Falta de chuva continua afetando lavouras na região
A estiagem afetou principalmente o desenvolvimento das lavouras que já estavam plantadas, como milho, arroz, feijão e fumo, mas trouxe danos também às pastagens, prejudicando a produção de leite e carne. Em outros casos, como o da soja, a preocupação está justamente no atraso que a baixa umidade do ar pode causar ao início do plantio, com possibilidades de comprometer a safra.
Nos cálculos da Secretaria Municipal de Agricultura, somente uma precipitação acima de 50 milímetros nos próximos dias poderia salvar as lavouras de danos irreversíveis. A previsão, porém, é de que não haja grande volume de chuva até o final do mês. “Precisamos dessa água para recuperar os mananciais e as pastagens, e então amenizar os problemas”, explica o secretário Ademir Santin.
Em várias localidades, as famílias vêm sofrendo com a seca nos arroios, não só em função da agricultura. Em algumas situações, há falta até para consumo próprio. A Prefeitura foi obrigada a mobilizar um caminhão-pipa para conduzir água até as regiões mais afetadas, dentre elas São José da Reserva e Rio Pardinho.
À falta de chuvas somam-se outros fatores que contribuem para a situação alarmante, como a ausência de sistemas de irrigação e de estruturas de cobertura em boa parte das plantações, que poderiam ajudar a conservar o solo. Para o engenheiro agrônomo da Emater, Assilo Correa Junior, um dos problemas é o fato de o cultivo ser feito de maneira convencional, sendo necessário expor o solo revolvido e fazendo evaporar facilmente a água. “Uma alternativa seria o uso de palhadas para proteger”, aponta. “A questão é que um manejo adequado do solo poderia minimizar os efeitos da estiagem.”
MEL
Embora os danos sejam reconhecíveis, ainda é difícil estimar a dimensão. Entretanto, na última reunião da Associação de Apicultores foi divulgado que em torno de 70% da produção de mel até o momento foi perdida em função da seca. De acordo com o presidente da entidade, Vicente Puntel, as temperaturas baixas registradas na parte da manhã fazem com que as abelhas deixem de sair a campo. Quando saem, os animais ainda encontram dificuldades em colher, já que as plantas estão ressecadas pela baixa umidade e pelo ventos fortes.
Apesar das chuvas localizadas, os danos atingiram todo o interior do município e também Candelária, Sinimbu, Passo do Sobrado e Encruzilhada. Os produtores concentram-se agora em aproveitar o que se podem colher para suprir as demandas em feiras, escolas e mercados do Centro. “Nossa expectativa se volta para a colheita de março e abril, quando esperamos obter resultados melhores”, diz Puntel.

