste (60×8) batem na casa de 34,00, como referencial.

 

CONJUNTURA

 

A gradual confirmação, pelos arrozeiros, de que a safra gaúcha será menor do que o inicialmente projetado, por causa de quebras climáticas e fitossanitárias, e a retenção do produto colhido pelos agricultores que começam a comercializar a soja e o milho, estão garantindo um cenário de recuperação dos preços do arroz em plena safra. Com a colheita chegando aos 90% da área semeada, o Rio Grande do Sul entra na reta final de recolhimento dos grãos para os armazéns, o que permite à cadeia produtiva uma melhor avaliação dos resultados. O cultivo de milho e soja em várzea deu ótimo resultado nesta safra, sendo responsável também pela melhora no preço do arroz, pois reduziu a concentração da oferta.

 

A indústria, percebendo que seus silos ainda não estão cheios por quebra ou retenção de grão pelos produtores, tem se apresentado ao mercado e semanalmente ofertado valores superiores. As pequenas e médias empresas são a ponta de lança deste comportamento, o que para algumas empresas de pequeno porte pode ser um mau negócio, pois não têm grande capacidade de negociação com o varejo e suas margens são bem apertadas.

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As exportações, apesar do volume bem abaixo do registrado em 2012, seguem com um fluxo razoável, acima do semestre final do ano comercial 2012/13, o que mantém a expectativa do setor para as vendas externas. Note-se que, à medida que os preços internos subirem, cai a competitividade nacional, já afetada pelas dificuldades impostas pelo apagão logístico. Menos mal que os problemas de falta de estrutura nos portos e armazéns não afetam de maneira tão significativa o arroz.

 

Devemos lembrar que o Brasil precisa de um ótimo desempenho nas vendas externas no primeiro semestre do ano comercial 2013/14 – portanto de março a agosto de 2013 – para fazer uma boa média de exportação e um saldo positivo na balança comercial. A partir de agosto, com a entrada da safra estadunidense e o fluxo de vendas dos países do Mercosul para o mercado doméstico brasileiro, a balança comercial tende a ser equilibrada ou até deficitária até fevereiro de 2014. Neste momento, o esforço das indústrias nas vendas internacionais tem sido fundamental para manter cotações remuneradoras aos produtores. E às próprias indústrias, que reduzem significativamente a ociosidade de suas plantas.

 

A safra menor traz outro efeito importante: o Brasil tem nesse momento o menor estoque de passagem nos últimos 10 anos, o que ajusta os volumes de oferta e demanda e projeta estoques ainda menores do que o esperado ao final deste ano comercial, em fevereiro de 2014, próximos de 1 milhão de toneladas. O volume final, no entanto, depende de fatores como a importação e a exportação, cujas projeções são próximas da realidade, e do consumo nacional, que é uma incógnita. Os próprios estoques brasileiros estimados pelo governo não têm a total concordância da cadeia produtiva que os estima para cima ou para baixo de acordo com os seus interesses. E do governo.

 

BANCOS

 

 

Também interfere positivamente nos preços ao agricultor, o fato das três principais instituições bancárias ligadas ao setor agrícola no Rio Grande do Sul: Banco do Brasil, Sicredi e Banrisul, estabelecerem regras claras para a repactuação das dívidas arrozeiras. O setor espera agora que o governo federal estabeleça uma negociação que envolva os bancos privados. Esta semana a cadeia produtiva comentou bastante sobre algumas instituições privadas de crédito que começaram a chamar alguns produtores para renegociar dívidas, flexibilizando prazos e encargos para viabilizar um novo pacto pelo pagamento do passivo. Embora não aplicando integralmente as vantagens de taxas de juros e prazo de 10 anos para pagamento, algumas instituições, caso a caso, já se convenceram que a renegociação é um bom negócio.

 

Ainda assim, o setor espera pela reunião prometida entre o MAPA, o MFAZ, a Febraban e os bancos privados – que foi desmarcada na semana que passou – para desatar este nó da renegociação entre arrozeiros e tais instituições financeiras. A Federarroz segue pressionando neste sentido.

 

ESTADOS

 

Enquanto isso, em outras praças importantes de produção e comercialização do arroz no Brasil, o cenário tem suas diferenças. Em Santa Catarina os preços se mantêm estabilizados, apesar da safra já ter sido concluída. Uma quebra, que poderá alcançar 20% em alguns importantes municípios produtores do Sul Catarinense, é capaz de afetar esta estabilidade nos próximos dias, seja pela forte demanda das indústrias ou pelo efeito da progressão dos preços no Litoral Norte gaúcho. Ainda assim, a relação entre oferta e demanda em Santa Catarina, normalmente é equilibrada, refletindo desta forma nos preços.

 

Já no Mato Grosso, a concentração da oferta do arroz fez os preços médios despencarem em Sinop e Sorriso, para a faixa de R$ 31,00 a R$ 32,00, em média. A oferta concentrada e um volume de produção superior à capacidade instalada de silos nas indústrias de arroz neste momento – uma vez que o Mato Grosso tem sérios problemas de logística para armazenar sua grandiosa safra de grãos, gera uma queda nos preços, que pode perdurar até maio. A proximidade com o Paraguai, grande exportador de arroz para o Brasil mesmo em época de colheita, também interfere no mercado do Mato Grosso. Ainda assim, os produtores deste estado que tiverem capacidade de armazenar o arroz, têm grandes chances de obterem ótimos preços no segundo semestre, segundo análise dos corretores locais.

 

DICA

 

O setor deve ficar de olho nas regras aprovadas em primeiro turno para a nova conformação do ICMS, no Senado. Mudanças políticas sobre as questões técnicas podem tornar o projeto em mais um “Frankstein”, completamente desfigurado, e que não eliminará as desigualdades como o proposto no projeto inicial. Na versão aprovada, os estados do Norte/Nordeste/Centro Oeste e Espírito Santo mantêm vantagens sobre o Sul e parte do Sudeste.

 

MERCADO

 

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços mais altos esta semana para o arroz em casca em sacas de 50 quilos (58×10), cotado a R$ 32,20, em média, no Rio Grande do Sul (alta de 40 centavos sobre a semana passada). A saca de 60 quilos de arroz beneficiado, tipo 1, é cotada em estáveis R$ 66,00. Os quebrados e o farelo seguem com estabilidade de preços em função da ótima safra gaúcha de milho e soja, produtos preferenciais para a ração animal. Sendo assim, a quirera é cotada a R$ 33,00 (60kg) e a tonelada do farelo de arroz (FOB/Arroio do Meio) em estáveis R$ 330,00. Com uma demanda interessante para a exportação, o canjicão (60kg) registrou alta de R$ 1,00 por saca esta semana, para R$ 37,00.

 

Fonte: Planeta Arroz


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