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China diz trocar soja brasileira pela da Argentina

Em função dos atrasos nos embarques nos portos brasileiros, a importadora chinesa Sunrise disse nesta quinta-feira que pretende trocar suas compras da soja brasileira pela argentina a partir de abril.

 

Segundo Shao Guorui, gerente de grãos e óleos da empresa, o cancelamento da carga de dez navios vindos do Brasil e de mais outros 23 que deveriam atracar nos próximos meses se deu para evitar um “enorme prejuízo”, uma vez que “não adianta ter um preço bom se a soja não pode ser entregue”.

 

Guorui conta que a Sunrise deveria ter recebido seis navios em fevereiro e seis em março, mas a chegada dos carregamentos foi adiada para o próximo mês. “Não há nem informação de quando os navios estarão prontos”, apontou o gerente.

 

A Sunrise, no entanto, nega que esta seja uma estratégia para renegociar os preços do produto. A empresa é uma das maiores importadoras de soja do país, comprando cerca de 8 milhões de toneladas do ano, das quais 3 milhões são provenientes do Brasil.

 

De longe o maior consumidor mundial do produto, a China se encontra agora em uma situação na qual o preço está alto, por conta do pouco suprimento. A diferença entre o preço atual e o de chegada do produto na China, quando o mercado está abastecido, é a origem do “enorme prejuízo” previsto pela Sunrise.

 

Por outro lado, o analista de mercado da SIM Consult, Liones Severo, afirma em um artigo publicado no Notícias Agrícolas que estas ameaças não passam de um “ensaio provocativo”, já que a trading chinesa não representa qualquer correspondência em negócios de soja física. Severo destaca que os negociadores chineses em geral não têm interesse em cancelar negócios de soja em qualquer parte. “Seria um grande risco depredar a produção que os abastece”, conclui.

 

As entregas brasileiras veem como seu grande vilão o chamado “apagão logístico”. Os caminhões de soja estão parados no acesso ao porto de Santos, responsável por um terço dos embarques. Segundo o ministro-chefe da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino, o clima e a produtividade do campo são os maiores responsáveis pela situação. “O problema mais grave hoje é o aumento da produção como a quantidade de chuva que está caindo. Com essa chuva, não tem condições de movimentar granel”, declarou.

 

A Medida Provisória 595, que dá espaço a novos investimentos privados em portos e o programa de concessão de ferrovias e rodovias são medidas estudadas pelo governo para melhorar a situação. Mas, até o presente momento, as medidas estão apenas no papel.

Fonte: Notícias Agrícolas // Ízadora Pimenta

Janielly Santos

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