La Niña será decisivo na safra
Embora os efeitos da estiagem ainda se concentrem na Metade Sul, o quarto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado ontem, trabalha com uma estimativa de redução de 4,4% da produção de grãos do Estado em relação à safra passada.
Por isso, o papel da chuva daqui para a frente será fundamental, sobretudo na cultura de soja.
– Janeiro e fevereiro são meses críticos para o desenvolvimento dessa cultura e, como há a possibilidade de efeito do La Niña, as projeções para o grão ainda estão um pouco retraídas – avalia o gerente de desenvolvimento e suporte estratégico da CONAB no Rio Grande do Sul, Ernesto Irgang.
Na comparação com o levantamento de dezembro, o milho teve uma alta na estimativa, reflexo, no entendimento de Irgang, da chuva dentro da quantidade mínima necessária em novembro e dezembro. Com um incremento da área plantada, o arroz (veja quadro) também deve ter uma produção maior – inclusive no confronto com os dados do ano passado. Efeitos claros do La Niña, se ocorrerem, só deverão ser retratados pelos números das próximas estimativas.
Principal preocupação com a soja é a partir de fevereiro
Entre as razões que explicam, no entanto, a queda ante a produção total da safra 2009/2010 – e a queda de 10,5% no milho e de 16,7% na soja -, além dos possíveis efeitos do clima, está o desempenho histórico obtido na última colheita gaúcha. Otimista com o que tem testemunhado nas plantações de milho e soja, o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) no Estado, Antônio Wünsch, diz que só mesmo a chuva pode comprometer o desempenho dessas culturas.
– Nossa preocupação é, de fato, com o mês de fevereiro. É o período de formação de grão – complementa, em uma referência à oleaginosa.
Com 650 hectares plantados com soja, o produtor Édio Damião Quaini, de Cruz Alta, mantém um olho na lavoura e outro na meteorologia. Por enquanto, a cultura está com o desenvolvimento dentro do normal, o que lhe permite trabalhar com a estimativa de colher entre 50 e 60 sacas por hectare na safra 2010/2011 – uma manutenção ou crescimento em relação ao ano passado, quando colheu 50 sacas por hectare.
– A parte produtiva é daqui para a frente. Quando entra nesse estágio, não pode faltar chuva. É importante ter, no mínimo, entre 10 e15mm de chuva por semana – observa Quaini.
Na projeção nacional, a CONAB elevou a estimativa da produção para 149,42 milhões de toneladas – no terceiro levantamento, divulgado em dezembro, a previsão era de 149 milhões de toneladas. Na safra 2009/10, o volume foi de 149,2 milhões de toneladas.
Fonte: Zero Hora

