MS Estuda criar \”Política de Fronteira\” para ZAV

Compartilhar

A retomada do status sanitário na Zona de Alta Vigilância não significa descanso. O trabalho continua com mais liberdade e responsabilidade por parte do produtor e da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), que continua com as ações de fiscalização na região. Uma reunião deve acontecer nos próximos dias para ajustar as medidas que serão flexibilizadas, findadas e mantidas nos municípios fronteiriços. "Estamos pensando em um programa de política de fronteira prevendo ações, custo e principalmente, um trabalho de conscientização", antecipa a Diretora Presidente da Iagro, Maria Cristina Carrijo.

A nova etapa consiste na manutenção do status de livre de aftosa com vacinação, agora abrangendo todas as regiões de Mato Grosso do Sul. "Não adianta apenas punir, a gente tem que esclarecer os fatos porque às vezes as informações não chegam ao campo. Acho que nós vamos ter que ser muito bons na comunicação e por isso a educação sanitária é um ponto fortíssimo daqui pra frente, principalmente nessa região", esclarece a Secretária de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo (Seprotur), Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias.

O trabalho será permanente com base nas ações de continuidade do atual status sanitário. Serão perenes as ações de fiscalização, vigilância, educação e apoio aos Conselhos de Sanidade Animal implantados nos municípios de fronteira para que a consciência dos produtores e da sociedade não se esmoreça. "Não é porque conquistamos esse benefício que vamos fraquejar. Pelo contrário. Aquela região alcançou uma condição de qualidade sanitária muito grande e não podemos perder isso", ressalta Tereza Cristina.

HISTÓRICO ZAV

Em atenção as recomendações da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), foi implantada em janeiro de 2008 uma Zona de Alta Vigilância (ZAV) sanitária envolvendo Brasil, Paraguai, Bolívia e Argentina. Em Mato Grosso do Sul a ZAV estabeleceu como marco de referência um raio de 15 quilômetros estendendo-se ao longo de todos os municípios sul-mato-grossenses a partir das fronteiras com o Paraguai e a Bolívia (Antônio João, Aral Moreira, Bela Vista, Caracol, Coronel Sapucaia, Corumbá, Japorã, Ladário, Mundo Novo, Paranhos, Ponta Porá, Porto Murtinho e Sete Quedas).

Anuncio congado imagem

Foi realizado o recadastramento e georeferenciamento de todas as propriedades rurais existentes na ZAV em cada um dos 13 municípios, alcançando um total de 6.185 propriedades sob a inscrição de 7.257 produtores rurais (naquela ocasião o rebanho somou 806,2 mil bovinos/ 35.809 ovinos/ 3.175 caprinos e 23.040 suínos). Antes mesmo da implantação da ZAV o calendário de vacinação foi harmonizado passado a realizar duas etapas anuais cheias e com agulha oficial, sendo as doses doadas.

Todos os animais (bovídeos e ovinos) foram identificados visualmente com brincos e bottons doados via parceria entre o Governo do Estado e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC). Além da identificação, foi desenvolvido um sistema informatizado para o controle do transito deste animais. Para um maior controle a Iagro estabeleceu postos fixos, temporários e movéis, cerca de 32 unidades distribuídas ao longo da fronteira, além de unidades flutuantes.

Para concretizar a erradicação da doença, a Iagro intensificou os trabalhos sanitários nos assentamentos e aldeias indígenas e um amplo curral modelo foi construído para um melhor manejo dos animais. Para conscientizar e orientar a população sobre como evitar e combater doenças, inclusive a Febre Aftosa, a Iagro iniciou um programa educacional em todo o Estado. Foi criada a Coleção Iagro nas Escolas, com gibis, cartilhas e jogos pedagógicos para auxiliar nas oficinas com professores e alunos. No total, 383 professores e 3239 alunos do ensino fundamental participaram do projeto entre Maio e Agosto de 2007.

Como parte de um programa de educação perene, foram veiculados programetes de rádio para informar os produtores rurais sobre os procedimentos e cuidados na prevenção de várias doenças do gado, entre elas a Febre Aftosa. Além disso, foi desenvolvida também uma campanha publicitária para a vacinação da Aftosa, com ampla cobertura de mídia em todo o Estado. Pensando no futuro e dando continuidade às ações de erradicação das doenças do gado, o Governo implantou o programa educacional Sanidade Sem Fronteiras, apoiando os produtores e seus familiares, com ações multiplicadoras, na busca incessante pela sanidade. Foram realizadas atividades educacionais, tais como: cursos e palestras, formação de agentes de sanidade nas comunidades, e eventos de apoio. O programa passou pelos municípios da ZAV e capacitou cerca de 900 agentes e outras 86 mil pessoas nos assentamentos e aldeias.

Naquele período o custo para manutenção e vigilância sanitária em Mato Grosso do Sul chegou a R$ 80 milhões/ano, sendo que cada etapa de imunização contra febre aftosa na ZAV somou cerca de R$ 3 milhões.

DESTAQUES AUTORIDADES

Ao tomar conhecimento da decisão da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), reconhecendo a Zona de Alta vigilância de Mato Grosso do Sul como livre de febre aftosa com vacinação, o governador André Puccinelli afirmou se tratar de uma "medida da mais alta importância para a nossa economia e demonstra que nossa política de controle sanitário sempre esteve correta e segura". O governador considera que "nosso esforço valeu a pena. Temos o reconhecimento internacional o que, sem dúvida, deve estimular ainda mais a pecuária do nosso Estado, em especial os produtores da região Sul que podem respirar aliviados". André Puccinelli – Governador de Mato Grosso do Sul.

"Agora nós temos a plenitude da sanidade porque não existe mais uma faixa com status diferente. Todo o Estado tem a mesma classificação e isso aumenta a responsabilidade em mantê-la. Nós temos que continuar avançando porque a pecuária exige modernidade na genética, sanidade e nutrição. Nessa questão nós avançamos demais e temos que continuar crescendo, só que sem as amarras que travavam o produtor na sua comercialização, dificuldade no manejo e na parte operacional". Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias – Secretária de Estado de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo de Mato Grosso do Sul (Seprotur).

"A noticia chega num momento propício para que as ações de defesa sanitária em Mato Grosso do Sul matenham-se a cada dia mais fortalecidas e estende o reconhecimento ao trabalho incansável de todos que fizeram parte deste processo". Maria Cristina Carrijo – Diretora Presidente da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro). "A implantação da Zona de Alta Vigilância foi um processo extremamente penoso ao produtor rural. Além de todo o prejuízo financeiro causado pelo aspecto comercial, houve uma série de procedimentos implantados onde o produtor teve que adequar seu manejo e processos. Por um outro lado a consciência em relação a importância da sanidade animal aumentou e a discussão em torno da questão passou a ser de toda a sociedade na região. O serviço de defesa sanitária do Estado também adequou sua ações e trabalhou muito integrado com o produtor. Retomado o status, a expectativa agora é de flexibilização de alguns procedimentos naquela região". Eduardo Riedel – Presidente Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul.

"Desde que o Brasil se tornou maior exportador do mundo de carne bovina, as barreiras sanitárias tem sido utilizadas contra nossa exportação. O reconhecimento do bom trabalho da equipe do Mato Grosso do Sul pela OIE mostra que não foi por acaso que chegamos ao topo do ranking. O reconhecimento da OIE é muito importante para o Brasil. Quando presidi o Conex em Mato Grosso do Sul (Conselho Extraordinário de Relações Nacionais e Internacionais) tive a certeza de que a política sanitária conduzida pela secretária Tereza Cristina e sua equipe estava no caminho certo". Marcus Vinicius Pratini de Moraes – Ex-Ministro da Agricultura e membro do Conselho do Frigorífico JBS.

"A exportação de carne bovina do Brasil passou por vários momentos, entre eles a crise financeira de 2009. A tendência, a partir de agora, é que nossos exportadores enfrentem um comércio mais competitivo. Por isso, a certeza de que as questões sanitárias têm merecido atenção das nossas autoridades, como é o caso do Mato Grosso do Sul, abre caminho para um crescimento nas nossas exportações. Pude participar do trabalho do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e o reconhecimento da OIE não me surpreende". Antonio Jorge Camardelli – Presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Fonte: MS Aqui (2011-02-07)


Compartilhar

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *