Safra de Trigo do RS Deve Cair 36% e Acende Alerta no Setor

A safra de trigo do RS deve cair 36,4% em 2026 devido à redução de área plantada, incertezas climáticas e dificuldades de crédito rural.

Para Quem Tem Pressa

A safra de trigo do RS deverá registrar uma queda de 36,4% em 2026, segundo a primeira estimativa divulgada pela Emater. A produção foi projetada em 2,2 milhões de toneladas, contra 3,46 milhões de toneladas na temporada anterior. A redução está ligada principalmente à diminuição da área cultivada, ao receio dos produtores em relação ao fenômeno El Niño, às dificuldades de acesso ao crédito rural e aos baixos preços do cereal no mercado internacional. Enquanto o trigo perde espaço, a canola avança e pode dobrar sua produção no Estado.


Facebook Portal Agron, nosso canal do Whatsapp Portal Agron, o Grupo do Whatsapp Portal Agron, e Telegram Portal Agron mantém você atualizado com as melhores matérias sobre o agronegócio brasileiro.

Acompanhe as cotações de soja, milho, boi gordo, vaca gorda, novilha gorda e boi China


Safra de trigo do RS deve registrar forte retração em 2026

A safra de trigo do RS deverá sofrer uma das maiores reduções dos últimos anos. De acordo com a Emater, vinculada ao governo do Rio Grande do Sul, a produção estadual foi estimada em 2,2 milhões de toneladas para a temporada 2026.

O volume representa uma queda de 36,4% em comparação com as 3,46 milhões de toneladas colhidas em 2025.

O Rio Grande do Sul tem ocupado posição de destaque como principal produtor brasileiro de trigo nos últimos anos. Por isso, a redução esperada desperta atenção em toda a cadeia produtiva nacional.

Segundo a Emater, a principal razão para a queda da safra de trigo do RS é a diminuição da área plantada, estimada em 814,2 mil hectares.

O número representa uma retração de 30,2% em relação ao ciclo anterior.


Produtores demonstram cautela diante do El Niño

Entre os fatores que influenciaram a decisão dos agricultores está a preocupação com o retorno do fenômeno El Niño.

O diretor técnico da Emater, Mateus Rocha, explicou que muitos produtores estão receosos quanto ao comportamento climático durante o desenvolvimento da cultura.

Segundo ele, a insegurança é compreensível porque o El Niño costuma provocar um inverno e uma primavera mais chuvosos na região Sul do Brasil.

Esse cenário favorece o surgimento de doenças nas lavouras e exige maiores investimentos em manejo fitossanitário.

“Essa diminuição de área acaba também impactando a produção. Questão muito lógica, mas importante destacar: em um cenário de El Niño, o produtor fica na insegurança de fato com a cultura do trigo”, afirmou Rocha durante coletiva de imprensa.


Excesso de chuva pode comprometer qualidade

Além do aumento da pressão de doenças, o excesso de precipitações pode trazer prejuízos durante a fase final da cultura.

Quando ocorrem chuvas intensas no período de colheita, a qualidade dos grãos tende a ser reduzida.

Esse fator afeta diretamente a comercialização e a rentabilidade do produtor.

Rocha destacou que o trigo possui características que exigem maior atenção sanitária quando comparado a outras culturas.

“O trigo tem como característica ser uma cultura mais delicada em questões fitossanitárias”, observou.


Menor investimento em insumos preocupa técnicos

Outro fator considerado pela Emater é a expectativa de redução da produtividade média das lavouras.

A avaliação ocorre porque muitos produtores estão reduzindo investimentos em insumos agrícolas diante do cenário econômico mais desafiador.

Com menor aplicação de tecnologias, fertilizantes e defensivos, o potencial produtivo pode ser comprometido.

Essa situação reforça a tendência de queda da safra de trigo do RS, que já enfrenta impactos relacionados ao clima e à redução da área cultivada.


Crédito rural e preços baixos pressionam o setor

A disponibilidade de crédito rural também aparece entre os principais desafios enfrentados pelos agricultores.

De acordo com Mateus Rocha, existe um ambiente de insegurança quando o assunto é financiamento da produção.

“A terceira questão é o crédito. Estamos passando por uma insegurança muito grande quando falamos sobre crédito rural e o produtor está sentindo, vemos o produtor mais descapitalizado”, declarou.

A dificuldade de acesso a recursos financeiros reduz a capacidade de investimento e influencia diretamente as decisões de plantio.

Ao mesmo tempo, o mercado internacional apresenta ampla oferta de trigo, pressionando os preços pagos aos produtores brasileiros.

Segundo Rocha, a combinação entre baixa rentabilidade e riscos climáticos faz com que muitos agricultores optem por reduzir o cultivo.

“E o produtor vê isso e acaba se retraindo”, afirmou.


Brasil pode ampliar importações de trigo

A redução da safra de trigo do RS ocorre em um momento delicado para o abastecimento nacional.

Especialistas já vinham alertando para uma possível necessidade de aumento das importações brasileiras de trigo em 2026.

O cenário também inclui dificuldades no Paraná, outro importante produtor nacional, onde o plantio está mais avançado.

Tradicionalmente, o Brasil depende do mercado externo para suprir aproximadamente metade de seu consumo interno de trigo.

Com menor produção doméstica, a tendência é de crescimento das compras internacionais ao longo do ano.


Canola segue caminho oposto e deve dobrar produção

Enquanto o trigo perde espaço nas propriedades rurais gaúchas, a canola apresenta trajetória oposta.

A oleaginosa, amplamente utilizada na produção de biocombustíveis, deverá alcançar 572 mil toneladas em 2026.

O volume representa praticamente o dobro da produção registrada no ano anterior.

A área cultivada também deverá apresentar expansão semelhante, chegando a 353 mil hectares.

Segundo a Emater, a canola tem atraído produtores por apresentar condições de mercado mais favoráveis.

Além dos preços mais atrativos, muitos agricultores contam com contratos firmados junto às indústrias, oferecendo maior previsibilidade e segurança para o plantio.


Perspectivas para a safra de inverno no Rio Grande do Sul

O cenário projetado pela Emater mostra que a safra de trigo do RS enfrenta uma combinação complexa de desafios climáticos, econômicos e financeiros.

A redução da área plantada, o temor em relação ao El Niño, a menor disponibilidade de crédito rural e os preços internacionais enfraquecidos criam um ambiente de cautela entre os produtores.

Por outro lado, culturas como a canola ganham espaço ao oferecer perspectivas mais favoráveis de rentabilidade e comercialização.

Os próximos meses serão decisivos para confirmar as projeções e medir o impacto efetivo dessas mudanças sobre a produção agrícola do Rio Grande do Sul e sobre o abastecimento brasileiro de trigo.

Imagem principal: Depositphotos.

Douglas Carreson

Recent Posts

7 plantas que criam sombra natural nas varandas e fazem o ambiente parecer muito mais fresco e confortável durante as tardes mais quentes do verão

Algumas espécies conseguem transformar a sensação térmica da varanda ao criar camadas de sombra, reduzir…

1 hora ago

5 habilidades impressionantes dos cães que as pessoas nunca vão conseguir competir

Muito além da obediência: algumas capacidades dos cães continuam desafiando a ciência e explicam por…

22 horas ago

5 plantas para fazer quintais pequenos parecerem muito maiores e criar uma profundidade visual surpreendente

Com as plantas certas, até poucos metros quadrados podem ganhar camadas, altura e uma sensação…

23 horas ago

9 curiosidades sobre o corpo humano que acontecem diariamente sem que a maioria das pessoas perceba o que está ocorrendo

O corpo humano realiza milhares de ajustes silenciosos por dia para manter equilíbrio, proteção, energia…

1 dia ago

O que está por trás da queda dos grãos na bolsa de Chicago?

A safra americana de grãos avança em boas condições e aumenta a pressão sobre soja,…

1 dia ago

This website uses cookies.