Safra MT: Chuva dificulta trabalho
As frequentes precipitações afetaram a dinâmica agrícola. Sem avançar na colheita da soja, plantio de milho emperra
A chuva tem sido o maior obstáculo enfrentado até o momento pelos agricultores mato-grossenses. A intensidade e a frequência das precipitações estão impedindo o avanço da colheita da soja e consequentemente impedindo o cultivo da safrinha de milho. Até a última quinta-feira, dos 6,41 milhões de hectares plantados com soja, pouco mais de 1,60 milhão, ou 25,5%, estavam colhidos, volume que se comparado ao registrado há um ano revela um atraso considerável. Apesar da superfície do ciclo anterior (09/10) ter sido 3,2% menor, mais da metade da soja estava colhida até 24 de fevereiro.
Muitos grãos estão sendo extraídos com umidade e com avarias, o que em alguns casos se dá pelo fato de terem passado do momento ideal de colheita. Danos como esses depreciam o preço da soja e limitam a produtividade das lavouras.
No período conhecido como início da boca de safra – auge da colheita da soja -, não há maquinário de última geração capaz de vencer a umidade das lavouras e dar espaço à semeadura do milho. Além do acesso prejudicado, a umidade não permite que as vagens atinjam o ponto ideal. Em Mato Grosso é tradição passar a colheitadeira sobre lavouras de soja e logo atrás vir a plantadeira semeando o milho safrinha.
Conforme levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em um intervalo de uma semana entre os levantamentos, houve avanço de 7,2 pontos percentuais (p.p.) na colheita da oleaginosa. “Apesar do progresso semanal, o atraso em relação à safra passada é mais de 24 p.p.”, aponta o Imea.
A região mais atrasada, como destaca o Instituto, é a médio norte, porção que sozinha concentra mais de 39% da produção mato-grossense e que também é a que mais investe no milho como opção de segunda safra. Dos 6,41 milhões hectares (ha) disponibilizados à soja, 2,46 milhões estão no médio norte. Desse volume, cerca de 900 mil, após a colheita da soja, abrigam o milho. Na comparação entre o ritmo dos trabalhos das duas safras, a diferença no médio norte é de 34,6 p.p. em relação ao mesmo período do ano anterior. Há um ano, 63,1% da área estavam colhidos com os trabalhos se encaminhando para reta final. Até anteontem, apenas 28,5% dos hectares haviam recebido as colheitadeiras.
O segundo maior atraso observado está no norte estadual. Entre um ciclo e outro há déficit de 27,4 p.p: há um ano a colheita atingia 57,8% da área para atuais 30,4%. “Há ainda registros de perdas nas lavouras localizadas na porção oeste de Mato Grosso, também em decorrência das chuvas”. Nesta região que entre importantes municípios produtores tem Sapezal e Campo Novo do Parecis, cada um com área de 350 mil ha, o atraso em relação à safra anterior é de 21,8 p.p.
MILHO – O plantio da segunda safra, ou safrinha, reflete o ritmo da colheita da soja: em atraso. Na última quinta-feira a área semeada com o milho atingiu 45,8%, ou pouco mais de 800 mil ha dos 1,81 milhão estimados pelo Imea para a atual temporada. Para se ter ideia do ritmo aplicado à semeadura do grão, basta considerar que a área cultivada corresponde apenas à superfície que a região médio norte disponibiliza. É como se apenas esta porção tivesse plantado o milho até o momento.
“Apesar de ter avançado 11,2 p.p. na semana, o atraso com relação à safra anterior é considerável de 39,3 p.p. Na região oeste, onde as chuvas deram pouca trégua, o atraso chega a 54,5 p.p. em relação ao ciclo 09/10”, observa o levantamento do Imea.
fonte:Diário de Cuiabá

