Revista inglesa reconhece projeto da CNA
Aqui está a boa notícia de Cancun. O Brasil, tantas vezes demonizado pela destruição da Floresta Amazônica, está agora virando a página. No ano passado, transformou um esboço de promessa feita em Copenhagen, de cortar de 36% a 39% das emissões do setor até 2020, em um detalhado plano científico. E muito do trabalho será realizado pela indústria que é a maior responsável por devastar a Amazônia – pecuária e agricultura comercial.
A agricultura mundial é responsável por cerca de 15% das emissões dos gases de efeito estufa – um número que não inclui emissões causadas pela derrubada de florestas. Até agora as negociações acerca do clima em Cancun, México, falharam até o momento para resolver a contribuição da indústria ao aquecimento global. Contra todas as probabilidades, o Brasil está agora oferecendo para ser de bad boy da silvicultura e agricultura para o menino de ouro.
Pesquisadores a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), na quarta-feira (8/12), apresentaram um plano detalhado de agricultura de baixas emissões que pode cortar emissões com origem nas propriedades de 170 milhões de toneladas por ano, e poupar as florestas de novas invasões por agricultores.
Notavelmente, o pesquisador da Embrapa, Gustavo Mozzer, reivindica que os pecuaristas, considerados os maiores destruidores da Floresta Amazônica, poderão se transformar em sumidouros de carbono, reabsorvendo CO2 do ar. Atualmente, a maioria das pastagens perde carbono enquanto os solos degradam. “Mas uma pastagem bem manejada pode acumular carbono. A nossa pesquisa mostrou que pode acumular tanto a ponto de anular o aquecimento provocado pelo metano e outras emissões da produção de gado.”
Mozzer, um arquiteto das políticas do clima do Brasil há mais de duas décadas, disse que os planos do Brasil de reabilitar 150 mil quilômetros quadrados de pastagens degradadas até 2020, restaurando o conteúdo de carbono. Um dos métodos será plantar árvores e grãos junto do gado.
Outro grande projeto é expandir o sistema de plantio direto, no qual o Brasil é pioneiro. Arar o solo libera carbono. Mas se os produtores evitarem arar e plantarem no meio da palha do ano anterior, o conteúdo de carbono do solo cresce de 1,6% a 2% em uma década, diz Mozzer. A técnica, que já é usada em 60 mil quilômetros quadrados em terras cultivadas no Brasil, deverá ser ampliada para a outros 80 mil quilômetros quadrados na próxima década.
A Embrapa possui 32 centros de pesquisa e 192 propriedades envolvidas no plano de baixas emissões de carbono. Outros elementos incluem capturar emissões de metano de criações de suínos para produzir biogás e reduzir o uso de fertilizante nitrogenado pela engenharia de novas cepas de bactérias fixadoras de nitrogênio que podem ser oferecidas aos criadores.
Assuero Doca Veronez, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que representa mais de 1 milhão de produtores, disse que as novas técnicas poderão obter o apoio dos produtores, porque elas melhoram o solo e incrementam a produtividade.
fonte: Revista New Scientist

