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COPOM e uma ata truncada

A leitura preliminar da ata do COPOM, apresentada na manhã de hoje, suscitou mais dúvidas do que esclarecimentos em relação a decisão do colegiado pela manutenção da SELIC semana passada. São vários os pontos conflitantes, mas vamos por partes.


O primeiro ponto é sobre a utilização do compulsório como instrumento de política monetária. O BC reiterou que este expediente não é um substituto da taxa de juros na condução da política monetária, mas no item 27 pondera que “O Comitê ressalta que há certa equivalência entre ações macroprudenciais e ações convencionais de política monetária e que a importância desse vínculo tende a crescer com o aprofundamento do mercado de crédito, fenômeno este observado no Brasil nos últimos anos.” Em outras palavras: O BC irá utilizar sim o compulsório como instrumentos de política monetária.

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Este expediente do compulsório é um instrumento válido de política monetária e sua utilização não é de fato nenhum problema. Só nos incomoda saber que se isto (compulsório) se tornou instrumento, a decisão sobre sua utilização deveria ter sido deliberada na reunião do COPOM, não num comunicado sumário e de surpresa no fim da semana anterior à reunião.


A utilização do compulsório é a tentativa de conduzir uma política monetária contracionista sem o ônus que acarreta aumentar os juros (apreciação do câmbio, diminuição do investimento, etc..). A China se valeu do compulsório recentemente pelas mesmas razões, nos parece que será o tom para 2011.


Outra “novidade” que teve desta que na ata foi o comunicado reiterado de que a taxa de juros neutra do país caiu devido a consistência do sistema de metas de inflação nos últimos anos. No item 22 o BC aponta: “Além disso, note-se que, na avaliação de 49% dos analistas que responderam à consulta feita pelo Banco Central, a taxa neutra no Brasil estaria em níveis iguais ou inferiores a 6,50%”. É como se o colegiado dissesse ao mercado: vocês mesmos acreditam que os juros neutros são bem mais baixos do que o atual, então porque vocês acham que devemos aumentar os juros?


Bem, se a intenção deles foi essa, temos aqui que ponderar algumas questões.


Fonte: Gradual Investimentos

Luiz Carlos

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Luiz Carlos
Tags: fenômenos

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