RS: Hora de economizar água no campo
Dentre todos os agricultores, os menos preocupados com a seca, até pouco tempo, eram os arrozeiros. Mas o sinal de alerta foi acionado antes mesmo do que o setor previa. A cultura – que precisa de tempo seco para se desenvolver -, e, no Estado, é cultivada quase na totalidade sob sistema de irrigação, já sente a baixa nos recursos hídricos, obrigando os arrozeiros a racionalizar o uso dos mananciais. Segundo o presidente da Federarroz, Renato Rocha, sofrem mais os produtores que dependem de barragens, situação de 90% dos arrozeiros do município de Dom Pedrito. "Quem tira água de rios e lagoas está conseguindo se virar porque há água corrente, mesmo as chuvas sendo isoladas. Mas alguns dos que dependem de barragens não têm água suficiente para chegar ao fim do período de irrigação". Esse é o caso dos arrozeiros que cultivam o grão nas áreas mais distantes dos canais de irrigação e que, por este motivo, já abandonaram as lavouras. "A produção nessas áreas deve ser menor, mas é possível retomar. A planta nascida aguenta até 30 dias sem irrigação. Depois, será preciso investir mais em ureia e na retirada de sujeiras da área."
No Rio Grande do Sul, 50% das lavouras de arroz dependem de açudes e barragens, 30% de rios e arroios e 20% de lagoas. Entre as que dependem dos rios estão as localizadas nos municípios de Cristal, Canguçu e Camaquã. Apesar de a maioria ser abastecida pela barragem do Arroio Duro, algumas são afetadas pela baixa no nível da água no rio Camaquã. "A única saída para os arrozeiros é equilibrar a utilização da água, tentando manter a lavoura", insiste o integrante do Conselho Deliberativo do Irga, Ivo Lessa. Além da falta de água, o produtor tem que conviver com a grande evaporação devido ao calor do verão. "As lavouras que estão em fase vegetativa podem ficar com um pouco menos de água, já as em época de enchimento do grão ou floração, não. A água é também um fator importante para regular a temperatura das plantas." A prioridade deve ser dada ás áreas que foram plantadas primeiro e estão em estágio avançado de desenvolvimento.
Dados da Defesa Civil indicam que, no Rio Grande do Sul, oito municípios estão com decreto de emergência assinado: Cerrito, Candiota, Pedras Altas, Hulha Negra, Herval, Santana do Livramento, Lavras do Sul e Pedro Osório. Também já foram registradas notificações de Piratini, Pinheiro Machado, Aceguá, Dom Pedrito e Bagé.
fonte:Correio do Povo
