Erva de chimarrão tem risco de alta de até 67%

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Chimarrão tem risco de alta de até 67% em função do preço da erva-mate cultivo menor da erva deve fazer preço do quilo, hoje entre R$ 6 e R$ 7, chegar a R$ 10

 

Para o consumidor, a notícia é amarga. A queda na produção da erva-mate terá como resultado uma alta de até 67% no quilo do produto, que deve chegar a R$ 10 em dois anos. Para o agricultor, porém, a menor quantidade produzida significa a oportunidade de uma melhor remuneração.

 

Hoje, o quilo da erva-mate custa, em média, entre R$ 6 e R$ 7 para o consumidor. O presidente do Sindicato da Indústria do Mate do Rio Grande do Sul (Sindimate-RS), Alfeu Strapassom, argumenta que o aumento projetado é condizente com o custo de produção: um quilo de erva-mate rende, em média, 10 cuias de chimarrão calcula. Cada cuia, por sua vez, pode ser servida cerca de 30 vezes. Ao pagar R$ 10 – equivalente ao preço já cobrado na Argentina e no Uruguai – por pacote de um quilo, o consumidor gastaria menos de R$ 0,05 por mate.

 

– Compara esse valor com qualquer garrafa de água, suco ou refrigerante. O preço é muito maior, e ninguém reclama – afirma Strapassom.

Morador de Santa Cruz do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, o aposentado Paulo Daniel Prado Fernandes, 60 anos, teme que o impacto do aumento possa ser muito alto no seu orçamento.

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– Pagar R$ 10 é demais. Lá em casa consumimos uns três pacotes de erva por mês e mais outros tantos que levo para tomar com os amigos.

 

No campo, porém, a equação aponta para uma melhor remuneração. O preço pago aos produtores subiu 30% a 35% neste ano em relação à safra passada, e deve continuar aumentando. A erva também é disputada como matéria-prima para outras finalidades, como cosméticos e chás, além do tradicional chimarrão.

 

Produto tende a ficar escasso

A realidade vivida pelos produtores de erva-mate começa a mudar. Até recentemente,o baixo valor pago levou muitos agricultores a desistirem de seus ervais.

– Como a erva não estava dando lucro, muitos produtores até arrancaram os pés para plantarem milho e soja, culturas mais promissoras – explica o presidente do Sindimate-RS, Alfeu Strapassom.

É o caso de João Pedro Lenz, 55 anos, que reduziu cerca de 15% do seu erval, localizado no interior de Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul. Há cerca de três anos, em busca de melhores resultados, passou a investir em milho e aipim.

 

A Emater/RS, no entanto, está incentivando os produtores a retomar o cultivo e a investir no produto, porque a demanda está aumentando e os preços, também. A tendência é de que, mesmo com os agricultores voltando a investir nos ervais, o produto para a principal bebida dos gaúchos fique cada vez mais caro. Caso a demanda siga crescendo, a Emater/RS não descarta a possibilidade de haver até falta de erva-mate por volta de 2015.

 

Fonte: ZERO HORA


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