Biocombustíveis Usinas Itamarati
Usinas Itamarati projeta melhora de margem após reajuste no preço do combustível
Sylvio Coutinho, presidente da Usinas Itamarati, empresa do setor sucroenergético, está otimista com as recentes mudanças anunciadas pelo governo, que definiu um reajuste no preço dos combustíveis, além do acréscimo de 20% para 25% da mistura de álcool na gasolina.
As medidas anunciadas na última semana indicam um cenário mais favorável para o setor, que tem enfrentado diversas barreiras nos últimos anos. “O ano passado foi o pior momento que o setor sucroenergético viveu”, destaca o executivo. É que desde a crise de 2009, o setor tem perdido sua liquidez. “Houve dificuldade de replantar os canaviais, além da seca, o que puxou a queda na produção.”
A indústria sucroalcooleira do Brasil tem enfrentado dificuldades para garantir margens de lucro, em meio ao aumento de custos de produção e à estagnação dos preços de açúcar e etanol. De acordo com o presidente da Itamarati, sem conseguir repassar o custo no etanol, houve uma forte alta na produção de açúcar. “Como a oferta aumentou, o preço começou a cair, o que resultou em margens menores. Para ter uma ideia, com base em dados da ESALQ, o preço que estava em R$ 76 em janeiro do ano passado, passou para R$ 47 no mesmo período deste ano.”
Prevendo uma melhora na safra (2013/2014) que tem início em abril, Coutinho acredita que as medidas anunciadas pelo governo vão abrir espaço para alta do etanol. Mesmo assim, vale lembrar que o preço da gasolina funciona como um teto para o etanol, uma vez que o biocombustível só é competitivo na bomba se estiver num patamar de até 70% em relação ao combustível fóssil.
De olho nisso, a Itamarati localizada no município de Nova Olímpia (Mato Grosso), estima alcançar a moagem de 6 milhões de tonelada de cana na próxima safra, em que 65% será etanol e 35% açúcar.
Na safra atual (2012/2013) , de acordo com o executivo, o etanol respondeu por 56%. “A expectativa do setor é que com o aumento da mistura do anidro à gasolina, puxe uma necessidade de 1,5 bilhão de litros. Atento a isso, estamos renovando nosso canavial”, explica o executivo que abastece as distribuidoras BR, da Petrobras e a Equador, em Manaus.
Segundo Coutinho, a Usinas Itamarati renovou 11 mil hectares de seu canavial (equivalente a 4%), que atualmente soma 56 mil hectares. “Para a próxima safra nossa intenção é renovar mais 10 mil hectares”, destaca o presidente que tem 100% do seu processo de produção automatizado. Em média, os canaviais são renovados a cada cinco anos, a fim de garantir a produtividade. Isso porque a cada colheita, a concentração de açúcar na planta diminui, impactando a produtividade.
Disposto a melhorar o nível de produção, Coutinho da Usinas Itamarati acredita que em um ambiente climático favorável e seguindo o plano de renovar o canavial é possível realizar a moagem de 6,5 milhões de toneladas de cana, a atual capacidade da usina.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) considerou a medida de reajuste de combustível positiva, mas ressalvou que é apenas uma das ações necessárias para compensar as perdas do setor. “Medidas pontuais, como a de hoje, ou as outras que vêm sendo cogitadas, serão positivas no curto prazo, mas não substituem ou eliminam a importância de medidas mais amplas”, disse a entidade por meio de nota.
Fonte: Brasil Econômico com Reuters

