Socopa: Giro Econômico pelo mundo

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Em uma semana marcada pelo clima adverso trazido por novos capítulos da crise fiscal na Europa e pela perspectiva de um possível aperto monetário na China, o Ibovespa obteve baixa acumulada de 2,55%, fechando o período aos 69.133 pontos. Com esta performance, o Ibovespa inverte a tendência de alta vista na última semana, quando subiu 1,26%, e volta a registrar perdas em 2011.

Por aqui, as ações da Sabesp terminaram a semana com a pior performance do Ibovespa, acumulando queda de 10,34% no período e fechando cotadas a R$ 40,66. A ação também teve o segundo pior desempenho do índice nesta sexta-feira (21), com um recuo de 3,85% no pregão. Na véspera, os ativos lideraram as quedas do Ibovespa, com perdas de 3,40%.

Um dos motivos que pode ajudar a explicar a queda acentuada dos ativos é o adiamento da revisão tarifária em um ano, para agosto de 2012. Na última quinta-feira o Barcalys avaliou como ligeiramente negativa a notícia de que a ARSESP adiou por um ano a regulação referente ao ROA da Sabesp, que anteriormente era prevista para agosto de 2011.

Por outro lado, com ganhos expressivos de 5,18%, as ações preferenciais classe A da Braskem foram o principal destaque de alta do Ibovespa na semana.

PETROBRAS E VALE

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Entre os papéis mais líquidos do Ibovespa, o desempenho semanal não foi unânime. As ações ordinárias e preferenciais da estatal do petróleo, a Petrobras, tiveram variações negativas de 2,92% e 1,81%, respectivamente, enquanto que os papéis PNA da mineradora Vale subiram 0,54%, ao passo que a ação VALE3 caiu 1,07%.

A Petrobras divulgou na noite de quinta-feira a precificação dos Global Notes emitidos através de sua subsidiária integral PifCo (Petrobras International Finance Company). Segundo o comunicado, os vencimentos estão previstos para 2016, 2021 e 2041. Os recursos serão utilizados para o financiamento dos investimentos previstos no Plano de Negócios 2010-2014.

China e o risco de aperto monetário
Nesta semana, o mercado voltou a avaliar um possível aperto monetário na economia da China, o que trouxe um clima de cautela aos principais mercados internacionais, especialmente na última quinta-feira, quando indicadores econômicos chineses voltaram a mostrar sinais de superaquecimento da economia.

A expansão do PIB chinês no acumulado do ano atingiu a marca de 10,3%, ultrapassando o Japão como a segunda maior economia do globo. Já a inflação desacelerou para 4,6% em dezembro sobre o mesmo mês de 2009, ao passo que o acumulado do ano indica alta de 3,3% nos preços ao consumidor, com destaque para o setor alimentício.

"Em nossa visão, o crescimento não é bem uma preocupação, mas a inflação deve ser observada atentamente", apontou Dang Jao, analista do Credit Suisse, em relatório. Apesar de ter desacelerado em novembro, a inflação continua a ser um problema, e deve voltar a subir em 2011, segundo analistas. O JP Morgan, por exemplo, aponta que os preços de alimentos já aumentaram no final de dezembro, por causa do mau tempo, uma tendência que deve se prolongar, chegando ao pico na metade do ano.

CRISE FISCAL NA EUROPA

No Velho Continente, a crise fiscal ganhou esta semana novos capítulos. Depois das preocupações em torno da dívida pública portuguesa e espanhola, foco nas últimas semanas na Europa, a crise fiscal grega voltou à cena na última quarta-feira. Segundo o jornal alemão Die Zeit, a Alemanha está trabalhando na reestruturação da dívida da Grécia via recursos do EFSF.

Os rumores foram ganhando força após declaração do assessor econômico do governo alemão, Lars Feld, a outro jornal do país. Segundo Feld, a Grécia não é capaz de gerir sua dívida sem antes passar por um processo de reestruturação. Oli Rehn, comissário para assuntos econômicos e financeiros da União Europeia, afirmou que a União Europeia tem de fortalecer seus mecanismos de ajuda financeira para que os mercados não duvidem da capacidade de reação até nos piores cenários.

Outro destaque da agenda europeia foi a reunião dos ministros de Finanças da região, em Bruxelas, como uma tentativa da União Europeia em formular uma estratégia para conter a crise fiscal do continente.

Andrew Wilson, chefe do setor de renda fixa do Goldman Sachs, afirmou que a Grécia não deverá pagar a totalidade de suas dívidas no prazo delimitado se o custo do empréstimo não cair. “A não ser que tenhamos uma mudança drástica na estrutura da taxa de juro, particularmente para um país como a Grécia, eu creio que uma reestruturação é um evento de probabilidades altas”, disse Wilson.

REFERÊNCIAS INTERNAS

Por aqui, nesta semana os investidores repercutiram a amplamente esperada decisão do Copom em elevar a Selic para 11,25% ao ano em sua primeira reunião em 2011. No comunicado que acompanhou a nota, o Copom anunciou que deu "início a um processo de ajuste da taxa básica de juro", reforçando a aposta de que novos aumentos na taxa serão feitos em seus próximos encontros. Analistas não descartam também novas medidas macroprudenciais, a exemplo das tomadas no mês de dezembro.

Como de costume, a primeira sessão da semana contou com as informações atualizadas do Relatório Focus, do Banco Central. Os economistas ouvidos pela autoridade esperam continuidade da pressão inflacionária na economia. Já a balança comercial brasileira registrou saldo positivo de US$ 496 milhões na segunda semana de janeiro.

Além disso, o exercício de opções sobre ações de janeiro movimentou R$ 3,77 bilhões na BM&F Bovespa, alta de 26,1% em relação ao resultado visto em dezembro, quando alcançou R$ 2,99 bilhões.

Na terça-feira, o principal destaque da pauta interna foi a notícia de que o Brasil registrou a abertura de 2.524.678 de vagas de trabalho em 2010, informou o MTE. Mas, para chegar a estes números, o ministério modificou a metodologia do Caged.

Ainda na cena interna, o BC divulgou os dados referentes ao fluxo cambial, demonstrando um fluxo positivo de US$ 5,185 bilhões até 14 de janeiro. No front inflacionário, ganhou destaque na semana a divulgação da segunda prévia de janeiro do IGP-M, que apontou inflação de 0,63%, taxa 0,12 ponto percentual menor do que a apurada no mesmo período do mês anterior.

Depois do leilão de swap cambial reverso, promovido pelo BC na última sexta-feira, o CMN decidiu no início desta semana permitir que os ajustes diários de operações de swap cambial com a participação de investidores estrangeiros fiquem de fora da obrigatoriedade de realização do câmbio simultâneo.

Moody''s deve elevar rating do Brasil
Também repercutiu no mercado doméstico nesta semana o relatório da agência de classificação de risco Moody''s em que afirma que os ratings soberanos dos países da América Latina e do Caribe devem ser beneficiados este ano pelas "significativas conquistas de 2010".

O Brasil está entre os três países que, no ano passado, receberam perspectiva positiva, ao lado de Colômbia e Bolívia, enquanto outras 10 nações tiveram seus ratings soberanos elevados em 2010. De acordo com a Moody''s, uma avaliação do rating Baa3 que o Brasil possui atualmente deve ocorrer no segundo trimestre deste ano.

INDICADORES NORTE-AMERICANOS

Nos Estados Unidos, a semana foi carregada de divulgações importantes. Entre os indicadores econômicos que surpreenderam negativamente ao mostrar dados aquém do esperado pelo mercado, destaque para a atividade industrial na região de Nova York em janeiro, o número de casas em início de construção no resultado anualizado de dezembro e o nível de atividade industrial na região da Filadélfia neste mês.

Por outro lado, alguns dados da agenda norte-americana trouxeram de volta o ânimo aos investidores ao longo da semana. É o caso do número de autorizações para construção de novas casas em dezembro, o número de pedidos de auxílio-desemprego na última semana, o Leading Indicators referente ao mês passado e o número de vendas de casas usadas também dezembro.

Além da pauta econômica, o noticiário corporativo norte-americano também foi movimentado na semana e influenciou o humor dos investidores. O mercado repercutiu o balanço abaixo do esperado do Citigroup. Além disso, o Goldman Sachs divulgou que tanto seus lucros quanto suas receitas mostraram quedas no quarto trimestre de 2010. O Wells Fargo também reportou seus dados, mostrando redução nas receitas.

Já o Google reportou que obteve US$ 2,54 bilhões de lucro líquido. Este valor, equivalente a US$ 8,75 por ação, surpreendeu analistas, que previam algo em torno de US$ 8,09 por papel. Por outro lado, mais um banco registrou resultados abaixo do esperado no período. O Bank of America teve prejuízo de US$ 1,24 bilhão no quarto trimestre de 2010, o que corresponde a uma perda de US$ 0,16 por ação. A Apple, por sua vez, apresentou dados melhores que o esperado no último trimestre.

Na quarta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, aconselhou o primeiro-ministro chinês, Hu Jintao, a reavaliar a desvalorização de sua moeda, que deve ser objeto de “um novo ajuste” para que a maior economia do mundo não saia beneficiada nos mercados cambiais. Na sessão anterior, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Hong Lei, já havia sinalizado que o país estaria aberto a uma reforma.

RENDA FIXA

A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,673, com variação negativa de 0,71% na semana.

No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato com vencimento em fevereiro de 2011, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 11,14%, alta de 0,14 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 135,30% de seu valor de face, baixa de 0,55% na semana.

O indicador de risco-País fechou a sexta-feira em 169 pontos-base, queda de um ponto na variação semanal.

Fonte: Socopa Corretora


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