Entrevista com Paulo Sávio Lopes

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O coordenador da Área de Zootecnia e Recursos Pesqueiros da Capes, Paulo Sávio Lopes, 52 anos, tem graduação, mestrado e doutorado em Zootecnia na Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor associado dessa instituição atuando na área de Genética e Melhoramento dos Animais Domésticos.
Com mandato de três anos, Lopes fica no cargo de coordenador de área até março de 2011 quando outro profissional assumirá a função. A Capes já está com processo aberto para indicação dos novos coordenadores de área. Mais informações: http://www.capes.gov.br.


Nesta entrevista, Lopes faz uma síntese do desempenho dos cursos de pós-graduação em Zootecnia e Recursos Pesqueiros e apresenta os avanços e novos desafios a serem enfrentados. Para Lopes, houve uma melhora significativa na qualidade desses programas.

SBZ – Nos últimos anos, houve aumento no número de cursos de pós-graduação em Zootecnia e, como conseqüência, no número de mestres e doutores na área. Quais os reflexos que essas mudanças têm trazido para o meio acadêmico, mercado de trabalho e para a própria sociedade?

PSL – A área de Zootecnia e Recursos Pesqueiros contava, no final do ano de 2009, com 48 programas de pós-graduação: 21 de mestrado (18 acadêmicos e três profissionais), 26 de mestrado e doutorado e um de doutorado. Quanto à distribuição dos programas, 19 estão na região Sudeste; 14, no Nordeste; 8, no Sul; 4, no Centro-Oeste; e 3, no Norte. Ressalta-se que, dos programas com doutorado, 12 estão na região Sudeste; 6, no Sul; 5, no Nordeste; 3, no Norte; e 1, no Centro-Oeste. Essa distribuição demonstra que ainda há demanda de programas de doutorado nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Destaca-se, no entanto, que na região Nordeste há um programa de doutorado, associado com as instituições UFC, UFPB e UFRPE (PDIZ – Programa de Doutorado Integrado na Área de Zootecnia).

Nos últimos anos, a produção científica dos programas da Área de Zootecnia e Recursos Pesqueiros tem apresentado crescimento expressivo. Tem havido, também, crescente aumento na publicação de artigos internacionais na área, em razão da internacionalização de periódicos brasileiros e do envio de artigos para periódicos do exterior, os quais têm altos índices de impacto. O número de titulados tem também aumentado consideravelmente. Enquanto que, em 1998, foram titulados 226 mestres e 39 doutores, em 2009, foram titulados 596 mestres e 213 doutores. A inserção social da área é extremamente relevante, o que pode ser constatado pelos aumentos significativos na produção e na produtividade dos rebanhos brasileiros, tanto quantitativa quanto qualitativamente. Isso tem refletido no aumento de alimentos de qualidade na mesa do consumidor brasileiro e na elevação das exportações do agronegócio brasileiro.

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SBZ – Como foi o desempenho dos cursos de pós-graduação em Zootecnia na avaliação 2007-2009? Quais os cursos que se destacaram? O que precisa, em geral, ser melhorado?

PSL – A área de Zootecnia e Recursos Pesqueiros avaliou, no triênio 2007-2009, 48 programas de Pós-Graduação, 45 acadêmicos e três profissionais. Dentre os mestrados profissionais, um permaneceu com o conceito três; um passou de cinco para quatro; e outro, de três para dois. Dentre os programas acadêmicos, 37 mantiveram os conceitos anteriores e oito aumentaram de conceito. Como resultado final, 6,3% dos programas avaliados obtiveram conceito 7; 6,3%, conceito 6; 20,8%, conceito 5; 33,3%, conceito 4; 31,3%, conceito 3, e 2,1%, conceito 2. Os programas que aumentaram de conceito são: Aquicultura – UNESP/JAB, Ciência Animal – UFMT, Ciência Animal e Pastagens – USP/ESALQ, Genética e Melhoramento Animal – UNESP/JAB, Zootecnia – UFLA, Zootecnia – UFPB/Areia, Zootecnia – UNESP/BOT e Zootecnia – USP) e os demais que receberam conceito 5, 6 e 7 (Aquicultura – UFSC, Zootecnia – PDIZ – UFC, UFRPE e UFPB/Areia, Zootecnia – UEM, Zootecnia – UFMG, Zootecnia – UFRGS, Zootecnia – UFRPE, Zootecnia – UFSM, Zootecnia – UFV e Zootecnia – UNESP/JAB). De modo geral, o desempenho dos programas tem sido altamente satisfatório.

De modo geral, houve melhoria significativa na qualidade dos programas na área. O número de titulados aumentou consideravelmente, já que, no triênio 2004-2006, foram titulados 1225 mestres e 476 doutores e, no triênio 2007-2009, 1656 mestres e 589 doutores. Quanto à produção bibliográfica, houve aumento significativo na publicação de artigos em periódicos Qualis A1, A2 e B1 (Classificação dos Periódicos: http://www.capes.gov.br/avaliacao/qualis). Ressalta-se também que o novo Qualis teve efeito indutor nesse aumento, principalmente em 2008 e 2009, no entanto, dois pontos que talvez possam ser melhorados são o número de doutores titulados e a produção científica nos estratos A1 e A2, do Qualis da área.

SBZ – Quais as medidas que poderiam ser adotadas para diminuir a distância entre cursos de ponta, com nota 7, e outros que ainda apresentam desempenho modesto, com nota 3?

PSL – A avaliação dos programas de pós-graduação é realizada com base em cinco quesitos: i) Proposta do Programa; ii) Corpo Docente; iii) Corpo Discente, Teses e Dissertações; iv) Produção Intelectual; e v) Inserção Social. Os pesos atribuídos aos cinco itens são, respectivamente, 0%, 20%, 30%, 40% e 10%. Embora a Proposta do Programa tenha peso zero, um programa só obtém conceito 5, por exemplo, se a proposta for considerada muito boa. Os critérios de avaliação de todas as áreas encontram-se no site da CAPES (http://www.capes.gov.br/avaliacao/documentos-de-area-/3270). Dentro dos quesitos utilizados, pode-se considerar que a proposta do programa e o corpo docente sejam meios (processos), enquanto Corpo Discente, Teses e Dissertações, Produção Intelectual e Inserção Social sejam fins (produtos). Portanto, não basta ter uma excelente proposta e um corpo docente de alto nível, para que um programa obtenha um bom resultado na avaliação. No entanto, não basta um programa ter grande número de mestres e doutores titulados, se ele não tiver produção intelectual e inserção social relevantes. A CAPES e as demais agências de fomento (CNPq, FAPs, etc.) dispõem de mecanismos que promovem a solidariedade entre os programas, a exemplo dos programas PROCAD (Programa Nacional de Cooperação Acadêmica), da CAPES, e o “casadinho”, do CNPq.

SBZ – Durante a 47ª Reunião Anual de Zootecnia, realizada este ano em Salvador, ocorreu o Primeiro Fórum de Coordenadores dos Cursos de Pós-graduação em Zootecnia e Recursos Pesqueiros. Qual o impacto dessa iniciativa? Ela pode contribuir para a melhoria da qualidade dos cursos de pós-graduação?

PSL – A criação do Fórum dos Coordenadores dos Cursos de Pós-Graduação em Zootecnia deverá resultar em impacto positivo e significativo nos programas de pós-graduação da área. Este fórum, que deverá se reunir anualmente durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, vai permitir a troca de experiências e de informações relevantes entre os coordenadores dos programas. Essas iniciativas são sempre positivas e só trazem benefícios, uma vez que haverá oportunidade de se discutirem o Qualis, os critérios de avaliação, a situação atual e as perspectivas da área, com vistas na melhoria dos programas de pós-graduação.

SBZ – Como a Sociedade Brasileira de Zootecnia (SBZ) tem contribuído para a melhoria da produção científica e de recursos humanos na área?

PSL – Os objetivos da SBZ contemplam a produção científica e a formação de recursos humanos na área. Um aspecto altamente relevante, que deve ser mencionado, é a manutenção/melhoria na qualidade dos trabalhos publicados na Revista Brasileira de Zootecnia (RBZ), que depende da política editorial do periódico. Espera-se que a RBZ seja o referencial das publicações das pesquisas oriundas dos programas de pós-graduação no país e que ela esteja classificada nos estratos superiores do Qualis da área, o que depende do fator de impacto do periódico. Para isso, é importante que os pesquisadores brasileiros citem os artigos publicados na RBZ, a fim de que haja melhoria no fator de impacto.

 

Fonte: SBZ


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