Orgânicos ganham espaço e estimulam negócios

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Mercado que cresce 20% ao ano e movimenta R$ 500 milhões é abastecido por 90 mil produtores. Até 2014 eles poderão ser 300 mil.

 

O mercado de produtos orgânicos vem possibilitando a empreendedores idealistas, que desejam difundir a alimentação saudável e estão preocupados com questões socioambientais, um campo fértil de atuação. Os sócios Felipe Guerra e Alexandre Viola, por exemplo, desejavam criar um negócio ligado a sustentabilidade, com potencial pouco explorado, voltado à internet, e que proporcionasse ganhos sociais. “Conseguimos englobar tudo isso ao criar o e-commerce Vida Saudável Orgânicos”, diz Guerra.

 

Segundo ele, a certificação de produtos orgânicos não procura apenas evitar o uso de agrotóxicos. “Ela vai além, observando com rigor o lado social das relações trabalhistas.” O empresário conta que o Vida Saudável possui 450 produtos cadastrados, produzidos por sete fornecedores. “Como muitas culturas são sazonais, no momento estamos com 268 produtos ativos.”

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Formado em tecnologia da informação, Guerra afirma que o investimento inicial foi de R$ 2,5 mil. “Optamos por um modelo de negócio com baixo investimento. O maior custo seria com a concepção do sistema de e-commerce, mas eu mesmo desenvolvi a ferramenta.”

 

Outra estratégia que barateou o custo de operação foi a opção de evitar manter produtos em estoque. “Segundo o conceito da agricultura biodinâmica, os alimentos devem ser consumidos logo após a colheita para preservar o valor nutricional, por isso trabalhamos com prazo de entrega de dois dias.” Depois de receber as encomendas, os pedidos são repassados aos fornecedores. Assim que os produtores fazem a entrega, a empresa encaminha os produtos fresquinhos para o cliente.

 

Outro ramo que está crescendo nesse mercado é o de padarias orgânicas. Entre elas está a Padaria Artesanal Orgânica Pão. Criada em 2007 pelo empresário Rafael Rosa, a marca conta hoje com cinco unidades. E a sexta será inaugurada em janeiro. “Eu me alimento dessa forma, portanto, seria muito contraditório vender produtos não orgânicos aos meus clientes.”

 

Rosa conta que o investimento para criar a primeira loja foi de R$ 160 mil. “O retorno veio em um ano. Comecei o negócio com três funcionários e hoje tenho 50.” Segundo ele, um dos grandes desafios no início do negócio foi encontrar fornecedores. “Hoje, melhorou muito. É impressionante como a oferta de produtos orgânicos aumentou nos últimos cinco anos aqui no Brasil.”

 

Movimento semelhante ocorreu no Rio de Janeiro, onde um grupo de amigos adeptos da alimentação a base de orgânicos decidiu criar um e-commerce para oferecer esses produtos.

 

“Antes de montar o Organomix, passamos cerca de oito meses fazendo pesquisa de mercado com produtores e consumidores”, diz Marcelo Schiaffino, um dos sócios. 

O empresário conta que o resultado da pesquisa apontou o drama dos produtores para comercializar os alimentos de forma rentável. Já do lado do consumidor, as principais reclamações eram relacionadas ao custo do produto e à dificuldade de encontrá-los, porque a distribuição era muito pulverizada.

 

Schiaffino diz que o Organomix foi lançado em junho deste ano e que algumas premissas estão sendo comprovadas. “Uma delas é a de que havia grande demanda reprimida e que as pessoas queriam uma forma mais confortável para comprá-los.” O e-commerce trabalha com 50 marcas e mais de 1,2 mil itens. “Nossa loja tem, provavelmente, o maior portfólio do Brasil”.

 

União ideal. O empresário afirma que os produtores se encantam com o serviço. “Nós realmente resolvemos grande parte de seus problemas. Eles têm know-how no cultivo, mas grandes dificuldades para promover, comercializar e distribuir os alimentos.”

 

Segundo Schiaffino, o mercado de orgânicos movimenta R$ 500 milhões por ano e cresce entre 15% e 20% ao ano. “O Brasil tem 90 mil produtores que abastecem esse mercado, 85% formado por agricultores familiares.” O empresário afirma, ainda, que uma das metas do governo federal é elevar esse número para 300 mil produtores até 2014.

 

 

Fonte: pme.estadao.com.br


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