Fundo de Peltz amplia fatia na Pepsico e Mondelez
O fundo de investimentos Trian Fund Management, do investidor Nelson Peltz, passou a deter participações equivalentes a US$ 1,4 bilhão na PepsiCo e US$ 1,3 bilhão na Mondelez International, de acordo com fontes próximas ao assunto. A informação reforça as especulações de que o Trian e outros investidores podem pressionar a empresa a separar os negócios de lanches e bebidas, fundir as operações com a Mondelez ou ambos.
O valor das participações, que se baseia no fechamento das ações na quinta-feira, 18, representa um aumento significativo da atuação do fundo em ambas as empresas desde o final de 2012. No fim de dezembro, o Trian possuía apenas 3,9 milhões de ações da PepsiCo, no valor de US$ 269,1 milhões, e 19,4 milhões de papéis da Mondelez, no valor de US$ 494,2 bilhões, conforme um documento apresentado pelo fundo sobre as participações que detinha no quarto trimestre do ano passado.
Na tarde desta sexta-feira, 19, as ações da Pepsico subiam 1,54%, a US$ 82,50. A empresa tem valor de mercado de cerca de US$ 128 bilhões. Os papéis da Mondelez, avaliada em cerca de US$ 55 bilhões, avançavam 4,75%, a US$ 31,53.
Em comunicado divulgado mais cedo, a PepsiCo disse que tem feito reuniões com o Trian nas últimas semanas ‘para discutir e considerar as ideias e iniciativas do fundo, como parte da avaliação contínua de todas as oportunidades para impulsionar o crescimento de longo prazo e o valor para o acionista’. A empresa afirmou, no entanto, que não está em busca de grandes fusões e aquisições.
A Mondelez não quis comentar a participação do fundo na empresa. Também em comunicado, a empresa disse que está ‘focada em alavancar o mix de produtos, posições de liderança de mercado e a forte presença em diferentes mercados para proporcionar um desempenho financeiro de alto nível e aumentar o valor para todos os acionistas’.
A PepsiCo obtém cerca de metade da receita com bebidas e a outra metade com lanches. Entre as marcas da empresa, estão as batatas Lay, a aveia Quaker e as bebidas Pepsi-Cola e Gatorade. A Mondelez tem marcas como biscoitos Oreo, chocolates Cadbury e gomas de mascar Trident.
As motivações de Peltz para o aumento da participação não são claras, mas o investidor tem um histórico de pressionar por mudanças dramáticas nas empresas em que investe. Em 2007, ele sugeriu à Cadbury que dividisse os segmentos de bebidas e doces da empresa. Poucos meses depois, a Cadbury fez exatamente isso. Também em 2007, Peltz começou a elevar a participação na Kraft Foods. Mais tarde, lançou a ideia de a Kraft adquirir a Cadbury e pressionou pela separação da empresa em duas. A Kraft então dividiu, em outubro do ano passado, o negócio norte-americano de alimentos, que continuou se chamando Kraft, da divisão internacional de petiscos, que foi nomeada Mondelez.
No ano passado, a PepsiCo rechaçou pedidos de alguns investidores e analistas de divisão da empresa, argumentando que se beneficiava de escala. A companhia iniciou então uma reestruturação da sua unidade de bebidas, cujo desempenho é mais fraco do que o setor de lanches. A pressão por mudanças na PepsiCo diminuiu nos últimos meses, quando o preço das ações subiu.
A empresa relatou na quinta-feira, 18, que o lucro líquido caiu 4,6% no primeiro trimestre ante igual período de 2012, para US$ 1,08 bilhão. Já a receita cresceu 1,2%, para US$ 12,58 bilhões. Em teleconferência com analistas e investidores, a chairman e CEO da PepsiCo, Indra Nooyi, reiterou que acredita que o portfólio da empresa é ‘equilibrado’ e capaz de proporcionar fortes lucros. A empresa prevê que o lucro aumente 7% neste ano.
Fonte: Dow Jones.

