Cultivo da palma desperta atenção no exterior
Os bons resultados obtidos com o cultivo intensivo da palma em Sergipe continuam despertando a atenção de pesquisadores internacionais. Depois de ser destaque em eventos na Argentina e Marrocos, o projeto Palma para Sergipe foi apresentado na Argélia, ontem (4), no First International Seminar of Cactus in Argelia, que reune representantes de 12 países.
Desenvolvido pelo Sebrae em Sergipe e executado pelo consultor Paulo Suassuna em 16 municípios, o projeto teve início no segundo semestre de 2007 e, desde então, já beneficiou mais de 500 produtores. Obedecendo a um modelo de produção específico, eles recebem instruções sobre a forma correta de promover o plantio nos chamados Núcleos de Tecnologia Social e repassam as informações para os demais integrantes das associações a que estão vinculados.
Com a técnica, o produto é cultivado até duas vezes por ano. Outra vantagem é que a área utilizada pode ser ocupada por até 20 anos, apresentando índices de produtividade que variam entre 350 a 700 toneladas por hectare, cerca de dez vezes mais que o obtido no processo tradicional. O modelo de produção já garantiu o plantio de mais de um milhão de palmas em solo sergipano.
A palma é um produto que apresenta grande resistência a períodos de estiagem prolongada e é rico em água e vitamina A, o que garante suprimento aos rebanhos nos períodos de seca. Ela também pode ser utilizada na alimentação humana, na medicina e indústria, por meio da fabricação de cosméticos, adesivos e corantes.
“Um consultor que trabalha na região do Marrocos e Mauritânia descobriu pela internet o trabalho que estamos desenvolvendo aqui. Estarei no evento para mostrar como o cultivo da palma pode se tornar uma alternativa real para o desenvolvimento agrícola das regiões desfavorecidas da Argélia”, explica Paulo Suassuna, que é o único representante brasileiro no seminário. Além do país africano, o consultor já tem apresentações marcadas no México e em Palermo, na Itália.
O trabalho desenvolvido com a palma também chamou atenção de empresários europeus que se dedicam à criação de bovinos e à produção de queijos finos no interior de Goiás. No início de novembro, um grupo formado por suíços, austríacos e italianos esteve em Sergipe para conhecer as técnicas adotadas nas plantações do interior.
Inovação
Depois de manifestar o desejo de aplicar na região Centro-Oeste o modelo de plantio adotado no Sergipe, um dos empresários revelou que trabalhará na elaboração de uma máquina específica para o corte da palma, de forma que após o processo o produto já esteja apto para o consumo dos animais. Hoje, todo esse trabalho é realizado de forma manual.
“O grupo visitou algumas unidades produtivas no município de Ribeirópolis para analisar como os produtores executam essa tarefa. Em seguida, foram promovidas reuniões em Itabaiana para discutir a criação do equipamento. Agora, continuaremos mantendo contatos com o grupo e assim que for elaborada, a máquina será testada em nossos campos”, explica o analista do Sebrae e gestor do projeto Palma para Sergipe, Antônio Cardoso de Lisboa.
Fonte: Adaptada pela Equipe Capril Virtual com informações Agência Sebrae de Notícias

