Fertilizantes biodegradáveis no campo
Os polímeros, compostos químicos de elevada massa molecular, foram o ponto de partida do estudo desenvolvido como trabalho de conclusão de curso das alunas Odilene Cardoso e Vanessa Bezerra, do curso de Engenharia de Materiais, orientado pelo professor Cleber Silva (IFPA – Campus Belém) e pelo pesquisador Eraldo Tavares (Embrapa). As macro-moléculas dos polímeros são formadas por unidades menores, chamadas de monômeros. O cientista Hermann Staudinger foi o pioneiro nos estudos teóricos de estrutura e propriedade dos polímeros naturais e sintéticos. Iniciou os estudos em 1920, mas foi apenas a partir da segunda metade do século XX que esse material começou a ser utilizado em larga-escala pela indústria.
Os polímeros estão presentes no cotidiano da vida moderna das pessoas: pneus, garrafas de refrigerante, brinquedos, partes de eletroeletrônicos entre uma infinidade de outros objetos do dia a dia levam polímeros na sua composição. Dois pontos positivos do uso desses compostos são a sua resistência e versatilidade. Um ponto extremamente negativo era o fato de muitos desses materiais necessitarem de mais de 100 anos para se degradar na Natureza. Graças, porém, ao avanço da tecnologia, foram desenvolvidos nos últimos anos, polímeros biodegradáveis, utilizados na indústria biomédica e farmacêutica. Agora, pesquisadores paraenses mostram que a nova tecnologia também pode ser aplicada em outros setores, como a agricultura.
FUNCIONAMENTO
De acordo com o professor Cleber, a pesquisa intitulada ‘Síntese, Caracterização e Aplicação de Hidrogéis de Poliacrilamida-co-metilcelulose’ é inovadora na região amazônica. “O poligel é utilizado para dispersão de nutrientes no solo e ele é biodegradável”, explica. O docente esclarece que esse material se diferencia dos outros fertilizantes utilizados no mercado agrícola porque enquanto alguns nutrientes são muito voláteis e se perdem facilmente com o calor, o hidrogel retém esses nutrientes e quando chove os libera gradativamente, então o solo que é pobre passa a ter um enriquecimento paulatino: “isso garante um melhor aproveitamento do nutriente jogado no solo para o cultivo agrícola”, explica.
