Pequenos produtores do Noroeste do Paraná dobram a produção graças ao apoio de entidades públicas e empresas privadas.
Conseguir produzir com qualidade e eficiência não é uma tarefa fácil na pecuária leiteira, ainda mais para aqueles que não possuem uma assistência técnica adequada. Até 2009, por exemplo, pequenos produtores da região do Arenito, Noroeste do Estado, conviviam com a falta de orientação técnica, o que resultava em uma baixa competitividade do setor. Por causa dessa deficiência, o resultado não poderia ser outro: baixa produção e produtividade, além da má qualidade do leite coletado. Mas há quase dois anos os criadores da região têm sido beneficiados com a implantação do projeto Leite Arenito Caiuá, que tem por objetivo de levar a assistência técnica aos criadores da região.
Gerenciado pelo Fórum dos Promotores do Desenvolvimento do Agronegócio Paranaense, coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), em parceria com empresas e entidades paranaenses, os 155 produtores inscritos no programa já registraram um crescimento de 50% na produtividade desde a implantação do programa. Com o apoio dos laticínios da região e do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), foram disponibilizados agrônomos e veterinários que têm a função de orientar os produtores de leite a melhorarem o potencial produtivo das fazendas por meio de regras simples de alimentação e manejo do pasto.
Joaquim Rocha Martins, coordenador do projeto e membro representante do Emater, explica que os primeiros estudos para a implantação do programa começaram em 1998, elaborados pela entidade, em parceria com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), por meio da Rede de Referência para Agricultura Familiar. “Em 10 anos de estudos, fizemos todo o levantamento da região e definimos estratégias para a produção de gado de leite a pasto”, explica Martins.
Além do apoio do Emater, o programa conta com a contratação de veterinários e agrônomos particulares para dar conta da demanda. Metade dos custos da contratação é bancado pelos laticínios e o restante fica a cargo do produtor. Ao todo, seis indústrias da região estão cadastradas no programa. Martins conta que quando começou o projeto, a taxa de ocupação das propriedades cadastradas eram de uma fêmea por hectare. Hoje, esse índice saltou para seis vacas por hectare. Segundo o coordenador, o investimento em melhores pastagens foi um dos principais fatores para esta elevação.
Em produção, no início do projeto a média da região era de 4,5 litros de leite por vaca/dia. Hoje o volume em algumas propriedades pode chegar a até 15 litros por vaca/dia. Segundo Martins, um dos primeiros aspectos trabalhados para conseguir este resultado foi a nutrição. “Essa questão foi trabalhada individualmente com cada produtor, analisando a necessidade de cada um”, observa. Questões ligadas à produção contínua de volumoso, sanidade, reprodução e qualidade do produto foram os itens mais estudados nas propriedades pela assistência técnica desde a criação do projeto.
Fonte: folhaweb

