Agronegócio exporta 10% mais no 1º bimestre
As exportações do agronegócio brasileiro cresceram 10,1% no primeiro bimestre frente ao mesmo período do ano passado e atingiram US$ 12,88 bilhões. A participação alcançou 40,9% do total da receita das exportações (US$ 31,515 bilhões) nos dois primeiros meses deste ano. O avanço foi significativo em relação aos 34,2% no primeiro bimestre de 2012.
As exportações totais recuaram 7,8% no período, pressionadas pelo desempenho dos demais segmentos da economia, que tiveram uma queda de 17,1% no faturamento em relação aos dois primeiros meses do ano passado, para US$ 18,634 bilhões. O superávit da balança do agronegócio brasileiro no primeiro bimestre cresceu 13,8% na comparação anual, para US$ 10,133 bilhões. Nos demais segmentos, o déficit se aprofundou em 81,6%, para US$ 15,448 bilhões.
O estudo feito pela Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio, do Ministério da Agricultura, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que as importações do agronegócio recuaram 1,8% (para US$ 2,748 bilhões), enquanto nos demais segmentos da economia houve aumento de 10% (para US$ 34,082 bilhões).
Soja
O desempenho da balança do agronegócio no primeiro bimestre sofreu o impacto do baixo desempenho do complexo soja, que tradicionalmente lidera as exportações. A queda se deveu aos baixos estoques de passagem, remanescentes das exportações recordes do ano passado. Outro motivo foi o excesso de chuvas que atrasou o início da colheita no Centro-Oeste.
Segundo o estudo, as exportações do complexo soja declinaram 40% em valor (para US$ 1,284 bilhão) e 52,2% em volume (para 2,313 milhões de toneladas). O preço médio subiu 25,3%, para US$ 555/tonelada. No caso da soja em grão, houve queda de 56,1% na receita (para US$ 517 milhões) e de 62,8% no volume (para 960 mil toneladas), enquanto o preço médio subiu 18% (para US$ 538/tonelada).
Os embarques de farelo – que alcançaram 1,286 milhão de toneladas, 37,2% mais que nos dois primeiros meses de 2012 – geraram US$ 688 mil, cifra 6,5% menor do que a apurada no mesmo período um ano antes. O preço médio do farelo subiu 48,9%. As exportações do óleo recuaram 65,4% em valor (para US$ 79 milhões) e 67,5% em volume (para 67 mil toneladas). O preço médio do óleo subiu 6,6%, para US$ 1.182/tonelada.
Carnes
No primeiro bimestre, as carnes se destacaram em primeiro lugar nas exportações, com aumentos de 12,2% na receita (para US$ 2,526 bilhões), de 3,6% nos embarques (para 934 mil toneladas) e de 8,4% no preço médio (US$ 2,705/tonelada). O aumento de 10,7% no preço médio do frango (para US$ 2.052/tonelada) compensou a queda de 5,2% no volume embarcado (para 549 mil toneladas) e elevou a receita em 4,3% (para US$ 1,127 bilhão).
No caso da carne bovina, os preços médio recuaram 4,9% (para US$ 4,451/tonelada), mas o aumento de 33% no volume exportado (para 217 mil toneladas) ampliou a receita em 26,5%, para US$ 964 mil. Também houve alta de 10,4% na receita obtida com os embarques de carne suína no primeiro bimestre (para US$ 212 milhões) devido ao crescimento de 7,4% no volume embarcado (para 81 mil toneladas) e à elevação de 2,8% no preço médio (para US$ 2.638/tonelada).
Complexo sucroalcooleiro
O complexo sucroalcooleiro ocupou o segundo lugar no ranking de exportação do agronegócio, com ganho de 39,1% na receita (para US$ 2,342 bilhões) e de 67% no volume embarcado (para 4,524 milhões de toneladas). O preço médio caiu 16,7% no primeiro bimestre, para US$ 518/tonelada. As exportações de açúcar cresceram 58,5% em volume (para 4,075 milhões de toneladas) e 39,1% em receita (para US$ 1,974 milhão) com a queda de 19,2% no preço mínimo (US$ 484/tonelada). As vendas externas de etanol cresceram 229% em volume nos dois primeiros meses (para 448 mil toneladas) e 160% em receita (para US$ 160,2 milhões). O preço médio do biocombustível recuou 20,9%, para US$ 820/tonelada.
Milho
O milho segue como destaque na balança do agronegócio, por causa das exportações que foram impulsionadas a partir do segundo semestre do ano passado, quando se confirmaram as expectativas sobre a forte quebra da safra norte-americana do cereal. Os embarques de milho no primeiro bimestre saltaram 404% ante igual intervalo de 2012 e atingiram 5,662 milhões de toneladas. A receita aumentou 443,2% e somou US$ 1,595 bilhão. O preço médio subiu 7,8% e ficou em US$ 282/tonelada.
Trigo
O principal produto importado nos dois primeiros meses deste ano foi o trigo, com crescimento de 70,2% nas despesas, que atingiram US$ 378 milhões. O volume de trigo trazido de fora nos dois primeiros meses do ano aumentou 24,8% em relação a igual período do ano passado, para 1,139 milhão de toneladas. O preço médio pago na importação do cereal subiu 36,4%, para US$ 332/tonelada.
Fonte: Valor Economico

