China pode repor estoques agrícolas
China pode repor estoques agrícolas e elevar mais os preços mundiais
A China, surpreendida pelo rali nos mercados de milho, soja, algodão e açúcar, poderá ser forçada a recompor suas reservas estratégicas que foram reduzidas durante tentativa frustrada do governo de esfriar os preços locais com vendas dos estoques. As compras pelo maior consumidor global de algodão e o segundo maior de milho e açúcar, além do maior importador mundial de soja, poderão resultar em novo movimento de alta dos preços que já estão próximos de valores recordes e picos de vários anos. A China, que compra 60% da soja negociada em todo o mundo, poderá entrar no mercado para comprar mais de 5 milhões de toneladas de milho em 2011, quase quatro vezes mais que o previsto para este ano e tornando-se, potencialmente, o quinto maior importador global. O país já é o maior importador mundial de algodão. Os preços futuros da China estão subindo, os números mostram importações maiores e há estoques do governo sendo liberados no mercado. Todos estes fatores sinalizam para um nível de abastecimento menor que o esperado. Os estoques de milho da China podem ter caído abaixo de 10 milhões de toneladas, menos que o abastecimento de um mês, após a liberação de cerca de 45 milhões de toneladas para o mercado local desde o início de 2009. Da mesma forma, as reservas de algodão, cujo preço saltou para nova máxima esta semana tanto em Nova York como Zhengzhou, podem estar abaixo de 300 mil toneladas, menos de 5% da produção anual, e as de açúcar em 200 mil toneladas, suficiente para cerca de 2 semanas de abastecimento. O país vendeu 1,7 milhão de toneladas de açúcar no ano fiscal encerrado em setembro de 2010 e 2,1 milhões de toneladas de algodão desde setembro do ano passado.
O governo da China estoca grandes volumes de commodities agrícolas, incluindo soja, colza, milho, açúcar e algodão, para ajudar a ajustar a oferta e melhorar o rendimento dos produtores em 2008/2009. Neste ano, o país vendeu suas reservas de milho, algodão, açúcar e óleo de colza, mas as vendas não foram suficientes para acalmar os mercados, com o algodão e o açúcar testando níveis recordes, o que para os analistas indica o baixo nível dos estoques frente à forte demanda. O passo da China de buscar volumes adicionais para melhorar os estoques poderá resultar em novo ajuste da oferta global, diante das produtividades menores para o milho nos Estados Unidos; da chuva que afeta o algodão no Texas, região onde se produz metade da produção norte-americana da pluma; e perspectivas de queda na produtividade da cana no Brasil. Os rumores sobre as compras chinesas de milho na semana passada puxaram os preços do milho nos Estados Unidos para os maiores níveis em 2 anos na Bolsa de Chicago, embora estas operações não tenham sido confirmadas. A China, cuja produção de milho tem ficado estável entre 155 milhões de toneladas e 165 milhões de toneladas nos últimos anos, está tentando atender a crescente demanda global que avança em um ritmo de 10% a 15% ao ano. A China poderá enfrentar um déficit de mais de 7 milhões de toneladas de milho neste ano. As compras chinesas de milho neste ano devem ficar em 1,3 milhão de toneladas, o maior volume em 15 anos, e são vistas como o principal fator a direcionar os futuros da commodity nos Estados Unidos e na China.
