Preço da soja deve se manter
Pela terceira vez, Estados Unidos espera colher uma safra de 90 milhões de toneladas do grão
A história de que não haverá tanta soja norte-americana disponível no mercado em 2013/2014 pode não ser totalmente verdadeira. Quem afirma é o consultor Marcos Rubim, da Agroconsult, empresa organizadora do 10º Rally da Safra. Rubim diz que os Estados Unidos, apesar da seca que atingiu o país em 2012 (o que fez com que a safra de soja fosse de 82,1 milhões de toneladas), o próximo ciclo pode ser, sim, de 90 milhões de toneladas. “Por isso, os preços da soja devem se manter firmes até que a safra norte-americana comece a se definir”, diz Rubim.
“Os americanos estão projetando ter uma safra de 92,90 milhões de toneladas de soja, se as condições climáticas permitirem”, diz ele.”Esta produção é esperada, há pelo menos, três safras”.Com este cenário, o preço deve cair e se manter em US$12 por bushel. “Ainda assim é um preço muito bom”. Atualmente, o bushel gira em torno de US$ 13,30.
De acordo com o consultor, a área plantada com soja estimada para aquele país na próxima safra é de 31,6 milhões de hectares, um aumento de 5,8% em relação à safra de 2012/2013. No Brasil, a área deve ser de 27,7 milhões de hectares e a produção, de 84 milhões de toneladas. Com isso, o Brasil segue firme como grande exportador de soja para a China, com vendas estimadas em 65,5 milhões de toneladas do grão (em 2011/2012, as vendas de soja para a China somaram 60 milhões de toneladas).
Chuva em demasia
As regiões plantadas com soja avaliadas pelo Rally da Safra indicam que o Brasil está realmente a caminho de uma supersafra de 84 milhões de toneladas do grão. No Oeste do Paraná, a produção deve ser muito boa nesta safra; Mato Grosso do Sul apresenta alguns bolsões de seca intensa, mas com poucas perdas, enquanto em Mato Grosso, apesar do excesso de chuvas nos últimos 20 dias, a colheita da soja de ciclo médio e tardia deve ser muito boa. “Sozinho, Mato Grosso teria condições de produzir 150 milhões de toneladas, ainda tem muito para crescer e produzir”, diz Rubim.
De toda a produção estimada, cerca de 70% já está vendida. O aumento da produção se deve, basicamente, ao uso de mais tecnologias e investimento em maquinário (cerca de 53 mil máquinas a mais no campo nesta safra). O produtor Bortolo Bravin, da Fazenda Santa Clara, comprou para esta temporada pelo menos duas plantadeiras novas, de R$ 1,2 milhão cada. “Eu tenho que investir para dar conta da produção, porque com estas novas variedades de soja, novas tecnologias, a produção vem pesada. Se eu não trocasse o maquinário, não teria condições de colher agora. Uma coisa chama a outra”, afirma. “Duro mesmo é achar gente pra pilotar uma máquina dessa”, diz.
Na Fazenda Santa Clara, quem pilota as colheitadeiras e plantadeiras são os próprios donos. “Não tem mão-de-obra”, lamenta. Na região de Rondonópolis, um tratorista recebe, em média por temporada (45 dias), quatro salários mínimos.
Fonte:Globo Rural, por Viviane Taguchi

