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Paraná dá voto de confiança à uva das encostas

Os 45 parreirais implantados três anos atrás em encostas da região de Curitiba rendem a primeira colheita a partir desta semana. Produtores de Campo Largo, Palmeira, Balsa Nova, Lapa, Imbituva e Antonio Olinto tentam recuperar a tradição deixada de lado há 30 anos.Agora, com plantas resistentes à pérola, praga que ataca as raízes e aniquilou a cultura na década de 70, querem resolver uma contradição: o fato de atuarem a menos de 150 quilômetros da maior indústria de vinho de mesa do Brasil, a vinícola Família Zanlorenzi – antiga Campo Largo –, mas não sustentarem o fornecimento da fruta.
Localizada em Campo Largo, a indústria depende de 20 mil vitinicultores do Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de uva. Em parcerias com produtores e órgãos públicos de cada município, a própria Zanlorenzi, que atua no interior do Paraná desde a década de 30, resolveu incentivar o projeto uva Nossa. Está fornecendo mudas, palanques, arame e assistência técnica aos novos produtores, que podem pagar o investimento com o rendimento das próprias parreiras.
O custo de implantação de um hectare de uva chega a R$ 20 mil, mas pode ser pago com o rendimento de uma safra. Os produtores esperam colher de 25 a 30 toneladas por hectare e vêm recebendo R$ 0,70 por quilo fornecido à indústria. Os novos parreirais são pequenos, totalizando uma área de 50 hectares, e a produção deve ser destinada para a fabricação de suco.
A intenção é fazer com que o Paraná volte “gradativamente” a ser um grande produtor de uvas e vinho, afirma o diretor presidente da Famiglia Zanlorenzi Grupo Vinícola, Giorgeo Zanlorenzi. A empresa lançou 37 novos produtos nos últimos cinco anos. A diversificação se tornou questão de sobrevivência para famílias que atuam em pequenas áreas e não conseguem mais se manter com lavouras de milho e feijão, defende o secretário de Desenvolvimento Rural de Campo Largo, Lino Petry.
O produtor Rafael Cosmo da Silva, de Campo Largo, espera quitar logo o parreiral e incrementar a renda da propriedade. Ele dedica 1,5 hectare à uva, de um total de 18 hectares. Se a aposta der certo, pretende ampliar o negócio repassando área do milho e do feijão, que ainda ocupam 85% da área de cultivo, para a fruticultura. A uva promete render mais que o pêssego, cultivado em 1 hectare, e o tomate, que tem 1/3 de hectare (3,3 mil metros quadrados). Quando alcançar a meta de 30 toneladas de uva por hectare, terá renda de R$ 20 mil por safra.


Líder em renda na fruticultura
A renda da produção de uva cresceu 144% no Paraná na última década e passa de R$ 170 milhões ao ano, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior fonte de renda da fruticultura no estado, capaz de gerar R$ 50 milhões a mais que a laranja, R$ 80 milhões a mais que as tangerinas ou R$ 130 milhões a mais que a maçã.
Os dados mostram que a área da uva se manteve em 5,8 mil hectares no período, mas a produção cresceu 26%, ultrapassando a marca de 100 mil toneladas por safra. A ampliação na renda se deu, em boa medida, pela valorização do produto, que passou da média de R$ 0,90 para a de R$ 1,70 por quilo. A uva de mesa chega a ser vendida a R$ 4 pelos produtores em feiras livres e vale R$ 0,70 quando entregue à indústria.
A produtividade média ainda é considerada baixa. Passou de 13,9 para 17,6 toneladas por hectare na última década. Nos novos parreirais, no entanto, a produtivdade chega a 30 toneladas por hectare. Quatro polos de produção vêm se consolidando no estado. A Região Metropolitana de Curitiba é a quarta nesse ranking, com 370 hectares, atrás do Norte Pioneiro (1.018 ha), do Sudoeste (1.027 ha) e do Centro-Oeste (2.623 ha), que se especializou em uva de mesa.

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fonte:Gazeta do Povo

Lucas Motta

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Lucas Motta
Tags: humanidade

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