Por que é mais fácil fazer negócios em Ruanda
Por que fazer negócios em Ruanda é mais fácil que no Brasil?
Ruanda saiu de uma década marcada pela guerra civil e por instabilidade política e começou uma campanha de reconstrução e redução da pobreza nos anos 2000.
São Paulo – O ambiente de negócios de Ruanda é considerado o 52º melhor dentre 185 países, segundo relatório elaborado pelo Banco Mundial, no qual o Brasil ocupa a 130ª posição. No amplo espaço que separa o Brasil de Ruanda está uma agenda de reformas na regulação dos negócios implantada há cerca de dez anos.
Ruanda saiu de uma década marcada pela guerra civil e por instabilidade política e começou uma campanha de reconstrução e redução da pobreza nos anos 2000. O país implementou reformas na regulação para empresas, que reduziram a burocracia e tornaram muito mais fácil fazer negócios no país, segundo o relatório Doing Business, elaborado pelo Banco Mundial.
Entre 2005 e 2011, o PIB real per capita cresceu cerca de 4,5% por ano, em decorrência da expansão sustentada das exportações e do investimento doméstico – com fluxos de investimento estrangeiro direto também crescendo, segundo o relatório. O FMI projeta que o PIB real de Ruanda vai crescer 7,7% em 2012 e 7,5% em 2013.
Com as reformas, Ruanda eliminou sete procedimentos que eram necessários para abrir um negócio (agora são só dois) e o tempo necessário passou de 18 para três dias. O custo também caiu, de 235% da renda per capita para 4%. No Brasil, ainda são necessários 119 dias e 13 procedimentos, o custo é de 4,8%.
“Cada país enfrenta diferentes desafios. Mas o ambicioso e complexo programa de reforma de Ruanda oferece lições para outros”, afirma o Banco Mundial no relatório. Vale lembrar que Ruanda é um país rural, cujas trocas com o exterior estão baseadas em turismo, minerais, café e chá, segundo o CIA World Fact Book. Parte significativa da população (44,9%) vive abaixo da linha de pobreza e o país continua recebendo ajuda do FMI.
Rwanda Vision
Em 2000, em um cenário pós-guerra civil, como a governança pobre, fraca infraestrutura, setores privado e financeiro pouco desenvolvidos, desemprego, sistema educacional fraco e elevados índices de AIDS, Ruanda implementou sua estratégia Rwanda Visison (Visão de Ruanda, em tradução livre) resultado de dois anos de conversas.
O programa apresentava a meta de desenvolvimento no longo prazo, visando elevar a renda per capita de 290 dólares para 900 dólares antes de 2020 – recentemente a meta passou para 3.500 dólares. Em 2011, a renda per capita foi de cerca de 570 dólares, segundo o Banco Mundial. Para comparação, o rendimento nominal (não leva em conta o poder de compra da época) do brasileiro em 2011 foi de 879 reais, segundo dados da PNAD.

