MT: Moagem da cana-de-açúcar é adiada no Estado
A usina Libra, em São José do Rio Claro (315 quilômetros ao médio norte de Cuiabá), deveria dar largada esta semana à moagem de cana-de-açúcar para a produção de etanol no Estado – a indústria espera moer de 600 mil a 800 mil toneladas de cana. Porém, as fortes chuvas que caíram sobre Mato Grosso no último mês adiaram os planos não só dessa destilaria, como de outras usinas que planejavam iniciar a moagem ainda em março. O início do trabalho foi adiado para o mês de abril, inclusive das duas maiores plantas, a Itamarati (Nova Olímpia) e da ETH, unidade Alto Taquari, que respondem por mais de 50% da produção estadual. Culturas como a soja e o milho também contabilizam dificuldades em relação ao excesso de umidade.
Para agravar a situação, a ETH – que prevê moer 2,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e produzir este ano 280 milhões de litros de etanol hidratado e anidro – vai atrasar o início da moagem por falta de mão-de-obra. Segundo o Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado (Sindálcool uma equipe do Senai foi deslocada para o canteiro da usina para treinar pessoal. “O Senai está fazendo um esforço sobre-humano para treinar os funcionários que estarão trabalhando nesta safra. Só em Alto Taquari (479 quilômetros ao sul de Cuiabá), a usina precisa de dois mil trabalhadores. Mas o Senai terá de qualificar três mil, considerando a unidade de Costa Rica (MS), que também entra em operação este ano”, informa o diretor Sindálcool, Jorge dos Santos.
A Itamarati, localizada em Nova Olímpia (207 quilômetros ao médio norte de Cuiabá) e com previsão de moer 5,6 milhões de toneladas de cana para a produção de etanol e açúcar, também decidiu iniciar a moagem a partir do próximo mês.
Ainda na região do médio norte, em Barra do Bugres (a 187 quilômetros ao norte de Cuiabá), a Barrálcool – terceira maior planta sucroalcooleira do Estado – não conseguiu até agora fechar a previsão de safra para 2011, também por causa do fator climático. Segundo Jorge dos Santos, até o mês de janeiro tinha chovido muito pouco na região. “A cana não se desenvolveu, por isso a usina não tem uma projeção de moagem e produção”, informou. Uma reunião com os executivos da empresa está marcada para os próximos dias, quando o Sindálcool espera obter a primeira estimativa de safra da Barrálcool.
Apesar da estimativa inicial de produção no Estado, que poderá sofrer um incremento de 10% com a entrada da ETH, inaugurada no ano passado – passando de 200 mil hectares para 220 mil hectares na atual safra – a safra ainda é uma incógnita. “Ninguém sabe como ficará a qualidade da cana-de-açúcar após ser colhida. Só após a colheita é que poderemos avaliar o teor de sacarose da cana e dizer se a safra será mais produtiva ou não”.
O setor sucroalcooleiro de Mato Grosso deverá mobilizar este ano cerca de 16 mil trabalhadores, com a moagem de cana podendo chegar a cerca de 15 milhões de toneladas, por conta da chegada da ETH Bioenergia, que vai suprir a quebra que poderá ocorrer em outras usinas. Desde o ano passado os ativos da antiga Brenco foram incorporados à ETH Bioenergia, empresa da organização Odebrecht. A ETH é a responsável pela unidade Alto Taquari, e a única usina da Companhia no Estado.
ESTOQUES – A Agência Nacional de Petróleo (ANP) havia convocado para ontem uma reunião com representantes do setor sucroalcooleiro para discutir a situação dos estoques de etanol até o final da entressafra. Na verdade, há um temor entre as distribuidoras de combustíveis de que falte o produto entre março e abril, antes da entrada da nova safra.
Mas, segundo Jorge dos Santos, não é o caso de Mato Grosso, onde os estoques “estão tranqüilos” e, o abastecimento, garantido. “Os problemas são localizados em São Paulo, Minas Gerais e Paraná, onde o etanol, mesmo tendo subido de preços, não teve seu consumo reduzido na mesma proporção. Isso mostra que a população está percebendo que é melhor abastecer com álcool até mesmo pelo fator ambiental”, disse.
A expectativa para o encontro era de que a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) aproveitasse para solicitar ao governo federal a redução do percentual de álcool na gasolina de 25% para 10%. No ano passado, o governo reduziu o percentual de fevereiro a maio. Uma redução de cinco pontos percentuais de álcool anidro na gasolina representa economia de 100 milhões de litros de álcool por mês.
Fonte: Diário de Cuiabá

