Para o gerente técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Luiz Nery Ribas, uma das principais dúvidas dos produtores é sobre quanto será possível plantar de milho safrinha. Com o mercado em alta, atesta que a intenção da maioria dos produtores era repetir a área de milho safrinha do ano passado, mas teme falta de condições ao desenvolvimento da lavoura em função do atraso das chuvas para a safra principal de soja. “O ideal ao plantio do milho safrinha é até fevereiro. A partir de 1º de março, é risco”, observa o engenheiro agrônomo.
Aliado às condições de mercado, o atraso das chuvas, segundo Nery Ribas, já trouxe como impacto uma transferência de aproximadamente 100 mil hectares em Mato Grosso, que seriam destinados inicialmente à soja precoce, para o plantio exclusivo da cultura do algodão, com preços surpreendentes. Com os riscos existentes, o gerente técnico avalia que uma das tendências é que, ao invés da safrinha de milho, parcela de produtores migre para outras culturas que suportam mais o clima, como o sorgo e o girassol, ou ainda para o milheto.
No entanto, Nery Ribas ressalta que o milho de segunda safra tem fundamental importância à agricultura de Mato Grosso, seja no sentido agronômico, com formação de palhada, cobertura de solo e associação para rotação de cultura, ou no sentido econômico, como renda alternativa, aproveitamento de máquinas e funcionários, entre outros.
A alta nos preços do milho, conforme Nery Ribas, está associada principalmente à escassez do cereal devido a problemas de clima em países europeus e grandes países produtores, como Rússia, com quebras de produção. Por outro lado, grandes países consumidores, como a China, mostram tendência de importação do cereal.
Para o engenheiro agrônomo Leonardo Sologuren, mestre em economia e consultor em agronegócio, a redução da próxima safra de milho no Brasil se deve ao fato de que a elevação dos preços do cereal no mercado doméstico ocorreu, no entanto, em um período onde a decisão de investimento na área de verão já havia sido tomada.
Contudo, aponta um cenário atrativo para preços. “A redução na produção, a expectativa de problemas climáticos na região Sul em função do fenômeno La Niña e a pressão das exportações neste último trimestre de 2010 deverão configurar um quadro interessante de preços e comercialização já no primeiro semestre do próximo ano”, analisa.
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